sexta-feira, 1 de agosto de 2014

sábado, 10 de maio de 2014

Infelizmente a minha cunhada voltou para casa, mas não tenho muito o que sentir sobre isso...

Sábado, 10 de maio de 2014. Timon. 
- 21:14 da noite.

 Querido diário: ....


 ... Hoje o dia foi um pouco ...estranho, porque uma das coisas de que eu menos gostaria que tivesse acontecido, aconteceu: minha cunhada voltou a morar aqui. =/ 
Mas sinceramente eu não estou com um pingo de vontade de falar ou comentar qualquer coisa sobre isso. Na verdade eu não estou sentindo nada. Incomodada por saber que ela está aqui ao lado, admito, mas, fora isso, confesso que estou mais é com vontade de ignorá-la por completo.
Sabe diário, só pelo fato de que vi minha cunhada pagar com tantos infortúnios e desgostos nesse casamento toda a maldade que me fez por anos, já está de bom tamanho. E agora que ela voltou como uma tola fracassada pra vida de que tanto desgostava ao lado da mãe controladora, e ferrou também com a toda juventude e com as chances de ser alguma coisa na vida só porque engravidou com 19 anos e tá sozinha, sem dinheiro e sem emprego, eu sei que ela vai pagar ainda mais e quero mesmo é que ela se lasque e se acabe de vez tendo que correr sozinha e cuidar de criança.  u.u


terça-feira, 6 de maio de 2014

A minha decisão de melhorar.

Terça-feira, 06 de maio de 2014. Timon.
14:04 da tarde. 

Querido diário:
O mês de maio chegou trazendo consigo os ventos da (RE)novação, uma promessa gostosa e leve que me deixou bastante inspirada...
E sabe pra quê? Pra finalmente resolver e esquecer tantas questões e sentimentos que andaram fazendo dos meus últimos dias um mar de lamúria.
Às vezes acho que esse é exatamente o meu problema: pensar demais. Ficar presa em casos antigos mastigando infinitas aflições, colocando demasiadas reticências em histórias onde já deveriam existir o ponto final.
Admito, que por eu estar a tanto tempo aqui em Timon, sempre tão sozinha e ociosa, e na maioria das vezes sempre tomada por tristezas e ansiedade, acabo pensando no que não deveria e me entregando a tais martírios nada saudáveis. Fico tentando encontrar uma solução e um “por quê” pra tudo o que acontece e não acontece em minha vida, e reabro mágoas desnecessárias que deveriam ser esquecidas - porque naturalmente, não resultam em mais nada, além de machucar. -_- 
Como resultado, acabo insuportável, depressiva, triste, repito as mesmas histórias e escrevo um monte de textos recheados de melancolia pesada e palavras cheias de revolta, rsrs.

Lástima... -_- 

Mas mesmo passando por tanta coisa nesses dias que se seguem, hoje eu me levantei decidida a vencer isso. Decidi por fim em cada uma das coisas que me impedem de seguir em frente e, ao invés de perder tanto tempo e energia remoendo o que já passou e não vai mais mudar, eu jurei a mim mesma que lutarei para encontrar resoluções para o que der e abandonar e esquecer aquilo que não dá mais.
A começar pela situação entre eu e meu namorado Henrique: 
* Nos últimos dias nós dois não estávamos muito bem. Vínhamos discutindo muito por coisas bobas e nos distanciando cada vez mais. Quando não aguentei mais a situação e o chamei para conversar, nós dois apontamos, numa conversa longa, alguns erros cometidos no início de nossa relação que possivelmente estavam nos levando a falta de afeto nos dias de hoje.
Eu abri o meu coração. Falei pra ele tudo o que eu sentia, e também falei que achava que no nível de desrespeito em que estávamos a única solução que eu via para os dois parar de sofrer era nos separar. Mas apesar de que ele concordou comigo em muitas questões, não achou que se nos separarmos depois de quase oito anos juntos seja a solução. Ele me convidou a tentar mais uma vez reacender aquele sentimento tão gostoso que tínhamos quando namorávamos ainda pela internet, e eu concordei em tentar, mesmo depois de saber da sua traição.
Semanas atrás, Henrique me confessou que era dele um perfil anônimo que descobri no facebook, e que também virou motivo de polêmica dentro da universidade onde ele trabalha. Na época disseram que alguém dentre os funcionários do local havia criado um perfil no facebook só para adicionar e xavecar as alunas que estudam lá. O meu namorado e um dos vigilantes da universidade eram os suspeitos, mas Henrique jurou pra mim pelo nome do pai dele que morreu que o perfil era de um dos vigias. Mas recentemente o próprio Henrique me confessou ser o dono do perfil e eu fiquei arrasada. No dia da sua confissão descarada nem consegui encontrar palavras dignas para descrever o quanto aquilo me machucou, mas não fiquei de toda surpresa. Eu já desconfiava que fosse do Henrique pelas inúmeras brechas mal contadas na história, e por dias eu não suportei nem ficar na sua companhia.
Só que os dias se passaram, nós conversarmos, conversarmos mais um pouco e conversarmos um pouco mais. Ele pediu perdão, explicou suas razões, e eu, depois de dias relutante a pensar no assunto, tomei uma decisão que me fez me sentir até muito bem: decidi que eu poria uma pedra em cima e recomeçaria com ele tudo outra vez. E digo que tem dado certo: Faz alguns dias que as coisas entre nós tem estado bem, não cem por cento, mas nossa amizade se renovou e nosso convívio também.

* Além disso havia também a questão da minha cunhada. Depois que engravidou e casou, a “peça” foi morar longe, e por dias, até o ar ficou mais leve por aqui. Mas já faz uma semana que ronda o fantasma da possibilidade de ela voltar, e Henrique e eu estamos muito apreensivos. Nenhum de nós dois a quer aqui em casa de novo. Minha sogra conta que o casamento da filha, que até agora durou dois meses, acabou, mas não é isso que se vê. Desconfio que minha sogra esteja tentando separar sua filha complicada do marido para trazê-la para cá outra vez, e apesar de que estou morrendo de medo disso acontecer, eu sei que ela, a minha cunhada, também não quer ficar aqui pela mesma razão que eu não a quero por perto.
A verdade é que nós duas não nos suportamos. Mesmo depois de termos nos pedido desculpas e eu a ter ajudado algumas vezes, mesmo assim eu não gosto dela, e sei que ela também não gosta de mim. Entre nós sempre existirá essa disputa de lugar, de popularidade, de carisma, pra saber quem é a mais bonita ou qual das duas é a mais feliz. Sempre haverá essa disputa pela atenção do Henrique e dos outros, porque ela se importa tanto comigo quanto eu com ela. Então é melhor que uma fique longe da outra até que eu um dia consiga voltar pra Minas. Porque a verdade é essa, diário: eu nunca irei gostar da minha cunhada de verdade.

* A questão da minha irmã e minha família já é mais delicada. Sei que vai levar alguma dedicação e tempo para recuperá-los como família e isso não é o que poderei resolver aqui, estando ainda na triste Timon e tão longe deles. É por isso que sinto urgência em voltar para Minas, mas não está tão fácil quanto eu gostaria. Na verdade, diário, temo não conseguir voltar pra Minas ainda esse ano. A ideia às vezes me desespera, mas sei que não posso perder o foco e as estribeiras, rs.
Mas da mesma forma que decidi lutar para achar soluções para as minhas questões ao invés de remoê-las, vou encontrar uma forma de sair daqui. Eu sei. Na vida existe uma forma pra tudo, e da mesma forma que um dia achei impossível vir até o Maranhão conhecer o Henrique, eu sei que ainda vou sair desse lugar maldito. -_- 
Por isso, estou retomando meus sonhos e mandando o espírito do negativismo pra longe!
Estou engolindo meu orgulho e tirando a farda da vítima incapacitada para vestir a da garota corajosa e determinada que sempre fui.
Se eu preciso de uma nova vida para melhorar, vou então em busca dela. Só não posso deixar que questões pequenas me abatam. Levantei determinada a isso.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Maio chegou!

Timon, quinta-feira, dia 01 de Maio de 2014. 
- 16:45 da tarde.

E ele chegou!  
Seja muito bem vindo mês de Maio! :-D… que vc me devolva possíveis sonhos roubados, que me traga positividade e força pra continuar correndo atrás dos meus objetivos, que me encha de surpresas boas , que não me falte coragem e claro, que tenha momentos de dificuldades mais que sejam superadas da melhor forma possível,que me traga amadurecimento e amor, muito, mas muuuuuito amor!!! ♥ ♥

Feliz Maio. =) 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Uma conversa sincera entre nós.

Sexta-feira, 11 de Abril de 2014.
- 20:22 da noite.

Querido diário:
Ontem eu chamei o Henrique para conversar, e falei exatamente tudo o que te escrevi terça-feira, sobre como eu percebi que um dos piores erros que eu cometi na vida foi o de ter confiado na opinião dele, que eu mal conhecia na época, e deixar com que isso alterasse o que eu pensava da minha própria família e mudasse a minha forma natural de agir com eles. E para o meu assustar ou minha felicidade – ainda não sei dizer – ele concordou com cada palavra que eu lhe disse e ainda revelou que sente e pensa exatamente a mesma coisa.

Quer dizer: o Henrique, que pela primeira vez aceitou essa conversa melhor que qualquer outra que já tivemos, me confessou: que quando começamos a namorar pela internet e fizemos planos de nos encontrar e ficar juntos, ele também cometeu seu erro particular. E não foi aquele – que por sinal até admitiu – em que me persuadiu a sair de casa ao invés de tentar resolver as coisas com minha família. Ele disse que ele era outro sozinho e carente que se escondia de tudo e todos por vergonha que sentia do seu excesso de peso. Ficara animado com a atenção que eu prestava à ele, e quando eu lhe disse que estava apaixonada, vibrou tanto com a possibilidade de ter finalmente a primeira namorada que não mediu metade das coisas que poderiam acontecer e alterar para levar a diante tal propósito. Ele disse que olhando para tudo hoje e as coisas que aconteceram, entende tristemente o quão imaturo e louco foi em colocar em jogo tanta coisa. Viu, como eu vi, tarde demais, o tamanho da irresponsabilidade de nós dois. Também admitiu que foi um erro. Éramos muito novos e inexperientes, sozinhos, carentes e loucos por alguém que preenchesse nossos vazios. E o que aconteceu foi que encontramos um ao outro, e, se for olhar bem, agimos pelo momento, por nossas mágoas interiores e pelo desespero de fugir pra longe de tudo que nos machucava na época. Era uma coisa muito forte, de momento, mas que mudou tudo nas nossas vidas e na das pessoas que estavam a nossa volta, nas das nossas famílias. E ele ainda falou uma coisa muito engraçada com a qual eu devo concordar: talvez nós dois nem estivéssemos realmente apaixonados um pelo outro. Talvez apenas tenhamos gostado da atenção que demos e recebemos, dos momentos de amizade e das coisas que descobrimos em comum, e confundimos tudo isso com paixão, com amor, um amor que se acabou tão facilmente com a primeira intriga que a irmã dele criou e com a primeira mentira que ele contou.

E agora estamos aqui, diário, e passando por tanta coisa. Na verdade passamos por incontáveis turbulências em nossa relação. Passamos pelo ninho de intrigas criadas por terceiros. Mudamos coisas em nossas vidas, saímos feridos. E pra piorar, ninguém está contente. Quando colocamos em mesa sugestões de como podemos agora resolver isso entre a gente, apareceram duas opções completamente encaixáveis à situação: Ou a gente encerra de onde estamos enquanto ainda nenhum compromisso forte nos obriga a ficar junto (como filhos e casamento, por exemplo) aí eu volto para Minas Gerais, e ele, óbvio, fica aqui em Timon, ou a gente tenta aprender a se amar e a namorar de verdade. Afinal, parece brincadeira, mas essa confusão toda nos mantém juntos já faz sete anos, a gente se conhece até mais que bem e, por mais que eu não goste de admitir, isso é uma união estável.

O Henrique, como era de se esperar, optou pela opção de continuarmos e tentar. Mas eu, diário, sendo muito sincera, preferia a primeira.
Se for dizer o porquê, não acho ou sinto que continuar isto como está seja a coisa certa a escolher, principalmente se eu for considerar como eu me sinto vivendo aqui onde estou e como estou depois de toda a pressão que recebida minha sogra. Além do mais, tem o Henrique. Ele não é nada do que eu quero em um homem para mim, e sendo mais sincera ainda, não acho que um dia ele será. Eu gosto muito dele. De verdade. Como amigo, é ótimo, mas confesso que não tenho coragem de me casar com uma pessoa por quem não alimento outro sentimento além do de posse, o mesmo que me provoca a satisfação por saber que ele está do meu lado e não ao lado da minha cunhada, que por sua vez sempre disfarça o tamanho da falta que sente dele e por quem sempre ei de alimentar essa rixa, essa raiva, por não conseguir perdoá-la pelas coisas que fez. 
Pelo menos eu consigo admitir isso, então, é por isso que eu não queria continuar. Da minha parte não é sincero. 

E, sabe, ele também me confessou que já não me ama mais como antes, faz tempo, e quando eu perguntei por que então ainda inceste que fiquemos juntos, ele disse que alguma coisa o faz acreditar que se realmente tentarmos, se realmente quisermos e se nós nos afastarmos de tudo o que ajudou a causar o nosso desgaste, nós poderemos realmente nos amar e nos gostar de verdade.
Sinceramente, não sei o que dizer. Eu não concordei e nem discordei com nada. Pode ser que ele tenha razão. Mas pode ser que eu também tenha e possa vir a me arrepender se concordar com ele, mais uma vez. Encerrar tudo isso pra nunca mais, seria a chance que eu tanto queria de fazer as coisas – ou pelo menos uma parte delas – voltarem a ser como eram antes de eu entrar nesse redemoinho de problemas, pois desde que pisei na casa do Henrique eles nunca tiveram fim.
Mas também, por outro lado, eu teria de ficar sozinha. Admito que acostumei à ele, à presença dele. Começar uma vida a dois é sempre muito mais fácil que sozinho. Admito tenho esse outro medo que é o de me separar, ficar sozinha e descobrir mais tarde que fiz errado. Mas também estou cansada dele, diário.
Não sei, não sei o que fazer. Sinceramente não sei. Apesar de que tenho urgência em ver isso resolvido para finalmente dar seguimento à minha vida, por enquanto, acho que vou deixar rolar.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Descobri que o erro está no modo COMO comecei o que estou vivendo na minha vida hoje. O que veio depois são consequências.

Terça-feira, 08 de Abril de 2014.
- 17:08 da tarde. 

Querido diário: 
Hoje já é dia 8 de Abril. A última vez que eu escrevi aqui foi ainda no dia 29 do mês de março, quando desabafei o quanto eu estava chateada por minha irmã não estar respondendo aos meus recados. Depois disso eu passei o restante dos dias sem escrever. Por causa do assunto da minha irmã e de outros mais que vinham acontecendo, eu fiquei um pouco mais triste do que eu gostaria e senti que precisava desvairar sozinha um pouco dessa melancolia toda, reorganizar as ideias para não ficar tão chata – porque quando triste, eu sei que viro uma criatura difícil de aguentar, rs.
Quem me conhece sabe que eu sempre gosto de me manter o mais positiva possível, mas às vezes é difícil não se deixar abater quando há tanta coisa não boa acontecendo ao mesmo tempo na vida, principalmente quando são coisas que já se arrastam por anos.
Pondo um pouco de lado os problemas que eu já vinha queixando nos dias anteriores – a minha irmã e também histórias da minha cunhada chata -, há também outro fato que ultimamente tem me deixado bastante magoada: o meu namorado Henrique e a nossa relação desgastada.  =/

Ultimamente nós não estamos mais nos dando tão bem como deveríamos. Temos discutido muito e nos afastamos um bocado um do outro. Na verdade acho que todo esse desentendimento começou desde que certas ideias nossas começaram a se chocar perigosamente, e eu passei a perceber e a me incomodar por estar sempre fazendo a vontade do Henrique em tudo. 
E quer um bom exemplo disso? Por causa dele e do suposto amor que começo a questionar se ainda sinto, faz 5 anos que abro mão da sensata ideia de voltar a viver na minha cidade natal em Minas Gerais, onde eu sei que estaria bem melhor perto de amigos e família, só pra ficar ao lado dele, numa cidadezinha pequena e esquecida por Deus no interior do Maranhão que não tem nem cinema ou escola, só porque é confortável para ele, que tem medo de mudanças...
Entendeu como é a coisa?
Pois é. E o pior é que isso ele não enxerga. Só sabe discutir comigo quando exponho uma vontade contrária à dele, quando me demonstro impaciente com algo que quero logo. Ele me chama de egoísta e ingrata. E eu, inconformada e me sentindo desamparada, grito, choro, argumento e falo que vou embora, choro mais um pouco. Quando não, a discussão toma proporções estranhas e fica sem sentido, trás de volta assuntos antigos e problemas mal resolvidos entre nós pra depois terminar em choro da minha parte, em beijos de desculpas e promessas de uma melhora, da dele. No dia seguinte tudo fica como se a discussão nunca houvesse existido. A mudança prometida também nunca aparece. =/
Cansada disso, desse circulo vicioso que nunca muda, me pergunto as vezes: por que será que isso nunca muda? Será que é assim em todo namoro ou só no meu? Por que é que não consigo resolver? O que é que falta ou, o que é que me atrapalha de realmente e finalmente por um ponto final em tudo de uma vez?
Foi aí que eu tive uma espécie de revelação cósmica, rs. Recebi a resposta para todas essas perguntas de uma só vez e de uma maneira bem inusitada. E é sobre isso que quero escrever hoje, diário, para lhe contar sobre essa nova percepção que pode me ajudar a resolver muita coisa sobre minha vida.

A tal maneira inusitada foi durante um momento dos mais improváveis, enquanto eu fazia a nada animada e entediante tarefa de secar a varanda do meu quarto que se enchera de água suja depois da chuva de uma noite antes. Reparei que, enquanto eu tirava baldes e mais baldes pesados daquela água suja, mais eu estava sendo atrapalhada pelas roupas do Henrique que estavam no varal à cima de mim e batiam o tempo todo no meu rosto. Eu tanto havia pedido para ele mais cedo as tirar de lá, mas como sempre acontece com tudo que eu peço a ele, o pedido entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Irritada, dei um murro com violência nas camisas dele, e brava por causa de outras coisas mais que vinha acontecendo entre a gente desde os dias anteriores, gritei: “Esse Henrique e tudo o que é dele está sempre na minha frente atrapalhando o meu caminho”.                            
Eu sei, diário, que muita gente não entenderia da forma como eu entendi na mesma hora, mas aquelas palavras cheias de raiva moveram mecanismos na minha cabeça, e agora enxergo coisas que antes eu não percebia a respeito do tudo o que eu tenho enfrentado nos dias de hoje com o Henrique desde que saí expulsa da minha casa. 
Sabe, foi como um clarão ofuscante. De repente percebi muita coisa. De repente eu compreendi que aquela não era a primeira vez que surgia a ideia de que o Henrique me atrapalha em algumas coisas na minha vida. De repente eu percebi que, desde o comecinho quando o nosso namoro ainda era só pela internet sem antes ter nos conhecido, a pessoa quem mais me atrapalhou em questões importantes da minha vida foi o meu próprio namorado Henrique.

Nos anos de 2007, 2008 e 2009, quando eu ainda morava com a minha família e tinha a minha vida em Minas Gerais, e também já namorava o Henrique pela internet, logo ali eu percebia – mas sempre não dando muita importância -, que ele me atrapalhava de seguir em frente porque queria que eu fizesse as coisas do jeito dele. O que eu chamo de “seguir em frente” é trabalhar, ou cursar uma faculdade fora da minha cidade. Na época eu estava estudando para um concurso para trabalhar em um banco na cidade de Varginha. Pra isso eu teria que deixar Poços de Caldas, mas Henrique já enxergou que essa manobra impediria de a gente se conhecer um dia. Nisso, eu fiz a vontade dele: eu não prestei o concurso. Fiquei em Poços de Caldas a sua espera, a espera do grande dia em que viria me buscar.
Dia este que NUNCA chegou.
E não foi só aí que me atrapalhou: Como eu passava muitos problemas de relacionamento com a minha família, eu contava pra ele meu drama e todas as histórias do que acontecia dentro da minha casa. Eu lhe falava do quanto me sentia sozinha e das diferenças que havia entre meus irmãos e eu.  Contei pra ele que me irmão Peterson, na época, não estava falando comigo fazia um ano, e falei também de outras coisas que me chateavam diariamente e que nunca davam sinal de que um dia iriam parar. Tudo o que o Henrique fez diante disso foi muito falar até me convencer de que, se minha família agia assim comigo, era porque eles eram pessoas ruins que não me amavam de verdade, e que a única forma que ele via para o meu sofrimento acabar era eu sair de casa para ir viver com ele no Maranhão.

Nisso fixou-se então um único propósito em meu teimoso e carente coração que me manteve determinada dentro da minha casa por dois anos inteiros: de alguma forma eu tinha que ir embora para o Maranhão, e não importava se eu conhecia o Henrique ou não, se era perigoso ou não, se era arriscado ou não. Como eu estava com a cabeça muito fraca, a raiva e a magoa a me transformar e cegar, acabei fazendo muita besteira na minha casa, não dei valor a nada e nem ninguém. E por isso, é óbvio, hoje eu sofro muito. Vim parar na atual situação a qual estou vivendo ao lado do Henrique do outro lado do país, sozinha, já tem cinco anos e separada da minha família, que agora, aparentemente, não consegue me perdoar. E pior: o Henrique que tanto falou que me ajudaria e me protegeria no lugar da minha família não é o mesmo Henrique que aqui eu encontrei. O Henrique que está ao meu lado se revelou um egoísta imaturo e oportunista, que só se importa com seus jogos de computador. Um alguém que não liga muito para compromissos, que não tem coragem de mudar qualquer coisa da sua vida e não sabe tomar decisões por si só, que precisa e fica o tempo todo na saia da mãe e não toma dianteira de nada. Sem falar que é um verdadeiro comodista, que mentiu pra mim sobre tudo e não pôde me proteger nem da própria mãe ou da ciumenta irmãzinha bastarda quando estas começaram a me fazer mal. 

Faz cinco anos que estou presa a esta situação. Valeu a pena? “Não” é sempre a resposta que dou para os poucos que me perguntam isso. Nunca consigo dizer mais que isso. Precisei estar aqui pra descobrir tardiamente o valor que a minha família tinha, ou para descobri como era de verdade a "Timon que aparecia nos meus sonhos". Precisei estar aqui para ver o que havia por trás do Henrique por quem eu era apaixonada e por trás da sorridente irmã dele que sempre se mostrou minha “amiga” na internet; o que havia por trás daqueles amigos deles que se mostravam – só se mostravam - empolgados pra me conhecerem ou da sogra que, antes de me ver pessoalmente se mostrava tão amável. Eles nunca existiram, e, bem, e o que eu descobri nestes dias ao pensar em tudo isso foi realmente perceber que, se Henrique não tivesse persuadido tanto minha cabeça lá naquele comecinho, agindo de forma egoísta tentando me trazer para o seu lado ao invés de me aconselhar a promover a paz entre eu e minha família, quem sabe eu teria dado a sorte de nunca ter entrado na vida dele, da minha cunhada, da minha sogra e de todo o resto. Ele sempre alega que me trouxe para o seu lado porque não aguentava mais me ver sendo magoada todos os dias. Mas eu sei, e ele também sabe, que ele poderia ter me aconselhado diferente, visto que eu era a pessoa sem condições de ajudar a si própria, ir para a casa dele não era exatamente a única solução disponível, e nós dois sabemos o quanto foi mais prejudicial eu aqui no meio deles, do que se eu tivesse ficado lá em Minas, onde era o meu lugar. 

Em parte admito a minha culpa. Apesar de que eu estava muito sensível e carente, precisando de atenção, apoio e com a cabeça fraca, eu podia pelo menos ter tentado ser menos persuadida. E hoje, só Deus sabe o quanto me arrependo todos os dias quando me levanto e bato o olho nesse lamentável lugar que não é meu lar, por ter dado tanto ouvidos ao Henrique. Paguei um preço caro. Perdi minha família. Estraguei a família do Henrique. E hoje estou sem rumo, sozinha, muito cansada e tateando tudo às cegas. 
Sabe diário, acho que vou contar para o Henrique sobre toda essa nova percepção, apesar de que sei que ele não falará muita coisa além de que essa é mais uma desculpa minha para querer me separar dele. De nós dois, ele é quem mais reluta uma separação. Às vezes acho que nem mais me ama, mas insiste em me manter do seu lado por estar acomodado a esta zona de conforto.
Mas bem, diferente dele eu estou cansada da situação assim, diário, quero resolver e sair disso, principalmente agora que compreendi estes detalhes tão importantes: que eu só estou nisso porque lá no comecinho do meu namoro com o Henrique pela internet, caí na besteira de deixa-lo persuadir minha cabeça fraca contra a minha família – que, aliás, podia nem estar fazendo comigo o tudo que eu achava que estavam -, e que foi aí que cometi o pior erro da minha vida. Tudo isso foi culpa de nós dois, muito mais minha. E para ser mais sincera, também percebi que o problema de eu não estar bem hoje nunca esteve nas mãos de terceiros, ou seja, nas maldades que minha sogra fez pra mim durante muito tempo, ou nas armações da minha cunhada ciumenta para me mandar embora, ou até mesmo na cidade de Timon por ser um lugar pobre e não atender em tudo que eu quero. Compreendi que todos estes elementos – sogra, cunhada e a cidade de Timon -, sempre existiram antes mesmo de eu sonhar em cruzar seus caminhos, eram problemáticos em si sem precisarem de mim pra isso. Tais elementos só se transformaram em consequências não boas na minha vida pelo erro cometido por mim e pelo Henrique, que me levou até eles.

Ter pensado nisso tudo, coisas tão antigas quando se tem que olhar pra frente, pode até parecer uma besteira pra quem não entende. Mas para mim era tudo o que eu precisava pro momento. Agora que eu mesma alcancei a compreensão de todas estas coisas posso de fato parar de me sentir vítima de todas estas pessoas.. Vou agora me empenhar na maneira mais inteligente de descobrir como consertar isso tudo. Porque consertando, eu saio disso. E quando eu finalmente conseguir, será o dia mais feliz de minha vida.


 

sábado, 29 de março de 2014

Talvez ela tenha me esquecido.

Sábado, 29 de Março de 2014
- 22:15 da noite. 

Querido diário:
Estou começando a achar que minha irmã não gosta mais de mim. Quero dizer: não acho que ela esteja tão ocupada que não possa parar para conversar comigo por cinco minutos, ou responder a um simples recado. Suspeito que eu tenha passado tanto tempo longe dela que ela tenha se esquecido dos laços fraternais que nos une. Ou então, que outras pessoas que estejam perto dela sejam tão mais importantes que eu que tenham tomado o meu lugar. 



sexta-feira, 28 de março de 2014

Ainda bem que é menina.

Sexta-feira, 28 de Março de 2014.
- 18:33. Fim de tarde. 

Querido diário:
Falando hoje de outro assunto, minha sogra contou que o bebê da minha cunhada que vai nascer é menina, e só Deus sabe o tamanho do alívio e satisfação que senti por saber disso: que é menina e não menino. Todo mundo por aqui sabe que minha sogra tem a visível e assumida preferência pelo filho Henrique com relação a irmã só porque ele é menino, e o fato me faz pensar que em se tratar dos futuros netos, pra minha sogra, não será diferente.
Quando eu achava que estava grávida, minha sogra disse ao Henrique que estava torcendo para o meu bebê ser menino. E a última coisa que eu queria que acontecesse era que o bebê da minha cunhada fosse também, pois só eu sei – e eu já podia até imaginar – o tamanho da frescura que iria ser a minha sogra com essa criança, e só eu sei até onde iria subir o ego inflamado da minha cunhada se soubesse disso. Com certeza iria tirar muito proveito da situação, talvez até forçar para que esse bebê homem fosse para a minha sogra mais importante que o Henrique. A minha cunhada sempre se ressentiu por não ser a filha preferida e sempre foi capaz de fazer qualquer coisa pra derrubar o irmão mais velho do posto.
Então, pelo bem – até mais do Henrique que meu-, e pela frágil harmonia que só foi pairar aqui porque minha cunhada se mudou, graças a Deus que o bebê dela é menina. 


quinta-feira, 27 de março de 2014

É nessa corda bamba...

 ... que eu ando que meu choro desata, me inunda e me faz parecer boba, sofredora, quando o espelho da memória me mostra o quão eu sou forte. É nessa tentativa de equilíbrio constante que eu caio, tantas e tantas vezes, umas rindo, outras xingando, mas querendo acertar. Nessa escuridão que as circunstâncias me apresentam, eu quero ser luz. Mas como ser brilho, se a opacidade dos outros me atinge? Será que me afetará para sempre? Será que ainda há mais força aqui dentro para lutar contra isso?
E me pergunto: Quando é que eu vou poder voltar para onde é meu lar me ver livre deste lugar e todas essas pessoas que me fazem mal? 
Quando será que a minha vida me vai acontecer?
Quando será que chegará o dia em que não precisarei mais chorar ou sentir saudades das pessoas que eu amo e estão tão longe de mim?
Quando será que eu finalmente verei todos os meus dilemas, problemas e angústia resolvidos? 

Não sei. Mas juro que eu queria saber. Mas, enquanto as páginas estão em branco e as respostas não me são dadas, eu vou andando, aqui, ali, sendo imbecil e apaixonada, sensível e reclusa, horas despencando horas centrada, seguindo meus passos, deixando rastros e esperando o meu dia vir.
Que um dia, ele chega. 

- M'ari B. 



Por que é tão difícil para ela se lembrar de mim?

Quinta-feira, 27 de Março de 2014.
- 18:46. Fim de tarde. 

Querido diário:
Como eu estava decidida a alcançar aquele apoio familiar do qual tanto preciso e do qual te falei ontem, mandei hoje um recado para a minha irmã, no facebook, mas como sempre ela não respondeu.
Eu queria entender por que ela é tão ruim em me dar um pouco de atenção. Queria saber por que é tão difícil para ela se lembrar de mim, da irmã dela que mora longe...


quarta-feira, 26 de março de 2014

Estou me sentindo perdida.

Quarta-feira, 26 de Março de 2014.
- 17:07 da tarde.

Querido diário:
Hoje estou me achando um pouco confusa. Estou precisando colocar a cabeça no lugar, mas não sei como fazê-lo. Também estou sentindo que preciso de apoio familiar para várias coisas, mas não sei como pedir à minha agora indiferente família. =/
Depois que eu os vi em outubro do ano passado, na viagem que fiz à Minas Gerais, depois também de ter passado cinco anos longe deles vivendo aqui no Maranhão, eu achei que eu havia conseguido quebrar a grande muralha de gelo que se ergueu entre nós. Achei que tinham ficado felizes e impressionados em ver o quanto mudei e que por isso não me deixariam mais tão abandonada, que me ajudariam. Mas aparentemente minha visita não deu muita diferença. Eles ainda são muito duros comigo.
Mas, bem, eu não estou triste, depressiva ou angustiada. Mas estou me sentindo desorientada, perdida e sozinha, estou precisando de ajuda para seguir e me organizar e organizar a minha vida e sentimentos. Mas não tenho de quem obter essa ajuda.  Deus sabe o tudo que eu daria em troca de ter pelo menos a minha avó por perto. Ela é sábia. Sempre tem as palavras certas para a hora certa. E entrementes, seria a melhor ajuda de que preciso no momento.


terça-feira, 25 de março de 2014

Voltando a escrever no diário.

Terça-feira, 25 de Março de 2014.
- 17:48. Fim de Tarde.

Querido diário:
E mais uma vez eu descumpri com a promessa que eu fiz a mim mesma de manter este meu abençoado diário virtual atualizado. Eu sei que no futuro irei me arrepender infinitamente disso, mas, tudo bem: a cá estou. Tive outros compromissos. Não aconteceu muita coisa nos últimos dias, e estou bem pelo menos – alias, bem até demais :D
Quer dizer: só ando novamente naquela onda de confusão e com a cabeça cheia de coisas, pensando em mil besteiras e mastigando infinitas aflições.
Mas, apesar disso, estou me sentindo um tanto engraçadinha hoje. Ando de muito bom humor, e não há uma razão aparente para isso, o que é o mais gostoso!
Ah! E tenho outra coisa pra dizer: Retiro o que eu disse sobre o fato de que eu deixaria de me importar com a minha cunhada agora que ela se casou e, graças ao meu bom Deus, foi morar longe daqui. Descobri essa semana que eu sempre vou me importar, sempre. Principalmente se ela não me deixa esquecê-la, e continua vindo a visitar a mãe todos os domingos... ¬¬

domingo, 9 de março de 2014

Não foi dessa vez.

Domingo, 09 de Março de 2014.
- 16:48 da tarde. 

Querido diário:
Ontem, e também sexta-feira, foram dias extremamente corridos. Nem tive tempo de me sentar e escrever pra te contar que recebi o resultado do exame   de gravidez. Deu negativo. E ainda vou confessar: por um lado me senti aliviada, porque sei que financeiramente falando ainda não é a hora e nem o lugar pra ser mãe. Mas por outro fiquei um pouquinho só decepcionada. Uma parte minha até esperava ler um "positivo". Uma pequena parte minha (uma pequeníssima parte mais madura que luta pra dominar o meu persistente lado menina), realmente queria, mesmo que sem admitir, ter podido realizar agora meu desejo secreto de ser mãe. :| 

Mas agora me sinto um pouco preocupada. A médica desconfia que os sintomas que me levaram a pensar que estava grávida foram causados por um cisto que aparentemente é o que vem me impedindo de engravidar de verdade, e por isso me pediu para consultar um ginecologista urgente. 
Achei ótimo, só porque "adoro" fazer exames. Ainda mais ginecológicos: os terríveis, malditos e constrangedores exames ginecológicos dos quais sempre fugi. ¬¬
Mas fazer o quê, parece que dessa vez não tenho escolha. Para o meu desanimar eu não sou mais aquela menininha que bate o pé emburrada pra não ir ao médico e que a mãe acaba levando arrastada do mesmo modo. E além do mais, só Deus sabe o quanto já negligenciei detalhes importantes sobre a minha saúde. Então, pra minha infelicidade, dessa vez não vai ter outro jeito.  u.u
 

segunda-feira, 3 de março de 2014

E hoje, quase 1 mês depois....

Segunda-feira, 03 de Março de 2014.
- 14:18 da tarde. 

Querido diário:
Hoje é segunda-feira, dia 3. Já estamos no mês de Março, e eu estive há quase um mês sem vir aqui. Mas, em compensação, eu trouxe uma novidade sobre a minha cunhada pra compartilhar com você – novidade esta, inclusive, que me ajudou a melhorar.

Pra começar, o antes tão comentado, apressado e também turbulento casamento da minha cunhada que aconteceu bem no dia do meu aniversário (marcado propositalmente, eu até hoje desconfio), virou a piada do ano. Pelo o que eu soube através de uma vizinha e também por minha sogra que não deixou escapar um só detalhe, metade dos convidados previstos não foram. E parece que uma prima da família acabou por fazer a indelicadeza de derrubar o bolo de andares que custara fortunas, no chão. Imagino que a minha cunhada tenha ficado louca, e não só com essa prima que nunca participara de sua vida antes e, na única vez que marca presença, comete uma gafe dessas, mas também com a minha sogra, que convidara a tal desajeitada.
Por falar na sogra, ela e a filha trocaram farpadas até no dia que era pra ser o mais importante para elas. A raiva da Vitoria contra a mãe era notória, e bem o oposto do que eu estive o tempo todo imaginando, o casamento conturbado que só aconteceu para abafar o escândalo de uma gravidez antes da hora, mais estressou e desgostou a minha sogra do que alegrou, contou-me Henrique com as palavras da mãe dele, e a única vantagem que ela enxergou ao financiar e apressar o casamento da filha era que ela fosse embora logo de casa.
Eu estaria mentindo, diário, se não dissesse que estou feliz da vida por minha cunhada ter ido embora. Era praticamente um desejo, quase um sonho, me ver livre da presença dela, de tanto que ela criou e causou problemas por aqui. Para mim sempre foi insuportável a ideia consciente e inconsciente de ela morando aqui do lado, mesmo com nós duas nos dando bem, e agora finalmente, o que eu tanto queria aconteceu: Vitoria foi embora morar num bairro um pouco longe daqui, e é a primeira vez, desde que moro aqui, que me sinto um pouco - só um pouco mais - a vontade. Livre.

Mas, além dessa, há outra coisa que está me causando uma satisfação sem tamanho: o fato de que eu consegui que o Henrique não fosse ao casamento da minha cunhada. Todo mundo sabe o quanto a Vitoria aprontou pra mim nos cinco anos que morei na casa dela. Todo mundo sabe como ela fez a cabeça da minha sogra pra não deixar seu irmão se casar comigo no ano de 2010. Em cinco anos de páginas do meu diário estão escritas toda essa frustração. E ela tanto tentou que conseguiu. Minha sogra deu ouvidos às maldades dela. 
Por causa disso, nunca me casei, e certa vez eu jurei que quando chegasse o dia da Vitoria se casar, eu não iria deixar que ela tivesse a satisfação de ter o próprio irmão presente. Eu não o deixaria ajudá-la mais em qualquer coisa ou participar de sua vida.  Eu os separaria, porque eu sabia que o irmão era a pessoa que ela mais amava depois do pai que já faleceu. Eu sabia que a presença dele era mais importante até que a da mãe pra ela no casamento. Era ele quem entraria com ela na igreja. Minha sogra muito nos pediu para que fôssemos e para que Henrique entrasse com a irmã. Diante da notável apreensão dele, até à mim minha sogra intercedeu. Mas não cedi. Não mudei de ideia, mesmo notando que em algum lapso Henrique pareceu querer fazer a vontade da mãe de entrar com a Vitoria na igreja. Decidi que a minha dor era mais forte que a nobreza de deixar mágoas de lado e fazer um bem sem olhar a quem. Decidi que eu, apesar de inúmeras vezes traída e machucada por aquela imbecil, já havia aguentado o suficiente. Ela estava feliz, não estava? Já estava se casando e estava adorando me provocar com o fato que ela se vestira de branco e foi para o altar, e eu não, não é? Eu não precisava participar daquilo. E nem ia. Decidi que o Henrique também não. Me dei esse direito. E minha recusa definitiva ao convite foi claramente entendido pela minha sogra sem remorsos ou ameaças. 
E agora, como eu disse, nada pode me tirar essa e a outra satisfação de que, ao menos que venha visitar a minha sogra vez ou outra, eu não terei mais a minha cunhada por perto.

Sabe, diário, eu sei que relatando as coisas dessa forma fica parecendo que sou uma pessoa inclinada pra maldade, que gosto da desgraça dos outros ou sou a favor de vingança. Não é isso. Você sabe mais do que qualquer pessoa que possa achar que me conhece ou me entende bem, que reagi dessa forma por causa do meu coração há muito cansado, que aguentou por cinco anos as provocações infantis e venenosas dessa moleca má criada e invejosa. Que esperou pacientemente e entre lágrimas disfarçadas de sorriso, entre soluços abafados no travesseiro os dias de hoje para ver – finalmente ver- a justiça acontecer. Esses infortúnios com o casamento, minha sogra atrapalhando, o irmão ausente na cerimônia, tudo é reflexo do mesmo que aconteceu comigo voltando para a minha cunhada, que causou a maior parte das confusões; é só a vida (e eu) devolvendo à Vitoria o que ela mesma provocou. Antes tivesse ido pela amizade. E se mesmo assim não concordasse com as coisas, que tivesse ficado quieta, como eu. As pessoas colhem o que plantam, sempre tem o que merecem cedo ou tarde. A vez da minha cunhada, que antes se achava esperta por ter conseguido o que queria, chegou, e o mais legal é que eu fiquei aqui em Timon tempo suficiente para ver isso. 
Talvez seja por isso que meus planos de sair daqui logo sempre se rompiam. Eu tinha que estar aqui para ver isso. Se eu tivesse já ido pra Minas Gerais e de lá visse as fotos do casamento dela pelo facebook, provavelmente eu pensaria que ela tivera o casamento perfeito, e sem dúvida que ela cuidaria pra que eu pensasse isso, só pra me chatear. Mas estando ainda aqui, eu vi o por trás dos bastidores, vi minha sogra descontente armando tudo pra estragar, vi um bolo caro se espatifando no chão, vi uma Vitória frustrada gritando furiosa com a mãe na sala da casa que nunca a perdoará por destruir seu casamento.

É, o mundo deu voltas. Não que eu esteja feliz. Só estou satisfeita e me sinto vingada. Sinto que agora sim o círculo realmente se fechou e posso descansar em paz. As lágrimas que derramei por causa da minha cunhada foram vingadas. E agora sinto que já posso deixa-la ir.
E.... quanto a mim, estou ótima. É o que tenho a dizer. Não só por isso, mas por várias outras pequenas coisas. Como eu disse no começo deste quilométrico texto, fiz vinte e sete anos no dia 14 de fevereiro. Recebi os parabéns e várias homenagens de todos os meus amigos e familiares, inclusive da minha mãe Suzana e minha irmã Dianne. Fiquei muito feliz. Ganhei o  meu primeiro estojinho de maquiagem do Henrique e me comprei um livro legal.  :) 
Também comecei o meu tão sonhado curso de corte e costura pra aprender a fazer minhas próprias roupas e desenhar minhas coleções e semana que vem vou entrar pra academia, vou começar na terapia e os meus planos de retomar meus trabalhos com as gravações dos meus cds de OSTs de games estão dando certo. Sem falar que estou muito feliz porque, nesse mês, o meu cabelo passou a bater na cintura, fazendo também dar certo meu sonho infantil de finalmente ter os cabelos compridos. E de quebra, estou achando que esse ano eu finalmente serei mamãe, porque desde de Dezembro tudo vem indicando que estou grávida. É verdade que só terei a certeza na sexta-feira, mas até lá ando muito apreensiva.
Como pode ver, os ventos mudaram e agora sopram em minhas velas. Minha sorte vem mudando muito e estou adorando isso tudo. Estou muito feliz, mais leve, tranquila. Agora finalmente volto a sorrir e a planejar com calma as coisas da minha vida.
Bom, por enquanto eu vou ficando por aqui, mas prometo lhe manter informado sobre tudo, diário. Hoje eu escrevi um bocado, mas há muito mais que eu preciso te contar.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Hoje eu contei pra Deus tudo o que estou sentindo.

Sexta-feira, 07 de Fevereiro de 2014
- 17:22 da tarde. 

Querido diário:
Uma das coisas que mais gosto de fazer quando fico sozinha em casa é conversar com Deus em voz alta. Hoje falei pra Ele tudo o que eu estou sentindo sobre as coisas que estão acontecendo, tudo o que me incomoda. Me desmanchei em lágrimas. Abri o coração. Contei pra Ele o quanto estou incomodada com a felicidade das pessoas que eu acho que não a merecem, as mesmas pessoas que fizeram de tudo para que eu não fosse feliz com o Henrique. 
Falei do casamento da Vitória; falei do filho que ela espera; falei também da minha sogra que, contra mim, não anda fazendo nada atualmente, mas está prestando o apoio que não dera à mim quando eu ia me casar com o seu filho, pra minha cunhada ingrata que não merecia, e agora fica evidente a diferença, o que pra mim é o mesmo que minha sogra me fazer mal indiretamente. 

Falei também das tias do Henrique e do fato de elas estarem conversando com a minha sogra. E isso me incomoda, porque quando eu vim morar aqui em 2009, minha sogra estava brigada e não falava com as próprias irmãs fazia dez anos, e tudo o que a minha sogra soube fazer foi falar mal das irmãs, contar as piores histórias delas e pedir para eu manter distância, alegando que todas eram loucas. E quando, por algumas circunstâncias do destino, eu fiz amizade com essas tais irmãs, as mesmas também contaram histórias da minha sogra e também disseram que eu devia ficar longe da minha sogra porque ela era louca e traiçoeira. 
Isso, é claro, não deixou de ser verdade, mas, o que eu não entendi e também detestei que aconteceu foi essa coisa quando tem duas pessoas ou duas partes que não se entendem e estas tentam convencer você da rivalidade entre elas, lhe fazendo escolher entre elas e te usando como catalisador de histórias venenosas uma da outra. Daí, do nada, para a sua surpresa e encabulação, elas se reconciliam, começam a conversar, se entendem, e você não sabe o que fazer, o que pensar ou sentir. Na maioria das vezes, no final, você acaba ou excluído ou odiado, porque um lado vai contar pro outro qualquer coisa que você tenha dito de negativo sobre um ou outro quando existiam as desavenças. E infelizmente, é bem por isso que estou tendo que passar. ¬¬ 

Eu só queria entender, diário, por que aquela Lidinalva, que antes queria ver a própria irmã morta, agora anda de beijos e amores com ela. E por que eu tive que aguentar tanta briga aqui se depois iriam se acertar.
São essas coisas que não aguento, sabe. Antes não tivessem brigado tanto e envolvido tanta gente, envolvido a mim, pra ser mais exata. 
Não consigo ignorar o fato que isso tudo parece algum tipo de conspiração. Sei que talvez nem haja nexo o que estou imaginando. Mas eu desabafei tudo pra Deus hoje de manhã. Pedi sua ajuda.Talvez Ele me entenda. 
Talvez Ele me ajude e resolva tudo de algum modo.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Desabafo: as coisas que estão mexendo comigo no momento.

Terça-feira, 04 de Fevereiro de 2014.
- 14:02 da tarde. 

Querido diário:
Por aqui, 2014 começou muito agitado. Nem bem iniciou e as coisas aconteceram numa velocidade que mal pude processar, e muitas delas fortes o suficiente para testar meus limites e resistência emocional. É tanta coisa a dizer que nem sei por onde começar. Mas pra ser sincera o meu real desejo é esquecer muito do que aconteceu. Não que tenham  acontecido desgraças; o problema é o único modo com o que estou conseguindo lhe dar com os fatos.
O grande “abalo” do momento é o casamento de ninguém menos que a minha cunhada. Ultimamente não se fala em outra coisa, e é claro que devido a isso estou me sentindo estranha, pois trata-se do casamento da pessoa que desmanchou o meu noivado em 2010 e me impediu de estar casada nos dias de hoje com o meu namorado Henrique. Pra variar, ela também está grávida, de 3 meses, e essa gravidez aparentemente é a razão desde casamento relâmpago, e também, de mais um de meus aborrecimentos, porque justo  a minha cunhada, além de ter desmanchado meu sonho de casar, também teve culpa por eu ter perdido um filho, também em 2010. Ela ficava me oprimindo durante o meu estado delicado, e... bem, acho que agora você pode me entender, diário. =/ 

Mas não sou só eu a estar um tanto chateada com as novas que envolvem a Vitória. Minha sogra também falta enlouquecer. Disse para o Henrique que, casando e ainda por cima grávida, Vitória nunca dera tanto desgosto. Henrique também se mantem indiferente. Já assinou sem demora um auto decreto de que não irá na cerimônia de casamento da própria irmã, que acontecerá neste próximo dia 14 – sim, bem no dia de meu aniversário. ¬¬ 
Por falar na cerimônia, para a minha não muito surpresa, eu também fui convidada. Mas já tratei de dar uma daquelas minhas excelentes e típicas desculpas nada convincentes para não comparecer. A mim não parece uma boa ideia, e, também, não se sinto a vontade de participar do sonho da pessoa que destruiu os meus. O único ponto que gostei nisso tudo é que, agora com filho e marido, minha cunhada terá que se mudar. Minha sogra parece bem mais radiante com a ideia e pelo menos na nossa frente, dá pulos de alegria quando lembra a si mesma que ficará em paz agora que se desobrigará de cuidar da filha que tanto lhe deu trabalho.

Só digo que é uma pena minha cunhada não ter se casado e tomado outro rumo mais cedo. A ausência de sua presença antes venenosa poderia ter evitado muita coisa que ela inventou só pra atrapalhar e que deu origem, hoje, a muitas consequências. Mas já que foi assim, espero que Vitória seja feliz mesmo que ela tenha interferido na minha vida. – e espero mais que nunca que agora ela pare de inventar de ir morar em Minas com o Henirque.
Mesmo que para mim esteja sendo difícil lhe dar e aceitar que ela conquiste agora o mesmo que tirou de mim no passado, pelo menos ela estará um pouco longe, e eu não precisarei me sentir afetada por ela e poderei aos poucos superar.
Não dizem que, O que os olhos não veem, o coração não sente?



sábado, 1 de fevereiro de 2014

Fevereiro.

Sábado, 01 de Fevereiro de 2014.
- 13:36 da tarde.

Transformar os dias, fazer novo o mês!
Que fevereiro venha lindo então! :D


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Mais humilde.

Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014.  
- 14:02 da tarde. 

Querido diário:
Ao invés de no banheiro, é no quintal que estou tendo que tomar banho de bacia e ao céu aberto, nos últimos dias. (Uma prática até muito comum aqui em Timon, mais do que parece). Isso porque o piso do banheiro rachou de velho, e para evitar que, cedo ou tarde, alguém tivesse que ir parar no hospital dar pontos nos pés, os banhos no quintal terão que continuar até que se contrate alguém para consertar o abençoado banheiro u.u
Sabe diário, se isso acontecesse uns dois anos atrás, com certeza, o meu “eu” do passado, esnobe como era, acharia a situação, no mínimo, o cume da deselegância típica das classes mais baixas. Mas hoje eu devo confessar que tomar banho no quintal me diverte, e não é só por causa do calor que temos aqui, no nordeste.
Acho que morar por aqui já por 5 anos mudou alguma coisa em mim. Acho que morar aqui me deixou mais humilde.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Resquícios

Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014.
- 13:59. Tarde 

Querido diário:
Tenho estado muito ocupada com os meus arquivos do computador, na árdua tarefa de recuperá-los. É que o Henrique, na sua odiável desatenção, apagou o HD em que eu guardava os meus arquivos na hora de formata-los – fotos, músicas, textos que escrevi, livros em PDF, tudo se perdeu. :/ 
No dia que aconteceu eu entrei em desolação, até disse coisas horríveis na hora da raiva das quais não senti orgulho, apesar de já ter pedido desculpas ao Henrique umas centenas de vezes depois. Mas é que eram coisas realmente importantes pra mim, principalmente as músicas, porque não eram quaisquer músicas. 
Tratavam-se das Mp3’s originais dos jogos de videogame – meu estilo favorito de música -, que foram colecionadas durante anos e montadas em coletâneas por mim, desde a minha adolescência. E muitas delas não apenas me inspiram, mas trazem lembranças fartas de épocas boas da minha vida. Sabe quando “aquela” música lhe faz lembrar “aquela” pessoa ou momento? Pois é, muitas dessas coletâneas estão carregadas de memórias de quando eu morava com a minha mãe, de quando eu tinha o meu quarto cor-de-rosa e de quando eu tinha meu irmão como companhia. Basta eu colocar os fones de ouvido para ter de volta todas as sensações, cheiros e sons. É como se eu mesma tivesse tornado à minha casa. :) 
E essas lembranças são os únicos resquícios que me sobraram pra matar a saudade de tempos tão importantes que não me voltam mais. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Para 2014 um capítulo diferente.

Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014.
-13:38 da Tarde. 

Querido diário:
Faz pelo menos 17 dias que não tenho escrito nada por aqui. O término do ano, a chegada das festas comemorativas, compras pendentes,  preparações a fazer e tudo o mais me deixaram um pouco devagar e preguiçosa. Eu deixei de escrever muita coisa que aconteceu por aqui numa velocidade impressionante, mas prometo, aos poucos, te contar os abalos quentes que movimentaram bastante meu início de 2014.
Também pra esse ano (que promete ser um ano bem interessante ;)) tenho vários planos e a intenção de escrever um capítulo diferente de todos os anteriores, mesmo que eu ainda não tenha voltado a morar em minha cidade (que se Deus quiser é um projeto para esse ano finalmente). Vou começar aqui ainda em Timon mesmo a buscar coisas novas para a minha vida.
Não, não preciso pegar borracha e apagar o passado, nada disso. Apenas começarei um novo capítulo, mas que seja novo.
É o conselho que eu daria a qualquer um que estivesse prestes a fazer o mesmo, firmando consigo mesmo o compromisso de redigir tudo novo em sua vida. 
Não se preocupe em escrever frases e parágrafos dentro de todas as normas gramaticais. Não se preocupe com os acentos, pontos e crases. Não se preocupe com a coerência e coesão, afinal, falar sobre a própria vida é algo in coesivo. 
Mas escreva. Apenas escreva. O que der. O que vier à mente. O que sentir. O que o coração mandar. O que a música lembrar. O que te faz sonhar... Para mim chegou a hora de escrever um novo capítulo em minha vida. Chegou a hora de falar de sonhos, planos e meios de realizá-los. Chegou a hora de inovar... :]




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