sexta-feira, 11 de abril de 2014

Uma conversa sincera entre nós.

Sexta-feira, 11 de Abril de 2014.
- 20:22 da noite.

Querido diário:
Ontem eu chamei o Henrique para conversar, e falei exatamente tudo o que te escrevi terça-feira, sobre como eu percebi que um dos piores erros que eu cometi na vida foi o de ter confiado na opinião dele, que eu mal conhecia na época, e deixar com que isso alterasse o que eu pensava da minha própria família e mudasse a minha forma natural de agir com eles. E para o meu assustar ou minha felicidade – ainda não sei dizer – ele concordou com cada palavra que eu lhe disse e ainda revelou que sente e pensa exatamente a mesma coisa.

Quer dizer: o Henrique, que pela primeira vez aceitou essa conversa melhor que qualquer outra que já tivemos, me confessou: que quando começamos a namorar pela internet e fizemos planos de nos encontrar e ficar juntos, ele também cometeu seu erro particular. E não foi aquele – que por sinal até admitiu – em que me persuadiu a sair de casa ao invés de tentar resolver as coisas com minha família. Ele disse que ele era outro sozinho e carente que se escondia de tudo e todos por vergonha que sentia do seu excesso de peso. Ficara animado com a atenção que eu prestava à ele, e quando eu lhe disse que estava apaixonada, vibrou tanto com a possibilidade de ter finalmente a primeira namorada que não mediu metade das coisas que poderiam acontecer e alterar para levar a diante tal propósito. Ele disse que olhando para tudo hoje e as coisas que aconteceram, entende tristemente o quão imaturo e louco foi em colocar em jogo tanta coisa. Viu, como eu vi, tarde demais, o tamanho da irresponsabilidade de nós dois. Também admitiu que foi um erro. Éramos muito novos e inexperientes, sozinhos, carentes e loucos por alguém que preenchesse nossos vazios. E o que aconteceu foi que encontramos um ao outro, e, se for olhar bem, agimos pelo momento, por nossas mágoas interiores e pelo desespero de fugir pra longe de tudo que nos machucava na época. Era uma coisa muito forte, de momento, mas que mudou tudo nas nossas vidas e na das pessoas que estavam a nossa volta, nas das nossas famílias. E ele ainda falou uma coisa muito engraçada com a qual eu devo concordar: talvez nós dois nem estivéssemos realmente apaixonados um pelo outro. Talvez apenas tenhamos gostado da atenção que demos e recebemos, dos momentos de amizade e das coisas que descobrimos em comum, e confundimos tudo isso com paixão, com amor, um amor que se acabou tão facilmente com a primeira intriga que a irmã dele criou e com a primeira mentira que ele contou.

E agora estamos aqui, diário, e passando por tanta coisa. Na verdade passamos por incontáveis turbulências em nossa relação. Passamos pelo ninho de intrigas criadas por terceiros. Mudamos coisas em nossas vidas, saímos feridos. E pra piorar, ninguém está contente. Quando colocamos em mesa sugestões de como podemos agora resolver isso entre a gente, apareceram duas opções completamente encaixáveis à situação: Ou a gente encerra de onde estamos enquanto ainda nenhum compromisso forte nos obriga a ficar junto (como filhos e casamento, por exemplo) aí eu volto para Minas Gerais, e ele, óbvio, fica aqui em Timon, ou a gente tenta aprender a se amar e a namorar de verdade. Afinal, parece brincadeira, mas essa confusão toda nos mantém juntos já faz sete anos, a gente se conhece até mais que bem e, por mais que eu não goste de admitir, isso é uma união estável.

O Henrique, como era de se esperar, optou pela opção de continuarmos e tentar. Mas eu, diário, sendo muito sincera, preferia a primeira.
Se for dizer o porquê, não acho ou sinto que continuar isto como está seja a coisa certa a escolher, principalmente se eu for considerar como eu me sinto vivendo aqui onde estou e como estou depois de toda a pressão que recebida minha sogra. Além do mais, tem o Henrique. Ele não é nada do que eu quero em um homem para mim, e sendo mais sincera ainda, não acho que um dia ele será. Eu gosto muito dele. De verdade. Como amigo, é ótimo, mas confesso que não tenho coragem de me casar com uma pessoa por quem não alimento outro sentimento além do de posse, o mesmo que me provoca a satisfação por saber que ele está do meu lado e não ao lado da minha cunhada, que por sua vez sempre disfarça o tamanho da falta que sente dele e por quem sempre ei de alimentar essa rixa, essa raiva, por não conseguir perdoá-la pelas coisas que fez. 
Pelo menos eu consigo admitir isso, então, é por isso que eu não queria continuar. Da minha parte não é sincero. 

E, sabe, ele também me confessou que já não me ama mais como antes, faz tempo, e quando eu perguntei por que então ainda inceste que fiquemos juntos, ele disse que alguma coisa o faz acreditar que se realmente tentarmos, se realmente quisermos e se nós nos afastarmos de tudo o que ajudou a causar o nosso desgaste, nós poderemos realmente nos amar e nos gostar de verdade.
Sinceramente, não sei o que dizer. Eu não concordei e nem discordei com nada. Pode ser que ele tenha razão. Mas pode ser que eu também tenha e possa vir a me arrepender se concordar com ele, mais uma vez. Encerrar tudo isso pra nunca mais, seria a chance que eu tanto queria de fazer as coisas – ou pelo menos uma parte delas – voltarem a ser como eram antes de eu entrar nesse redemoinho de problemas, pois desde que pisei na casa do Henrique eles nunca tiveram fim.
Mas também, por outro lado, eu teria de ficar sozinha. Admito que acostumei à ele, à presença dele. Começar uma vida a dois é sempre muito mais fácil que sozinho. Admito tenho esse outro medo que é o de me separar, ficar sozinha e descobrir mais tarde que fiz errado. Mas também estou cansada dele, diário.
Não sei, não sei o que fazer. Sinceramente não sei. Apesar de que tenho urgência em ver isso resolvido para finalmente dar seguimento à minha vida, por enquanto, acho que vou deixar rolar.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Descobri que o erro está no modo COMO comecei o que estou vivendo na minha vida hoje. O que veio depois são consequências.

Terça-feira, 08 de Abril de 2014.
- 17:08 da tarde. 

Querido diário: 
Hoje já é dia 8 de Abril. A última vez que eu escrevi aqui foi ainda no dia 29 do mês de março, quando desabafei o quanto eu estava chateada por minha irmã não estar respondendo aos meus recados. Depois disso eu passei o restante dos dias sem escrever. Por causa do assunto da minha irmã e de outros mais que vinham acontecendo, eu fiquei um pouco mais triste do que eu gostaria e senti que precisava desvairar sozinha um pouco dessa melancolia toda, reorganizar as ideias para não ficar tão chata – porque quando triste, eu sei que viro uma criatura difícil de aguentar, rs.
Quem me conhece sabe que eu sempre gosto de me manter o mais positiva possível, mas às vezes é difícil não se deixar abater quando há tanta coisa não boa acontecendo ao mesmo tempo na vida, principalmente quando são coisas que já se arrastam por anos.
Pondo um pouco de lado os problemas que eu já vinha queixando nos dias anteriores – a minha irmã e também histórias da minha cunhada chata -, há também outro fato que ultimamente tem me deixado bastante magoada: o meu namorado Henrique e a nossa relação desgastada.  =/

Ultimamente nós não estamos mais nos dando tão bem como deveríamos. Temos discutido muito e nos afastamos um bocado um do outro. Na verdade acho que todo esse desentendimento começou desde que certas ideias nossas começaram a se chocar perigosamente, e eu passei a perceber e a me incomodar por estar sempre fazendo a vontade do Henrique em tudo. 
E quer um bom exemplo disso? Por causa dele e do suposto amor que começo a questionar se ainda sinto, faz 5 anos que abro mão da sensata ideia de voltar a viver na minha cidade natal em Minas Gerais, onde eu sei que estaria bem melhor perto de amigos e família, só pra ficar ao lado dele, numa cidadezinha pequena e esquecida por Deus no interior do Maranhão que não tem nem cinema ou escola, só porque é confortável para ele, que tem medo de mudanças...
Entendeu como é a coisa?
Pois é. E o pior é que isso ele não enxerga. Só sabe discutir comigo quando exponho uma vontade contrária à dele, quando me demonstro impaciente com algo que quero logo. Ele me chama de egoísta e ingrata. E eu, inconformada e me sentindo desamparada, grito, choro, argumento e falo que vou embora, choro mais um pouco. Quando não, a discussão toma proporções estranhas e fica sem sentido, trás de volta assuntos antigos e problemas mal resolvidos entre nós pra depois terminar em choro da minha parte, em beijos de desculpas e promessas de uma melhora, da dele. No dia seguinte tudo fica como se a discussão nunca houvesse existido. A mudança prometida também nunca aparece. =/
Cansada disso, desse circulo vicioso que nunca muda, me pergunto as vezes: por que será que isso nunca muda? Será que é assim em todo namoro ou só no meu? Por que é que não consigo resolver? O que é que falta ou, o que é que me atrapalha de realmente e finalmente por um ponto final em tudo de uma vez?
Foi aí que eu tive uma espécie de revelação cósmica, rs. Recebi a resposta para todas essas perguntas de uma só vez e de uma maneira bem inusitada. E é sobre isso que quero escrever hoje, diário, para lhe contar sobre essa nova percepção que pode me ajudar a resolver muita coisa sobre minha vida.

A tal maneira inusitada foi durante um momento dos mais improváveis, enquanto eu fazia a nada animada e entediante tarefa de secar a varanda do meu quarto que se enchera de água suja depois da chuva de uma noite antes. Reparei que, enquanto eu tirava baldes e mais baldes pesados daquela água suja, mais eu estava sendo atrapalhada pelas roupas do Henrique que estavam no varal à cima de mim e batiam o tempo todo no meu rosto. Eu tanto havia pedido para ele mais cedo as tirar de lá, mas como sempre acontece com tudo que eu peço a ele, o pedido entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Irritada, dei um murro com violência nas camisas dele, e brava por causa de outras coisas mais que vinha acontecendo entre a gente desde os dias anteriores, gritei: “Esse Henrique e tudo o que é dele está sempre na minha frente atrapalhando o meu caminho”.                            
Eu sei, diário, que muita gente não entenderia da forma como eu entendi na mesma hora, mas aquelas palavras cheias de raiva moveram mecanismos na minha cabeça, e agora enxergo coisas que antes eu não percebia a respeito do tudo o que eu tenho enfrentado nos dias de hoje com o Henrique desde que saí expulsa da minha casa. 
Sabe, foi como um clarão ofuscante. De repente percebi muita coisa. De repente eu compreendi que aquela não era a primeira vez que surgia a ideia de que o Henrique me atrapalha em algumas coisas na minha vida. De repente eu percebi que, desde o comecinho quando o nosso namoro ainda era só pela internet sem antes ter nos conhecido, a pessoa quem mais me atrapalhou em questões importantes da minha vida foi o meu próprio namorado Henrique.

Nos anos de 2007, 2008 e 2009, quando eu ainda morava com a minha família e tinha a minha vida em Minas Gerais, e também já namorava o Henrique pela internet, logo ali eu percebia – mas sempre não dando muita importância -, que ele me atrapalhava de seguir em frente porque queria que eu fizesse as coisas do jeito dele. O que eu chamo de “seguir em frente” é trabalhar, ou cursar uma faculdade fora da minha cidade. Na época eu estava estudando para um concurso para trabalhar em um banco na cidade de Varginha. Pra isso eu teria que deixar Poços de Caldas, mas Henrique já enxergou que essa manobra impediria de a gente se conhecer um dia. Nisso, eu fiz a vontade dele: eu não prestei o concurso. Fiquei em Poços de Caldas a sua espera, a espera do grande dia em que viria me buscar.
Dia este que NUNCA chegou.
E não foi só aí que me atrapalhou: Como eu passava muitos problemas de relacionamento com a minha família, eu contava pra ele meu drama e todas as histórias do que acontecia dentro da minha casa. Eu lhe falava do quanto me sentia sozinha e das diferenças que havia entre meus irmãos e eu.  Contei pra ele que me irmão Peterson, na época, não estava falando comigo fazia um ano, e falei também de outras coisas que me chateavam diariamente e que nunca davam sinal de que um dia iriam parar. Tudo o que o Henrique fez diante disso foi muito falar até me convencer de que, se minha família agia assim comigo, era porque eles eram pessoas ruins que não me amavam de verdade, e que a única forma que ele via para o meu sofrimento acabar era eu sair de casa para ir viver com ele no Maranhão.

Nisso fixou-se então um único propósito em meu teimoso e carente coração que me manteve determinada dentro da minha casa por dois anos inteiros: de alguma forma eu tinha que ir embora para o Maranhão, e não importava se eu conhecia o Henrique ou não, se era perigoso ou não, se era arriscado ou não. Como eu estava com a cabeça muito fraca, a raiva e a magoa a me transformar e cegar, acabei fazendo muita besteira na minha casa, não dei valor a nada e nem ninguém. E por isso, é óbvio, hoje eu sofro muito. Vim parar na atual situação a qual estou vivendo ao lado do Henrique do outro lado do país, sozinha, já tem cinco anos e separada da minha família, que agora, aparentemente, não consegue me perdoar. E pior: o Henrique que tanto falou que me ajudaria e me protegeria no lugar da minha família não é o mesmo Henrique que aqui eu encontrei. O Henrique que está ao meu lado se revelou um egoísta imaturo e oportunista, que só se importa com seus jogos de computador. Um alguém que não liga muito para compromissos, que não tem coragem de mudar qualquer coisa da sua vida e não sabe tomar decisões por si só, que precisa e fica o tempo todo na saia da mãe e não toma dianteira de nada. Sem falar que é um verdadeiro comodista, que mentiu pra mim sobre tudo e não pôde me proteger nem da própria mãe ou da ciumenta irmãzinha bastarda quando estas começaram a me fazer mal. 

Faz cinco anos que estou presa a esta situação. Valeu a pena? “Não” é sempre a resposta que dou para os poucos que me perguntam isso. Nunca consigo dizer mais que isso. Precisei estar aqui pra descobrir tardiamente o valor que a minha família tinha, ou para descobri como era de verdade a "Timon que aparecia nos meus sonhos". Precisei estar aqui para ver o que havia por trás do Henrique por quem eu era apaixonada e por trás da sorridente irmã dele que sempre se mostrou minha “amiga” na internet; o que havia por trás daqueles amigos deles que se mostravam – só se mostravam - empolgados pra me conhecerem ou da sogra que, antes de me ver pessoalmente se mostrava tão amável. Eles nunca existiram, e, bem, e o que eu descobri nestes dias ao pensar em tudo isso foi realmente perceber que, se Henrique não tivesse persuadido tanto minha cabeça lá naquele comecinho, agindo de forma egoísta tentando me trazer para o seu lado ao invés de me aconselhar a promover a paz entre eu e minha família, quem sabe eu teria dado a sorte de nunca ter entrado na vida dele, da minha cunhada, da minha sogra e de todo o resto. Ele sempre alega que me trouxe para o seu lado porque não aguentava mais me ver sendo magoada todos os dias. Mas eu sei, e ele também sabe, que ele poderia ter me aconselhado diferente, visto que eu era a pessoa sem condições de ajudar a si própria, ir para a casa dele não era exatamente a única solução disponível, e nós dois sabemos o quanto foi mais prejudicial eu aqui no meio deles, do que se eu tivesse ficado lá em Minas, onde era o meu lugar. 

Em parte admito a minha culpa. Apesar de que eu estava muito sensível e carente, precisando de atenção, apoio e com a cabeça fraca, eu podia pelo menos ter tentado ser menos persuadida. E hoje, só Deus sabe o quanto me arrependo todos os dias quando me levanto e bato o olho nesse lamentável lugar que não é meu lar, por ter dado tanto ouvidos ao Henrique. Paguei um preço caro. Perdi minha família. Estraguei a família do Henrique. E hoje estou sem rumo, sozinha, muito cansada e tateando tudo às cegas. 
Sabe diário, acho que vou contar para o Henrique sobre toda essa nova percepção, apesar de que sei que ele não falará muita coisa além de que essa é mais uma desculpa minha para querer me separar dele. De nós dois, ele é quem mais reluta uma separação. Às vezes acho que nem mais me ama, mas insiste em me manter do seu lado por estar acomodado a esta zona de conforto.
Mas bem, diferente dele eu estou cansada da situação assim, diário, quero resolver e sair disso, principalmente agora que compreendi estes detalhes tão importantes: que eu só estou nisso porque lá no comecinho do meu namoro com o Henrique pela internet, caí na besteira de deixa-lo persuadir minha cabeça fraca contra a minha família – que, aliás, podia nem estar fazendo comigo o tudo que eu achava que estavam -, e que foi aí que cometi o pior erro da minha vida. Tudo isso foi culpa de nós dois, muito mais minha. E para ser mais sincera, também percebi que o problema de eu não estar bem hoje nunca esteve nas mãos de terceiros, ou seja, nas maldades que minha sogra fez pra mim durante muito tempo, ou nas armações da minha cunhada ciumenta para me mandar embora, ou até mesmo na cidade de Timon por ser um lugar pobre e não atender em tudo que eu quero. Compreendi que todos estes elementos – sogra, cunhada e a cidade de Timon -, sempre existiram antes mesmo de eu sonhar em cruzar seus caminhos, eram problemáticos em si sem precisarem de mim pra isso. Tais elementos só se transformaram em consequências não boas na minha vida pelo erro cometido por mim e pelo Henrique, que me levou até eles.

Ter pensado nisso tudo, coisas tão antigas quando se tem que olhar pra frente, pode até parecer uma besteira pra quem não entende. Mas para mim era tudo o que eu precisava pro momento. Agora que eu mesma alcancei a compreensão de todas estas coisas posso de fato parar de me sentir vítima de todas estas pessoas.. Vou agora me empenhar na maneira mais inteligente de descobrir como consertar isso tudo. Porque consertando, eu saio disso. E quando eu finalmente conseguir, será o dia mais feliz de minha vida.


 

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