- 14:19. Tarde.
Querido
diário:
Olhar para as circunstâncias não boas e para a minha vida
daqui fracassada me faz inevitavelmente pensar em como eu queria voltar para o
meu antigo lar. Eu sei que não é saudável assim pensar, mas já pensando, sabe o
que eu faria se eu pudesse acordar na minha casa HOJE?
Primeiro de tudo eu abriria as janelas do meu quarto e
olharia tudo lá fora ao redor, para a paisagem que me era familiar. Eu
respiraria fundo e me certificaria que Timon e todos os que nela se encontram foi um pesadelo que ficara bem longe e pra sempre. Depois eu iria gastar um bom
tempo matando saudades de cada coisa e cada detalhe da minha casa. - Uma das
cosias que mais sinto falta atualmente é de rotina, de carinho e ambiente
familiar, de uma casa aconchegante. Aqui na casa do Henrique nunca teve nada
disso. Por serem eles uma família completamente desunida, acho que nem se quer
fazem ideia do que é respeito familiar. Por isso, faz 4 anos que eu assisto a
uma mãe que xinga e arma pros filhos, filhos que batem e desejam a morte da
própria mãe e até coisas piores. E também, eu comeria gulosamente qualquer
prato que minha mãe fizesse para o almoço, só para matar essa saudade louca que
tanto tenho da comida dela.
Ainda no mesmo dia, eu sairia para arrumar um emprego, trataria
de ser logo o mais novo motivo de orgulho da minha mãe. Também visitaria cada
um dos meus amigos nas casas deles e contaria à eles as histórias absurdas e
inacreditáveis de um inferninho aqui na terra chamado Timon.
E é claro, aproveitaria minha noite como sempre aproveitei enquanto
morei com minha mãe: eu conversaria com minha irmã coisas do nosso dia enquanto
jantássemos, jogaria videogame com o meu irmão logo após e antes de dormir eu
faria meu costumeiro e breve passeio pela internet para saber como andariam as
coisas pelas redes sociais. Mas, detalhe: dessa vez sem dar a mínima atenção a
nenhum namorado virtual mentiroso que poderia me levar outra vez à perdição.
E por último eu escutaria música antes de ir dormir, usaria
aquele aparelho de som vermelho berrante que parecia que só eu tinha tamanho mau
gosto pra ter um. Escutaria música antes de minha irmã chegar querendo que eu
apagasse a luz para dormirmos, antes de eu ganhar um afetuoso beijo de boa
noite da minha avó. Tudo isso, como sempre foi….
Mas antes mesmo que tudo isso pudesse acontecer, eu pediria
desculpas a minha família. Se eu tivesse a chance de lhes abrir o coração, eu
diria que toda a minha aventura e os 4 anos que passei longe deles de nada me
valeu a pena – a não ser pelos aprendizados. Diria que sofri tanto quanto eles
e que foi pelas experiências ruins que aprendi a dar valor em tudo que eu tive.
Que foi vivendo com uma família desestruturada e sem afeto como a do Henrique
que comecei a dar valor na minha própria, que, ao contrário, era o exemplo em
união, afeto e respeito. E que se possível eu gostaria de começar tudo de novo,
dali, mas diferente, fazendo tudo o que antes não fiz e sendo tudo o que não
fui.
Quando se tem uma família de valor de verdade e pela qual
valha a pena lutar, tudo que se deve fazer é brigar para permanecer nela. Eu
tenho isso. Infelizmente tive que passar por tudo o que passei para enxergar.
Mas pelo menos agora eu enxergo que tenho uma família de valor, eu tenho a minha
família.

Um comentário:
Oi florzinha..
Esses seus últimos posts estão tão para baixo, cadê aquela menina alegre e cheia de esperanças que estava por aqui em outubro e novembro? fico chateada quando vc descreve tão tristemente seus sentimentos, dá para imaginar certinho como vc se sente...
Essa descrição de como era sua vida na sua cidade foi tão sincera, uma vida tão comum e que vc não deu valor na época, precisou sofrer tanto para valorizar, é uma pena que as vezes a vida ensine pela dor, não é mesmo?
Sei que conselho se fosse bom não seria de graça (rs), mas como sua amiga que já me considero, permita-me dizer o que eu te diria se vc fosse uma amiga que viesse na minha casa numa tarde qualquer atrás de uma palavra de conforto...
Eu te perguntaria, será que ainda não tem jeito? será que não dá para você deixar tudo para trás aí em timon e voltar para poços de caldas?
Digo, você sozinha, a mesma Mari que foi, e a mesma Mari que vai voltar (embora muito mais madura e sofrida)....
Pois diante das coisas que vc escreveu no seu post anterior, me coloco a pensar que talvez, apenas talvez, vc já não sinta mais vontade de permanecer com seu namorado, mas o faz por uma infinidade de motivos...
Desculpa se eu estiver me metendo demais, mas pelo que acompanho no seu blog, não sinto que vc ame tanto o seu namorado quanto amou um dia, e ninguém pode culpá-la, visto tudo o que vc sofreu na mão dessa família perturbada dele...
Não sei, mas tenho para mim que se você (e apenas você) estivesse disposta a voltar, estivesse disposta a recomeçar do zero ao lado da sua família, tenho certeza que sua mãe te daria abrigo na sua antiga casa, sua avó e irmãos lhe receberiam de braços abertos...
Você ainda é tão jovem, minha amiga, não merece passar uma vida na dúvida e no sofrimento..e vc é uma moça inteligente e bonita, tenho certeza que não lhe faltariam oportunidades em todos os sentidos da vida, desde que vc estivesse no lugar certo e com o apoio da família certa...a sua família!
Hoje talvez vc não esteja em casa, mas quem sabe amanhã vc não poderá estar? Não tenha vergonha de pedir ajuda, Mari, peça ajuda pra sua família para voltar para casa...não tem nada de bom te prendendo aí...nada mesmo!
Amiga, não fica brava comigo, ok?
eu só precisava mesmo te dizer essas coisas...
bjinhos
Postar um comentário