Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010.
Depois de meses de brigas intermináveis,
de discussões monstruosas e palavras amargas...
Depois de praticamente morrer todo o respeito e afetividade que existia,
veio, em fim, o único remédio para aliviar a tensão e os problemas que a muito tempo vem destruindo uma família:
Henrique e eu teremos nossa casa em breve. E, acreditem ou não, a decisão partiu de minha sogra, que antes não queria saber disso nem em sonho.
O ocorrido incrível aconteceu devido a algum fato que nem eu mesma sei explicar, o porque da mudança. Mas devo confessar que um dia antes de receber a grande notícia, Lídia e eu nos enfrentamos de maneira que surgiu repercução.
Ela, decidida a avançar em meu namorado para bater por motivos não consideráveis agora, se viu, derrepente e inesperavelmente, enfrentando de frente o olhar furioso, firme e ameaçador de uma nora cansada e completamente enraivecida com as loucuras doentias dela. A incarei de uma maneira como se dissese tudo o que sempre quiz dizer. E ela atordoada, perdeu até o rumo.
Se foi isso ou o bom senso querendo dar sinal de vida ( o que eu duvido muito ), eu não sei. Só sei que Henrique e eu estamos radiantes, esperançosos e já temos feito planos. Sem falar que a gente ainda mal acredita.
Nossa idéia inicial, principalmente para livrarmos dela e, finalmente, da desgraçada da cunhada, era pagarmos aluguel. Mas foi aí que o bicho pegou. E eu, nervosa, já estava vendo tudo ir por água abaixo.
Tudo o que ela faz questão, pelo horrível sentimento exagerado de proteção que tem ao filho ( o que eu não chamo de amor de jeito nenhum, mas sim, doença ), é que fiquemos perto. Com isso surgiu a trabalhosa idéia de dividir a casa onde já moramos ao meio.
Para a nossa sorte, e desenrolê das coisas, a casa é bem grande e foi construída de uma maneira que possibilita essa repartição. Não saberei explicar os por menores de como tudo será feito. Só sei que Henrique e eu teremos cozinha, sala, um banheiro grande e nosso quarto no andar de cima com varanda. E Lídia terá a parte dela, onde terá que fazer umas reformas e adaptações para ter um banheiro e cozinha também.
Até aí parece bom. Mas aí nasce a inevitável perguntinha: Depois de passar tanto tempo sogra, cunhada, marido e nora se matando dentro de casa, daria certo viver perto? Não seria melhor separar?
Sendo sincera, era o que eu preferia. E por isso estou apreensiva.
Fico a pensar que nada a impede de dar vexame, fazer escandalos, exigir visitas, opinar na forma como eu arrumo minha casa...
fazendo direitinho o papel da sogra jararaca, já que tem vocação.
Mas para isso não acontecer, cabe a mim e ao Henrique, como um jovem casal tentando viver só e independente, colocar as regras, limites e freios necessários para, pelo menos em casa separadas, haver harmonia tolerável.
Por isso mesmo já deixamos claro como funcionarão algumas coisas se formos morar do lado, inclusive o que era óbivio acontecer em consequência da cunhada cobra que tenho e os problemas que me causou: As visitas de Ana Vitória Vasconcelos em minha casa estão, permanentemente, proíbidas. Sem reconsideração.
Aceitei viver ao lado, dividindo a casa meio a meio porque enxerguei vantagem em não pagar aluguel, polpando dinheiro para, no futuro, construir uma casa onde eu quizer. Mas deixamos claro que há condições. Já que vamos fazer uma vontade para ela, exigimos em troca o respeito. Afinal, somos um casal e temos que ter nossa vida.
Se alguma barreira for atravessada, nos mudaremos para longe e sem dar o endereço.
" Mariana Borelli escreveu. E terá a primeira casa própria. A primeira " .