domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reflexão em cima de um erro.

Domingo, 17 de Fevereiro de 2013. 

"E quanto aquele dilema e aquela arriscada escolha entre ir ou não ir, bem, eu fui, sem me importar com o que aconteceria depois, o que muitos não teriam coragem de enfrentar.
E foi assim, trilhando a única alternativa que me restava, que eu quebrei a cara e me machuquei muitas vezes.
Foi assim, que eu cheguei a um lugar onde meus sonhos morreram.
Por quê? Por puro medo de achar que se não fosse daquela forma, não seria nunca. Eu não veria o meu amor nunca mais”.

Toda vez que me lembro da “certeza incerta” que tive na hora de partir para o Maranhão e penso nas coisas como estão, não é sempre, mas, às vezes, uma minúscula partícula de átomo minha sente-se culpada por tudo o que aconteceu depois que cheguei à casa do Henrique em 2009. Confesso.  Assim como confesso que esse sentimento de culpa não é sincero.
Eu sei que ele deveria existir de uma forma mais humana, mas acho que as mágoas por ter passado mais por maldades propositais dos outros do que alegrias, não me deixa ter um remorso verdadeiro.
Eu sei que cometi um erro ao ir para a casa do Henrique, quando sentia que não era nem a hora nem a época certa, e já escrevi sobre essa observação há algumas semanas, no diário.

Mas nesses dias para trás, não sei por qual motivo, eu passei a enxergar tudo o que aconteceu com certa complexidade. E percebi que, apesar de ter sofrido incontáveis injustiças e acusações sem nexo dentro daquela casa, há uma revoltante verdade sobre quais foram os caminhos me levaram para essa realidade que vivo.
Tudo só aconteceu porque um pequeno problema com minha família me levou a cair na casa de outra família, para gerar outro problema. E assim, a vida de tanta gente se viu alterada. 
Eu não gosto de tudo o que passo nessa realidade, mas só estou nela por um erro ridículo e idiota, cometido em minha casa.

Dá-me medo pensar nisso. Dá-me medo de dizer que foi assim. Isso é o tipo de coisa que eu sempre sei, sempre percebo, mas guardo só pra mim, como um segredo, porque, se souberem, algumas pessoas poderiam até achar isso injusto, porque agora estou voltando para a minha cidade com Henrique, para perto da minha família, após a sonhada reconciliação que eu queria para uma nova convivência, e a família dele que nada tinha haver com as crises que eu passava com a minha e se viu obrigada a me enxertar entre eles, não terá a mesma regeneração após os problemas surgidos, onde eu fui apontada como o pivô e as coisas que aconteceram não mais se consertam.  

É claro que eu não provoquei os problemas entre eles. Como já mencionei outras vezes, eles eram cheios de desavenças que cedo ou tarde os separariam. Talvez a minha presença tenha apenas acelerado algumas separações e feito verdades que não precisavam ser conhecidas vir à tona. Mas o que estou observando é que só agora, nos dias de hoje, é que eu tive coragem de admitir que, por apenas um erro impulsivo que cometi naquela noite abençoada de Setembro de 2009, é que vim parar na vida deles, para começar essa infeliz realidade que mudou a vida de todo mundo. 

E eu sabia que ao invés de viajar rumo à casa do Henrique, eu deveria ter ficado em minha cidade e resolvido minhas questões com minha mãe. Mesmo sabendo que assim sendo, eu jamais teria saído de minha casa, ido para a do Henrique e naquele ano mesmo de 2009 teríamos terminado o namoro, como estava combinado. Isso mesmo: se eu não tivesse ido para a casa do Henrique, hoje não estaríamos juntos.

É estranho admitir que essa foi a forçada razão que me levou a encontrar o Henrique pessoalmente, e não como eu sempre imaginei naqueles meus sonhos bobos de menina. Mas a questão é que agora tudo está feito. E como já disse, mesmo que alguns possam achar isso malditamente injusto só porque voltarei ao seio da minha antiga vida e ficarem bem, é o que sinto que devo fazer. Apesar dos ocorridos, Henrique e eu tentaremos tirar proveito disso juntos, tentaremos uma vida que sei que dará certo, porque apesar de tanto mal que ocorreu, somos apaixonados.
Isso não reparará erros e nem o que foi destruído para ninguém. Mas pelo menos a ideia de um novo começo me permite começar certo com aquilo que deu errado.
E como poder admitir coisas que antes não me davam coragem ae vezes me faz bem, preciso fazer mais uma confissão: a de como e por que o Henrique entrou na minha vida.


Um comentário:

Clara disse...

Oi Mari!
Nossa, faz mais de uma semana que não leio blogs, estou desatualizada...hehe!!
Querida, que bom que vc percebeu que fugir de um problema geralmente não funciona. Vc fugiu para o Maranhão para tentar escapar do problema que estava passando com a sua família e acabou tendo que enfrentar algo muito pior, com uma família que nem é a sua, com pessoas que nem deveriam fazer parte da sua vida. Acredito, porém, que apesar de todo o sofrimento, vc adquiriu um aprendizado enorme, e uma maturidade também. Vc aprendeu da pior maneira possível, mas tenho certeza que isso te fez mais forte!
Então, visualizando que vc conheceu o amor da sua vida com essa experiência, é melhor fazer as pazes com isso tudo e recomeçar com o pé direito!
bjinhos, boa sorte com os preparativos.

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