Henrique me contou que no dia em que foi, de tardezinha, buscar a ração dos gatinhos num mercadinho aqui perto, e precisou passar frente a casa de sua mãe, assim que o viu, a irmã feiosa bateu os dois portões enquanto o olhava com cara de quem sentia raiva.
Eu não pude esconder meus traços de satisfação. Sinal de que o meu plano de fazer com que Henrique não se interesse mais pela irmã, ao mesmo tempo que fiz ela acreditar que ele não a ama mais para mantê-los separados, vem dando certo.
Essa é minha maior vingança contra ela, que é minha rival. E confesso que iria adorar se algum dia ela descobrisse que esteve todo esse tempo separada do irmão querido por causa das minhas artimanhas. E não pelo o que ela pensa que é o motivo.
Pois quero mesmo que haja uma razão para ela vir atrás de mim. Para finalmente eu tirar tudo a limpo como sempre quis, olhando naquela cara feia dela e acertar nossas diferenças de uma vez por todas.
Aquelas mesmas que ela nunca quis resolver.
Um segredo que nunca contei: Apesar que sempre preferi a paz ao invéz das terríveis brigas que houve entre minha cunhada, meu namorado e eu, nunca gostei de verdade de vê-los juntos, como irmãos. Henrique gostava mesmo da menina e sempre senti ciúmes dos tratamentos que ele dava à ela.
É verdade que ela cometeu erros que deixou o irmão bastante magoado e aproveitei deles para afastá-los. Mas, no fundo, lá de Minas Gerais ainda, eu já planejava um meio de separá-los.
Eu nunca gostei da cara daquela menina, daquela irmã dele.
Tinha cara de encrenqueira, brigona, do tipo dessas faveladas baixa, que você não pode olhar que já pensa estar comprando briga com elas…
Tinha cara de mentirosa, que escondia coisas dele. E mais tarde descobri que ela era assim mesmo.
Henrique era bom demais para se ter perto dele uma pessoa como ela. E decidi que eu devia tirá-la da vida dele.

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