Terça-feira, 25 de Setembro de 2012.
Como de costume, bem cedo minha sogra veio
conversar com Henrique e contar suas histórias. Mais uma vez demostrou-se revoltada
por minha cunhada ter estragado nossas compras ao ir com interesse único de trazer um
alisante para o ex-namorado que, no final, não serviu nem para mim.
Ela disse que irá inventar uma artimanha
para enganar a minha cunhada não sei em que sentido para conseguir não sei o que. Ou
parece que ela já a enganou esses dias pra trás, uma coisa assim… Não entendi.
Esse assunto me chamou a atenção porque
isso me fez lembrar de todas as vezes que a vi enganar a minha cunhada por algum
motivo, enquanto morávamos todos juntos. E minha cunhada, que se dizia esperta, era
tola demais, sempre se deixando cair. Alias, parece que até hoje é. Ela não tem
senso de desconfiança.
Por mais que eu deteste a minha cunhada, devo
admitir que sua ingênuidade é a razão por ser contornada por pessoas, não só a
mãe. Se eu for listar pelo menos quatro vezes que testemunhei mentirem pra ela,
sendo que eu sabia da verdade, percebo que da mesma forma que se acha a esperta
que engana os outros, que engana a mãe, quando diz ir para um lugar sendo ele
outro, também é enganada. E a lista de fatos chega a ficar enorrrme se for
citar.
Aí vão algumas que lembro:
- Bem, a principal de todas é haver com a
famosa bolsa escola.
Pelo menos nesses três anos que moro aqui,
com a família do Henrique, minha sogra tirou o benefício da filha, de 120 reais,
enquanto dizia pra ela que já não o mais tinha. É certo que minha sogra usava o
dinheiro para contas, quanto que a filha só o usaria para vaidades. Mas de
qualquer forma, nunca foi uma mentira justa. A menina ganhava a bolsa escola
por ir no colégio.
- O lance dos gatos era doidera. Minha cunhada criava gatos, mas minha sogra os odiava. Toda vez que queria se livrar deles,
ela esperava a menina ir pro colégio para dar um sumisso nos bichinhos. Contra
minha vontade ela sempre me usou como cúmplice, e lá ia eu sair de casa com ela
toda suspeita, com o saco carregado com os bichinhos miando.
Acontecia que depois que a menina voltava
da escola, minha sogra a tratava num chamego todo, cheia de mimo e medo dela
descobrir o que havíamos feito durante a tarde. Passados uns 3, 4 dias sem a
Ninha aparecer, aí sim a lerda da minha cunhada relatava para o irmão o paradeiro da
gata. Ele dizia ser normal a bichinha passar dias fora de casa, e a tola mais
uma vez se convencia.
Henrique sempre sabia o que acontecia com a
gata. Quando não, eu contava para ele o que sua malvada mãe me obrigava a fazer
quando ninguém estava em casa. Ele mesmo uma vez, quando essa gata Ninha pariu
seis filhotes pretos, enxeu o saco com todos eles e entregou para uma pessoa na
rua a mando da mãe, enquanto minha cunhada dormia no quarto. Depois, todos nós
tínhamos que disfarçar e fingir não saber nada.
- Outro episódio que me lembro da minha sogra ter
enganado a filha foi no final de 2010, quando estávamos prestes a separar a
casa em duas.
a menina inventou de sair com a
prima, e passou pelo menos quatro dias fora de casa e sem dar satisfação. Minha sogra
ficou com tanta raiva dela, que se ajuntou com Henrique e ensenaram algo para
castigá-la.
Nessa época, o computador ficava na sala,
pra todo mundo ter acesso. Minha sogra ordenou que ele fosse levado para o nosso
quarto, onde a menina não poderia entrar para usar. Quando ela chegasse,
inventariam que o pc só foi para o quarto porque parou de funcionar. E para ser
mais convincente ainda, Henrique retirou uma peça que realmente não o fez ligar
na hora de provar seu suposto defeito.
Acabou que mais uma vez a patinha caiu, e
passamos todo aquele tempo em que ela estava só na tv, sozinha na sala,
usufruindo de computador com internet no quarto. Do mesmo modo correu durante
todo aquele tempo de casas separadas onde ela ficou por mais de um ano sem ter
um computador em casa.
- Agora, a última das mais importantes que
escolhi para mencionar, e acho essa ser um assunto bem mais sério.
Já mencionei que minha cunhada é apenas filha
adotiva da minha sogra. E não sei por qual razão, minha sogra conta pra menina que a
mãe biológica já morreu. Marinalva, a mãe da minha cunhada está viva e acho que não
tem coisa mais cruel do que minha sogra afirmar essa morte ao invés de contar que Marinalva
queria conhecer a própria filha, pra contar que hoje está bem de vida e
perguntar se ela não queria conhecer e se integrar a sua família de sangue.
Acho que minha sogra faz isso por inveja,
por ver que a famosa empregada louca está com dinheiro. Faz também por medo de Marinalva ser pra menina o que ela, Lídia, nesses anos todos não foi. E também por egoísmo, porque não
quer que a filha tenha uma família de sangue que se importe com ela, já
que ela mesma, a Lídia, não tem. Ela quer porque quer que minha cunhada seja tão
ranzinza e regeitada como ela. Minha sogra não pode ser odiada por todos sozinha. Ela
precisa arrastar a filha junto.
Se um dia minha cunhada descobrisse tudo isso,
se fizer diferença pra ela, acho que jamais perdoaria a Lídia.