- 15:56. Tarde.
Querido diário:
Na última sexta-feira, assim que retornou da casa de sua mãe,
Henrique me contou que vira a Vitoria passando chapinha no cabelo, e me
perguntou em tom de reprovação se a chapinha que ela usava era a minha.
Henrique detesta que eu empreste as minhas coisas pra minha cunhada. Ele sempre
fala que ela não é cuidadosa, e que ele perdeu as contas de quantas foram as
vezes que ela não devolveu o que era dos outros. E por mais que eu não use a
minha pranchinha, Henrique realmente não gosta que ela esteja nas mãos da
Vitoria, e se sentiu aliviado quando eu o mostrei a minha muito bem guardada e
intacta.
De certo modo eu também me senti aliviada por saber que
agora Vitoria teria as suas próprias coisas. Mas confesso que também me senti
meio mal. Isso explica porque ela não vem falar comigo há um bom tempo. Eu
sempre tive a horrível sensação de que ela só puxava papo comigo pra me pedir a
pranchinha emprestada, sempre acontecia. E no dia seguinte, no outro e no outro
ela já não queria mais conversar, ao menos que fosse me pedir a prancha outra
vez. Agora que vi que ela comprou a dela e coincidentemente não me procura
desde então…
Bem, as coisas agora fazem um pouco de sentido pra mim. E me
fez perceber que, afinal, desde que voltamos a conversar, talvez a minha
cunhada nunca tenha sido a minha amiga de verdade.

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