Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Foi bom o Henrique ter voltado pro emprego...
O problema é que passo muito tempo sozinha. E sozinha, não faço ou penso em nada construtivo. Não resisto em colar minha orelha na parede fina da sala para saber o que aquelas loucas estão gritanto, ou se não, me pego cultivando ideias erradas na cabeça.
Bem dizem que mente vazia é oficina do diabo...
Foi bom o Henrique ter voltado pro emprego...
O problema é que passo muito tempo sozinha. E sozinha, não faço ou penso em nada construtivo. Não resisto em colar minha orelha na parede fina da sala para saber o que aquelas loucas estão gritanto, ou se não, me pego cultivando ideias erradas na cabeça.
Bem dizem que mente vazia é oficina do diabo...
As vezes saio para me distrair um pouco, ou tento. Mas sem ter muita opção, a não ser ir à biblioteca municipal, onde gasto algumas tarde da semana lendo livros que já tenho em casa, no computador, fica evidente, mais uma vez, que não tenho uma pessoa para conversar, uma casa pra visitar, e o que me resta é a necessidade horrível de achar alguém para contar o que está acontecendo, o que vivencio, além da solidão.
Me pergunto, diante disso, por que então não arrumo um emprego. Assim poderia ajudar Henrique arcar com as despesas da casa. Eu até faria. Mas aí eu me lembro que essa é a coisa que minha sogra mais espera que aconteça, só porque acha que vai ficar a vontade com Henrique o quanto quizer em minha casa durante minha ausência. Aí fico com raiva dela. Aí fico com ódio. E sentindo-me no dever de ficar e proteger o que é meu dessa mulher abusada.
É, as coisas nem sempre são fáceis. Não estão sendo fáceis. Detesto ficar sozinha, mesmo que seja para um bem maior.
E enquanto busco uma forma de superar esse meu estado, fico a olhar meus dias se passarem de vagar, e sem volta.
" Mariana Borelli escreveu. E está lendo artigos sobre cultivo de cebolas ".

