segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O último pedido.

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012.



Ainda não entendo por que minha sogra todos os dias precisa ficar contando coisas da minha cunhada para o Henrique. Bem ou mal ela precisa estar direcionando só para ele o que a outra está  fazendo ou deixando de fazer. Com quem ela está andando, o que falou…
Até contar que a calcinha dela apareceu suja de manchas suspeitas ela fala. É cada história…

Não sei, as vezes tenho a sensação que minha sogra acha que esse desentendimento entre nós com a menina é momentaneo. Que em questão de tempo estaremos todos contentes e felizes nos falando de novo. Ou que, numa situação grave, tipo quando acontecer a morte dela, iremos deixar as diferenças de lado para nos ajudar e acolher a pobre garota para não ficar só.
Não sei o que ainda a faz ter esperanças, nem como fazê-la entender que isso nunca irá acontecer.

Por falar na morte dela, todos nós sabemos que o inevitável um dia acontecerá. E pra quem antes relutava em aceitar a verdade da natureza, me parece que até ela, desses tempos pra cá, já se conformou e sabe que está numa idade que isso pode acontecer a qualquer hora.
Por isso mesmo ouvi, já faz um tempinho, histórias estranhas dessas vizinhas aqui na rua, que minha sogra ainda estaria sentida por ver que os filhos não mais se falam, e que diante disso estaria com um plano para morrer mais tranquila.
Ela não vai exigir que eles convivam de novo. Não vai exigir que o Henrique zele pela irmã, mas parece que no dia que ela sentir que está de partida e for se despedir de todos, ela irá chamar os dois filhos, minha cunhada e Henrique, e pedir que ambos se olhem, se desculpem e se abrassem na frente dela uma última vez. Vai pedir que façam as pazes para que ela se sinta melhor.
Me contaram que essa seria sua última e única vontade antes de morrer, seu único pedido, mas um pedido que não consigo estar de acordo.
Já até consigo ver a cena dramática:
Ela em lágrimas na cama, Henrique e a menina no quarto com ela…
E como é a atrevida da história, sei que no momento que a mãe pedir que fiquem de bem, minha cunhada tomará a iniciativa, porque Henrique não é disso. Ele a olhará quieto e indiferente, enquanto que a menina irá insistir. E tanto irá insistir que sei que ele sederá, porque Henrique é fraco demais.
E é nessa hora que me imagino entrando naquele quarto para estragar tudo. 


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