Eu não sei por onde começar, nem o que escrever, nem sei ao certo se irei conseguir me expressar. Há tanta coisa que precisa ser dita na verdade, sobre um passado que está há muito tempo esquecido…
Já faz quanto tempo mesmo? Uma semana? Um mês? Dois anos?
Não. Na verdade já são quatro anos. Quatro anos é o tempo em que tenho evito falar sobre o que aconteceu naquela noite, e em certas coisas mais que aconteceram no meu passado em Poços de Caldas.
Afinal, se eu manter meus pensamentos longe de tudo vou conseguir amenizar um pouco a dor… Mesmo que de vez em quando eu ainda chore quando sou surpreendida por uma das lembranças soltas e sem rumo que vagam minha mente, como pedaços de meteoros solitários que pairam no espaço; seja daquela noite horrível que mudou a minha vida, seja dos amigos que deixei, ou das palavras que eu disse mas não me lembro, ou o arrependimento que bate amargo por não ter agido de forma inteligente, e que agora não tem mais importância. Não para mudar alguma coisa.
E bom, olhando para trás e revendo tudo, eu sinto uma vergonha, sabe? Principalmente por ter sido uma idiota, e ter arriscado a minha vida de uma forma tão insensata e infantil.
É por isso que prefiro às vezes nem pensar nisso, sabia? É por isso que passei tanto tempo fingindo que não aconteceu.
Não sei se é uma coisa boa ou errada eu ter tentado me afastar dessa maneira do próprio passado. Isso evita que doam as feridas, mas será que também não evita que eu cresça e amadureça positivamente segundo meus erros? Será que não evita que eu os assuma, os reconheça e dê às pessoas as desculpas que tanto querem ouvir de mim? Será que enterrar o passado sem uma resolução não me abrirá uma brecha para errar outra vez?
Sendo sincera, eu ainda não consigo encarar certas lembranças sem que estas me causem angústia. Falta-me palavras para realmente expressar tudo o que sinto, além da coragem de assumir o que algumas umas coisas causam em meu coração. O que aconteceu em meu passado em Poços de Caldas aparece-me ainda muito forte e acusador. São lanças que ainda ferem e dilemas ignorados que só me esperam para eu enfrentar. Então, não adianta em esconder o fato que, voltando, antes da vida feliz e de paz, vou ter que resolver algumas agulhadas também.
O que me anima é saber que estou indo para lá demasiada diferente. Já faz quatro anos que estou fora da minha cidade e, de certa forma, a trajetória que tomei nesse período me obrigou a amadurecer. Sinto que posso tratar cada um dos assuntos pendentes como a mulher que hoje me tornei. Assim como em contra partida, sinto que em Poços de Caldas, voltarei a ser aquela alma vivente e afetuosa que eu era.
E está ai uma coisa que eu sinto orgulho: a pessoa que eu era. Sem malícia, sem rancor, inocente, boba, e de certo modo, ridiculamente ingênua. E garanto como muita gente não vai entender isso que quero dizer, mas, aos poucos, eu me dei conta de uma infeliz realidade: Eu era feliz na minha vida de antes, e não sabia.
Parece um assunto tão fácil de falar não é? Eu não acho, não pra mim, não nesse momento. Mas sinto que está sendo necessário.
Eu estou observando há algum tempo, que o que vem despedaçando meu coração é justo me enganar com as coisas que sinto com relação ao meu passado, e por nunca ter falado dele com ninguém, até hoje, de forma sincera.
Eu nunca falei o quanto sinto muito por tudo o que aconteceu ou as razões que me levaram a agir feito uma retardada inconsequente. Nunca falei que aprendi a dar valor em todos e que gostaria que enxergassem essa mudança em mim. E nunca falei o quanto a indiferença e o egoísmo apresentado por alguns me dói.
Eu sei que isso tudo vai passar quando eu voltar para lá, e um dia vai está todo mundo junto novamente. Isso me dá forças que nem ninguém mais consegue me dar. É quase sobrenatural.
Mas por enquanto, como o presente não é dos mais felizes para nós, para mim e para as pessoas envolvidas, me resta apenas uma coisa poderosa para não deixar tudo morrer: Memórias.
Como li uma vez: O que a memória amou, fica eterno. Então que seja assim.
Então só queria dizer que, por tudo, lá e na hora certa irei me esforçar, porque sei que tudo que se despedaça um dia alguém pode chegar e juntar os pedaços.
Estou aqui esperando por isso, ansiosamente. E contando os dias para em Poços chegar e ver cada um de vocês. Quero lhes contar que meu amor por cada só aumentou, com cada dia que passou desses anos todos de ausência. É bem, isso, não sei me expressar mais que isso, rsrs. ^^






