Terça-feira, 06 de maio de 2014. Timon.
14:04 da tarde.
Querido diário:
O mês de maio chegou trazendo consigo os ventos da
(RE)novação, uma promessa gostosa e leve que me deixou bastante inspirada...
E sabe pra quê? Pra finalmente resolver e esquecer tantas
questões e sentimentos que andaram fazendo dos meus últimos dias um mar de
lamúria.
Às vezes acho que esse é exatamente o meu problema:
pensar demais. Ficar presa em casos antigos mastigando infinitas aflições, colocando demasiadas reticências
em histórias onde já deveriam existir o ponto final.
Admito, que por eu estar a tanto tempo aqui em Timon, sempre
tão sozinha e ociosa, e na maioria das vezes sempre tomada por tristezas e ansiedade,
acabo pensando no que não deveria e me entregando a tais martírios nada
saudáveis. Fico tentando encontrar uma solução e um “por quê” pra tudo o que
acontece e não acontece em minha vida, e reabro mágoas desnecessárias que
deveriam ser esquecidas - porque naturalmente, não resultam em mais nada, além
de machucar. -_-
Como resultado, acabo insuportável, depressiva, triste,
repito as mesmas histórias e escrevo um monte de textos recheados de melancolia
pesada e palavras cheias de revolta, rsrs.
Lástima... -_-
Mas mesmo passando por tanta coisa nesses dias que se
seguem, hoje eu me levantei decidida a vencer isso. Decidi por fim em cada uma
das coisas que me impedem de seguir em frente e, ao invés de perder tanto tempo
e energia remoendo o que já passou e não vai mais mudar, eu jurei a mim mesma que lutarei
para encontrar resoluções para o que der e abandonar e esquecer aquilo que não dá mais.
A começar pela situação entre eu e meu namorado Henrique:
* Nos últimos dias nós dois não estávamos muito bem.
Vínhamos discutindo muito por coisas bobas e nos distanciando cada vez mais.
Quando não aguentei mais a situação e o chamei para conversar, nós dois apontamos,
numa conversa longa, alguns erros cometidos no início de nossa relação que
possivelmente estavam nos levando a falta de afeto nos dias de hoje.
Eu abri o meu coração. Falei pra ele tudo o que eu sentia, e
também falei que achava que no nível de desrespeito em que estávamos a única
solução que eu via para os dois parar de sofrer era nos separar. Mas apesar de
que ele concordou comigo em muitas questões, não achou que se nos separarmos depois
de quase oito anos juntos seja a solução. Ele me convidou a tentar mais uma vez
reacender aquele sentimento tão gostoso que tínhamos quando namorávamos ainda
pela internet, e eu concordei em tentar, mesmo depois de saber da sua traição.
Semanas atrás, Henrique me confessou que era dele um perfil
anônimo que descobri no facebook, e que também virou motivo de polêmica dentro
da universidade onde ele trabalha. Na época disseram que alguém dentre os funcionários
do local havia criado um perfil no facebook só para adicionar e xavecar as alunas que estudam lá.
O meu namorado e um dos vigilantes da universidade eram os suspeitos, mas
Henrique jurou pra mim pelo nome do pai dele que morreu que o perfil era de um dos
vigias. Mas recentemente o próprio Henrique me confessou ser o dono do perfil e eu fiquei arrasada.
No dia da sua confissão descarada nem consegui encontrar palavras dignas para descrever o
quanto aquilo me machucou, mas não fiquei de toda surpresa. Eu já desconfiava
que fosse do Henrique pelas inúmeras brechas mal contadas na história, e por
dias eu não suportei nem ficar na sua companhia.
Só que os dias se passaram, nós conversarmos, conversarmos
mais um pouco e conversarmos um pouco mais. Ele pediu perdão, explicou suas
razões, e eu, depois de dias relutante a pensar no assunto, tomei uma decisão
que me fez me sentir até muito bem: decidi que eu poria uma pedra em cima e
recomeçaria com ele tudo outra vez. E digo que tem dado certo: Faz alguns dias
que as coisas entre nós tem estado bem, não cem por cento, mas nossa amizade se
renovou e nosso convívio também.
* Além disso havia também a questão da minha cunhada. Depois
que engravidou e casou, a “peça” foi morar longe, e por dias, até o ar ficou
mais leve por aqui. Mas já faz uma semana que ronda o fantasma da possibilidade
de ela voltar, e Henrique e eu estamos muito apreensivos. Nenhum de nós dois a
quer aqui em casa de novo. Minha sogra conta que o casamento da filha, que até
agora durou dois meses, acabou, mas não é isso que se vê. Desconfio que minha sogra
esteja tentando separar sua filha complicada do marido para trazê-la para cá
outra vez, e apesar de que estou morrendo de medo disso acontecer, eu sei que
ela, a minha cunhada, também não quer ficar aqui pela mesma razão que eu não a quero por perto.
A verdade é que nós duas não nos suportamos. Mesmo depois de
termos nos pedido desculpas e eu a ter ajudado algumas vezes, mesmo assim eu
não gosto dela, e sei que ela também não gosta de mim. Entre nós sempre
existirá essa disputa de lugar, de popularidade, de carisma, pra saber quem é a
mais bonita ou qual das duas é a mais feliz. Sempre haverá essa disputa pela
atenção do Henrique e dos outros, porque ela se importa tanto comigo quanto eu
com ela. Então é melhor que uma fique longe da outra até que eu um dia consiga
voltar pra Minas. Porque a verdade é essa, diário: eu nunca irei gostar da
minha cunhada de verdade.
* A questão da minha irmã e minha família já é mais delicada.
Sei que vai levar alguma dedicação e tempo para recuperá-los como família e isso não é o que
poderei resolver aqui, estando ainda na triste Timon e tão longe deles. É por
isso que sinto urgência em voltar para Minas, mas não está tão fácil quanto eu
gostaria. Na verdade, diário, temo não conseguir voltar pra Minas ainda esse
ano. A ideia às vezes me desespera, mas sei que não posso perder o foco e as
estribeiras, rs.
Mas da mesma forma que decidi lutar para achar soluções para
as minhas questões ao invés de remoê-las, vou encontrar uma forma de sair
daqui. Eu sei. Na vida existe uma forma pra tudo, e da mesma forma que um dia
achei impossível vir até o Maranhão conhecer o Henrique, eu sei que ainda vou
sair desse lugar maldito. -_-
Por isso, estou retomando meus sonhos e mandando o espírito
do negativismo pra longe!
Estou engolindo meu orgulho e tirando a farda da vítima incapacitada
para vestir a da garota corajosa e determinada que sempre fui.
Se eu preciso de uma nova vida para melhorar, vou então em
busca dela. Só não posso deixar que questões pequenas me abatam. Levantei
determinada a isso.
