Segunda-feira, 03 de Março de 2014.
- 14:18 da tarde.
Querido diário:
Hoje é segunda-feira, dia 3. Já estamos no mês de Março, e
eu estive há quase um mês sem vir aqui. Mas, em compensação, eu trouxe uma
novidade sobre a minha cunhada pra compartilhar com você – novidade esta,
inclusive, que me ajudou a melhorar.
Pra começar, o antes tão comentado, apressado e também
turbulento casamento da minha cunhada que aconteceu bem no dia do meu aniversário (marcado
propositalmente, eu até hoje desconfio), virou a piada do ano. Pelo o que eu
soube através de uma vizinha e também por minha sogra que não deixou escapar um
só detalhe, metade dos convidados previstos não foram. E parece que uma prima
da família acabou por fazer a indelicadeza de derrubar o bolo de andares que
custara fortunas, no chão. Imagino que a minha cunhada tenha ficado louca, e
não só com essa prima que nunca participara de sua vida antes e, na única vez
que marca presença, comete uma gafe dessas, mas também com a minha sogra, que
convidara a tal desajeitada.
Por falar na sogra, ela e a filha trocaram farpadas até no
dia que era pra ser o mais importante para elas. A raiva da Vitoria contra a
mãe era notória, e bem o oposto do que eu estive o tempo todo imaginando, o
casamento conturbado que só aconteceu para abafar o escândalo de uma gravidez
antes da hora, mais estressou e desgostou a minha sogra do que alegrou,
contou-me Henrique com as palavras da mãe dele, e a única vantagem que ela
enxergou ao financiar e apressar o casamento da filha era que ela fosse embora logo
de casa.
Eu estaria mentindo, diário, se não dissesse que estou feliz
da vida por minha cunhada ter ido embora. Era praticamente um desejo, quase um
sonho, me ver livre da presença dela, de tanto que ela criou e causou problemas
por aqui. Para mim sempre foi insuportável a ideia consciente e inconsciente de
ela morando aqui do lado, mesmo com nós duas nos dando bem, e agora finalmente,
o que eu tanto queria aconteceu: Vitoria foi embora morar num bairro um pouco
longe daqui, e é a primeira vez, desde que moro aqui, que me sinto um pouco -
só um pouco mais - a vontade. Livre.
Mas, além dessa, há outra coisa que está me causando uma
satisfação sem tamanho: o fato de que eu consegui que o Henrique não fosse ao
casamento da minha cunhada. Todo mundo sabe o quanto a Vitoria aprontou pra mim
nos cinco anos que morei na casa dela. Todo mundo sabe como ela fez a cabeça da
minha sogra pra não deixar seu irmão se casar comigo no ano de 2010. Em cinco
anos de páginas do meu diário estão escritas toda essa frustração. E ela tanto
tentou que conseguiu. Minha sogra deu ouvidos às maldades dela.
Por causa
disso, nunca me casei, e certa vez eu jurei que quando chegasse o dia da Vitoria
se casar, eu não iria deixar que ela tivesse a satisfação de ter o próprio
irmão presente. Eu não o deixaria ajudá-la mais em qualquer coisa ou participar
de sua vida. Eu os separaria, porque eu sabia
que o irmão era a pessoa que ela mais amava depois do pai que já faleceu. Eu
sabia que a presença dele era mais importante até que a da mãe pra ela no
casamento. Era ele quem entraria com ela na igreja. Minha sogra muito nos pediu
para que fôssemos e para que Henrique entrasse com a irmã. Diante da notável
apreensão dele, até à mim minha sogra intercedeu. Mas não cedi. Não mudei de
ideia, mesmo notando que em algum lapso Henrique pareceu querer fazer a vontade
da mãe de entrar com a Vitoria na igreja. Decidi que a minha dor era mais forte
que a nobreza de deixar mágoas de lado e fazer um bem sem olhar a quem. Decidi
que eu, apesar de inúmeras vezes traída e machucada por aquela imbecil, já
havia aguentado o suficiente. Ela estava feliz, não estava? Já estava se
casando e estava adorando me provocar com o fato que ela se vestira de branco e
foi para o altar, e eu não, não é? Eu não precisava participar daquilo. E nem
ia. Decidi que o Henrique também não. Me dei esse direito. E minha recusa
definitiva ao convite foi claramente entendido pela minha sogra sem remorsos ou
ameaças.
E agora, como eu disse, nada pode me tirar essa e a outra satisfação de que, ao menos que venha visitar a
minha sogra vez ou outra, eu não terei mais a minha cunhada por perto.
Sabe, diário, eu sei que relatando as coisas dessa forma
fica parecendo que sou uma pessoa inclinada pra maldade, que gosto da desgraça
dos outros ou sou a favor de vingança. Não é isso. Você sabe mais do que
qualquer pessoa que possa achar que me conhece ou me entende bem, que reagi
dessa forma por causa do meu coração há muito cansado, que aguentou por cinco
anos as provocações infantis e venenosas dessa moleca má criada e invejosa. Que
esperou pacientemente e entre lágrimas disfarçadas de sorriso, entre soluços
abafados no travesseiro os dias de hoje para ver – finalmente ver- a justiça
acontecer. Esses infortúnios com o casamento, minha sogra atrapalhando, o irmão
ausente na cerimônia, tudo é reflexo do mesmo que aconteceu comigo voltando
para a minha cunhada, que causou a maior parte das confusões; é só a vida (e
eu) devolvendo à Vitoria o que ela mesma provocou. Antes tivesse ido pela
amizade. E se mesmo assim não concordasse com as coisas, que tivesse ficado
quieta, como eu. As pessoas colhem o que plantam, sempre tem o que merecem cedo
ou tarde. A vez da minha cunhada, que antes se achava esperta por ter
conseguido o que queria, chegou, e o mais legal é que eu fiquei aqui em Timon
tempo suficiente para ver isso.
Talvez seja por isso que meus planos de sair
daqui logo sempre se rompiam. Eu tinha que estar aqui para ver isso. Se eu tivesse
já ido pra Minas Gerais e de lá visse as fotos do casamento dela pelo facebook,
provavelmente eu pensaria que ela tivera o casamento perfeito, e sem dúvida que
ela cuidaria pra que eu pensasse isso, só pra me chatear. Mas estando ainda
aqui, eu vi o por trás dos bastidores, vi minha sogra descontente armando tudo
pra estragar, vi um bolo caro se espatifando no chão, vi uma Vitória frustrada
gritando furiosa com a mãe na sala da casa que nunca a perdoará por destruir
seu casamento.
É, o mundo deu voltas. Não que eu esteja feliz. Só estou
satisfeita e me sinto vingada. Sinto que agora sim o círculo realmente se
fechou e posso descansar em paz. As lágrimas que derramei por causa da minha
cunhada foram vingadas. E agora sinto que já posso deixa-la ir.
E.... quanto a mim, estou ótima. É o que tenho a dizer. Não
só por isso, mas por várias outras pequenas coisas. Como eu disse no começo
deste quilométrico texto, fiz vinte e sete anos no dia 14 de fevereiro. Recebi
os parabéns e várias homenagens de todos os meus amigos e familiares, inclusive
da minha mãe Suzana e minha irmã Dianne. Fiquei muito feliz. Ganhei o meu primeiro estojinho de maquiagem do
Henrique e me comprei um livro legal. :)
Também comecei o meu tão sonhado curso de corte e costura
pra aprender a fazer minhas próprias roupas e desenhar minhas coleções e semana
que vem vou entrar pra academia, vou começar na terapia e os meus planos de
retomar meus trabalhos com as gravações dos meus cds de OSTs de games estão
dando certo. Sem falar que estou muito feliz porque, nesse mês, o meu cabelo
passou a bater na cintura, fazendo também dar certo meu sonho infantil de
finalmente ter os cabelos compridos. E de quebra, estou achando que esse ano eu
finalmente serei mamãe, porque desde de Dezembro tudo vem indicando que estou
grávida. É verdade que só terei a certeza na sexta-feira, mas até lá ando muito
apreensiva.
Como pode ver, os ventos mudaram e agora sopram em minhas
velas. Minha sorte vem mudando muito e estou adorando isso tudo. Estou muito
feliz, mais leve, tranquila. Agora finalmente volto a sorrir e a planejar com
calma as coisas da minha vida.
Bom, por enquanto eu vou ficando por aqui, mas prometo lhe
manter informado sobre tudo, diário. Hoje eu escrevi um bocado, mas há muito
mais que eu preciso te contar.