sábado, 29 de março de 2014

Talvez ela tenha me esquecido.

Sábado, 29 de Março de 2014
- 22:15 da noite. 

Querido diário:
Estou começando a achar que minha irmã não gosta mais de mim. Quero dizer: não acho que ela esteja tão ocupada que não possa parar para conversar comigo por cinco minutos, ou responder a um simples recado. Suspeito que eu tenha passado tanto tempo longe dela que ela tenha se esquecido dos laços fraternais que nos une. Ou então, que outras pessoas que estejam perto dela sejam tão mais importantes que eu que tenham tomado o meu lugar. 



sexta-feira, 28 de março de 2014

Ainda bem que é menina.

Sexta-feira, 28 de Março de 2014.
- 18:33. Fim de tarde. 

Querido diário:
Falando hoje de outro assunto, minha sogra contou que o bebê da minha cunhada que vai nascer é menina, e só Deus sabe o tamanho do alívio e satisfação que senti por saber disso: que é menina e não menino. Todo mundo por aqui sabe que minha sogra tem a visível e assumida preferência pelo filho Henrique com relação a irmã só porque ele é menino, e o fato me faz pensar que em se tratar dos futuros netos, pra minha sogra, não será diferente.
Quando eu achava que estava grávida, minha sogra disse ao Henrique que estava torcendo para o meu bebê ser menino. E a última coisa que eu queria que acontecesse era que o bebê da minha cunhada fosse também, pois só eu sei – e eu já podia até imaginar – o tamanho da frescura que iria ser a minha sogra com essa criança, e só eu sei até onde iria subir o ego inflamado da minha cunhada se soubesse disso. Com certeza iria tirar muito proveito da situação, talvez até forçar para que esse bebê homem fosse para a minha sogra mais importante que o Henrique. A minha cunhada sempre se ressentiu por não ser a filha preferida e sempre foi capaz de fazer qualquer coisa pra derrubar o irmão mais velho do posto.
Então, pelo bem – até mais do Henrique que meu-, e pela frágil harmonia que só foi pairar aqui porque minha cunhada se mudou, graças a Deus que o bebê dela é menina. 


quinta-feira, 27 de março de 2014

É nessa corda bamba...

 ... que eu ando que meu choro desata, me inunda e me faz parecer boba, sofredora, quando o espelho da memória me mostra o quão eu sou forte. É nessa tentativa de equilíbrio constante que eu caio, tantas e tantas vezes, umas rindo, outras xingando, mas querendo acertar. Nessa escuridão que as circunstâncias me apresentam, eu quero ser luz. Mas como ser brilho, se a opacidade dos outros me atinge? Será que me afetará para sempre? Será que ainda há mais força aqui dentro para lutar contra isso?
E me pergunto: Quando é que eu vou poder voltar para onde é meu lar me ver livre deste lugar e todas essas pessoas que me fazem mal? 
Quando será que a minha vida me vai acontecer?
Quando será que chegará o dia em que não precisarei mais chorar ou sentir saudades das pessoas que eu amo e estão tão longe de mim?
Quando será que eu finalmente verei todos os meus dilemas, problemas e angústia resolvidos? 

Não sei. Mas juro que eu queria saber. Mas, enquanto as páginas estão em branco e as respostas não me são dadas, eu vou andando, aqui, ali, sendo imbecil e apaixonada, sensível e reclusa, horas despencando horas centrada, seguindo meus passos, deixando rastros e esperando o meu dia vir.
Que um dia, ele chega. 

- M'ari B. 



Por que é tão difícil para ela se lembrar de mim?

Quinta-feira, 27 de Março de 2014.
- 18:46. Fim de tarde. 

Querido diário:
Como eu estava decidida a alcançar aquele apoio familiar do qual tanto preciso e do qual te falei ontem, mandei hoje um recado para a minha irmã, no facebook, mas como sempre ela não respondeu.
Eu queria entender por que ela é tão ruim em me dar um pouco de atenção. Queria saber por que é tão difícil para ela se lembrar de mim, da irmã dela que mora longe...


quarta-feira, 26 de março de 2014

Estou me sentindo perdida.

Quarta-feira, 26 de Março de 2014.
- 17:07 da tarde.

Querido diário:
Hoje estou me achando um pouco confusa. Estou precisando colocar a cabeça no lugar, mas não sei como fazê-lo. Também estou sentindo que preciso de apoio familiar para várias coisas, mas não sei como pedir à minha agora indiferente família. =/
Depois que eu os vi em outubro do ano passado, na viagem que fiz à Minas Gerais, depois também de ter passado cinco anos longe deles vivendo aqui no Maranhão, eu achei que eu havia conseguido quebrar a grande muralha de gelo que se ergueu entre nós. Achei que tinham ficado felizes e impressionados em ver o quanto mudei e que por isso não me deixariam mais tão abandonada, que me ajudariam. Mas aparentemente minha visita não deu muita diferença. Eles ainda são muito duros comigo.
Mas, bem, eu não estou triste, depressiva ou angustiada. Mas estou me sentindo desorientada, perdida e sozinha, estou precisando de ajuda para seguir e me organizar e organizar a minha vida e sentimentos. Mas não tenho de quem obter essa ajuda.  Deus sabe o tudo que eu daria em troca de ter pelo menos a minha avó por perto. Ela é sábia. Sempre tem as palavras certas para a hora certa. E entrementes, seria a melhor ajuda de que preciso no momento.


terça-feira, 25 de março de 2014

Voltando a escrever no diário.

Terça-feira, 25 de Março de 2014.
- 17:48. Fim de Tarde.

Querido diário:
E mais uma vez eu descumpri com a promessa que eu fiz a mim mesma de manter este meu abençoado diário virtual atualizado. Eu sei que no futuro irei me arrepender infinitamente disso, mas, tudo bem: a cá estou. Tive outros compromissos. Não aconteceu muita coisa nos últimos dias, e estou bem pelo menos – alias, bem até demais :D
Quer dizer: só ando novamente naquela onda de confusão e com a cabeça cheia de coisas, pensando em mil besteiras e mastigando infinitas aflições.
Mas, apesar disso, estou me sentindo um tanto engraçadinha hoje. Ando de muito bom humor, e não há uma razão aparente para isso, o que é o mais gostoso!
Ah! E tenho outra coisa pra dizer: Retiro o que eu disse sobre o fato de que eu deixaria de me importar com a minha cunhada agora que ela se casou e, graças ao meu bom Deus, foi morar longe daqui. Descobri essa semana que eu sempre vou me importar, sempre. Principalmente se ela não me deixa esquecê-la, e continua vindo a visitar a mãe todos os domingos... ¬¬

domingo, 9 de março de 2014

Não foi dessa vez.

Domingo, 09 de Março de 2014.
- 16:48 da tarde. 

Querido diário:
Ontem, e também sexta-feira, foram dias extremamente corridos. Nem tive tempo de me sentar e escrever pra te contar que recebi o resultado do exame   de gravidez. Deu negativo. E ainda vou confessar: por um lado me senti aliviada, porque sei que financeiramente falando ainda não é a hora e nem o lugar pra ser mãe. Mas por outro fiquei um pouquinho só decepcionada. Uma parte minha até esperava ler um "positivo". Uma pequena parte minha (uma pequeníssima parte mais madura que luta pra dominar o meu persistente lado menina), realmente queria, mesmo que sem admitir, ter podido realizar agora meu desejo secreto de ser mãe. :| 

Mas agora me sinto um pouco preocupada. A médica desconfia que os sintomas que me levaram a pensar que estava grávida foram causados por um cisto que aparentemente é o que vem me impedindo de engravidar de verdade, e por isso me pediu para consultar um ginecologista urgente. 
Achei ótimo, só porque "adoro" fazer exames. Ainda mais ginecológicos: os terríveis, malditos e constrangedores exames ginecológicos dos quais sempre fugi. ¬¬
Mas fazer o quê, parece que dessa vez não tenho escolha. Para o meu desanimar eu não sou mais aquela menininha que bate o pé emburrada pra não ir ao médico e que a mãe acaba levando arrastada do mesmo modo. E além do mais, só Deus sabe o quanto já negligenciei detalhes importantes sobre a minha saúde. Então, pra minha infelicidade, dessa vez não vai ter outro jeito.  u.u
 

segunda-feira, 3 de março de 2014

E hoje, quase 1 mês depois....

Segunda-feira, 03 de Março de 2014.
- 14:18 da tarde. 

Querido diário:
Hoje é segunda-feira, dia 3. Já estamos no mês de Março, e eu estive há quase um mês sem vir aqui. Mas, em compensação, eu trouxe uma novidade sobre a minha cunhada pra compartilhar com você – novidade esta, inclusive, que me ajudou a melhorar.

Pra começar, o antes tão comentado, apressado e também turbulento casamento da minha cunhada que aconteceu bem no dia do meu aniversário (marcado propositalmente, eu até hoje desconfio), virou a piada do ano. Pelo o que eu soube através de uma vizinha e também por minha sogra que não deixou escapar um só detalhe, metade dos convidados previstos não foram. E parece que uma prima da família acabou por fazer a indelicadeza de derrubar o bolo de andares que custara fortunas, no chão. Imagino que a minha cunhada tenha ficado louca, e não só com essa prima que nunca participara de sua vida antes e, na única vez que marca presença, comete uma gafe dessas, mas também com a minha sogra, que convidara a tal desajeitada.
Por falar na sogra, ela e a filha trocaram farpadas até no dia que era pra ser o mais importante para elas. A raiva da Vitoria contra a mãe era notória, e bem o oposto do que eu estive o tempo todo imaginando, o casamento conturbado que só aconteceu para abafar o escândalo de uma gravidez antes da hora, mais estressou e desgostou a minha sogra do que alegrou, contou-me Henrique com as palavras da mãe dele, e a única vantagem que ela enxergou ao financiar e apressar o casamento da filha era que ela fosse embora logo de casa.
Eu estaria mentindo, diário, se não dissesse que estou feliz da vida por minha cunhada ter ido embora. Era praticamente um desejo, quase um sonho, me ver livre da presença dela, de tanto que ela criou e causou problemas por aqui. Para mim sempre foi insuportável a ideia consciente e inconsciente de ela morando aqui do lado, mesmo com nós duas nos dando bem, e agora finalmente, o que eu tanto queria aconteceu: Vitoria foi embora morar num bairro um pouco longe daqui, e é a primeira vez, desde que moro aqui, que me sinto um pouco - só um pouco mais - a vontade. Livre.

Mas, além dessa, há outra coisa que está me causando uma satisfação sem tamanho: o fato de que eu consegui que o Henrique não fosse ao casamento da minha cunhada. Todo mundo sabe o quanto a Vitoria aprontou pra mim nos cinco anos que morei na casa dela. Todo mundo sabe como ela fez a cabeça da minha sogra pra não deixar seu irmão se casar comigo no ano de 2010. Em cinco anos de páginas do meu diário estão escritas toda essa frustração. E ela tanto tentou que conseguiu. Minha sogra deu ouvidos às maldades dela. 
Por causa disso, nunca me casei, e certa vez eu jurei que quando chegasse o dia da Vitoria se casar, eu não iria deixar que ela tivesse a satisfação de ter o próprio irmão presente. Eu não o deixaria ajudá-la mais em qualquer coisa ou participar de sua vida.  Eu os separaria, porque eu sabia que o irmão era a pessoa que ela mais amava depois do pai que já faleceu. Eu sabia que a presença dele era mais importante até que a da mãe pra ela no casamento. Era ele quem entraria com ela na igreja. Minha sogra muito nos pediu para que fôssemos e para que Henrique entrasse com a irmã. Diante da notável apreensão dele, até à mim minha sogra intercedeu. Mas não cedi. Não mudei de ideia, mesmo notando que em algum lapso Henrique pareceu querer fazer a vontade da mãe de entrar com a Vitoria na igreja. Decidi que a minha dor era mais forte que a nobreza de deixar mágoas de lado e fazer um bem sem olhar a quem. Decidi que eu, apesar de inúmeras vezes traída e machucada por aquela imbecil, já havia aguentado o suficiente. Ela estava feliz, não estava? Já estava se casando e estava adorando me provocar com o fato que ela se vestira de branco e foi para o altar, e eu não, não é? Eu não precisava participar daquilo. E nem ia. Decidi que o Henrique também não. Me dei esse direito. E minha recusa definitiva ao convite foi claramente entendido pela minha sogra sem remorsos ou ameaças. 
E agora, como eu disse, nada pode me tirar essa e a outra satisfação de que, ao menos que venha visitar a minha sogra vez ou outra, eu não terei mais a minha cunhada por perto.

Sabe, diário, eu sei que relatando as coisas dessa forma fica parecendo que sou uma pessoa inclinada pra maldade, que gosto da desgraça dos outros ou sou a favor de vingança. Não é isso. Você sabe mais do que qualquer pessoa que possa achar que me conhece ou me entende bem, que reagi dessa forma por causa do meu coração há muito cansado, que aguentou por cinco anos as provocações infantis e venenosas dessa moleca má criada e invejosa. Que esperou pacientemente e entre lágrimas disfarçadas de sorriso, entre soluços abafados no travesseiro os dias de hoje para ver – finalmente ver- a justiça acontecer. Esses infortúnios com o casamento, minha sogra atrapalhando, o irmão ausente na cerimônia, tudo é reflexo do mesmo que aconteceu comigo voltando para a minha cunhada, que causou a maior parte das confusões; é só a vida (e eu) devolvendo à Vitoria o que ela mesma provocou. Antes tivesse ido pela amizade. E se mesmo assim não concordasse com as coisas, que tivesse ficado quieta, como eu. As pessoas colhem o que plantam, sempre tem o que merecem cedo ou tarde. A vez da minha cunhada, que antes se achava esperta por ter conseguido o que queria, chegou, e o mais legal é que eu fiquei aqui em Timon tempo suficiente para ver isso. 
Talvez seja por isso que meus planos de sair daqui logo sempre se rompiam. Eu tinha que estar aqui para ver isso. Se eu tivesse já ido pra Minas Gerais e de lá visse as fotos do casamento dela pelo facebook, provavelmente eu pensaria que ela tivera o casamento perfeito, e sem dúvida que ela cuidaria pra que eu pensasse isso, só pra me chatear. Mas estando ainda aqui, eu vi o por trás dos bastidores, vi minha sogra descontente armando tudo pra estragar, vi um bolo caro se espatifando no chão, vi uma Vitória frustrada gritando furiosa com a mãe na sala da casa que nunca a perdoará por destruir seu casamento.

É, o mundo deu voltas. Não que eu esteja feliz. Só estou satisfeita e me sinto vingada. Sinto que agora sim o círculo realmente se fechou e posso descansar em paz. As lágrimas que derramei por causa da minha cunhada foram vingadas. E agora sinto que já posso deixa-la ir.
E.... quanto a mim, estou ótima. É o que tenho a dizer. Não só por isso, mas por várias outras pequenas coisas. Como eu disse no começo deste quilométrico texto, fiz vinte e sete anos no dia 14 de fevereiro. Recebi os parabéns e várias homenagens de todos os meus amigos e familiares, inclusive da minha mãe Suzana e minha irmã Dianne. Fiquei muito feliz. Ganhei o  meu primeiro estojinho de maquiagem do Henrique e me comprei um livro legal.  :) 
Também comecei o meu tão sonhado curso de corte e costura pra aprender a fazer minhas próprias roupas e desenhar minhas coleções e semana que vem vou entrar pra academia, vou começar na terapia e os meus planos de retomar meus trabalhos com as gravações dos meus cds de OSTs de games estão dando certo. Sem falar que estou muito feliz porque, nesse mês, o meu cabelo passou a bater na cintura, fazendo também dar certo meu sonho infantil de finalmente ter os cabelos compridos. E de quebra, estou achando que esse ano eu finalmente serei mamãe, porque desde de Dezembro tudo vem indicando que estou grávida. É verdade que só terei a certeza na sexta-feira, mas até lá ando muito apreensiva.
Como pode ver, os ventos mudaram e agora sopram em minhas velas. Minha sorte vem mudando muito e estou adorando isso tudo. Estou muito feliz, mais leve, tranquila. Agora finalmente volto a sorrir e a planejar com calma as coisas da minha vida.
Bom, por enquanto eu vou ficando por aqui, mas prometo lhe manter informado sobre tudo, diário. Hoje eu escrevi um bocado, mas há muito mais que eu preciso te contar.

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