terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um desabafo necessário sobre a minha cunhada.

Terça-feira, 31 de Dezembro de 2013.
- Último dia do ano. 16:08. Tarde. 

Querido diário:
Eu juro: eu não tenho nada contra a minha cunhada. Mas eu preciso confessar que quase sempre que ela me deixa aborrecida. :|
Sabe, diário, eu até acho a Vitoria uma boa pessoa, principalmente quando é amigável e parece sincera nas coisas que diz ou faz. Eu me lembro do infeliz dia dentro daquela ambulância e no hospital quando ela fez aquela burrada de tentar se matar e tive de acompanha-la pra evitar o pior. Foi nele que eu percebi que no fundo, mesmo eu não querendo, até me importo com minha cunhada, no fundo, eu nunca quis que se machucasse.  Uma parte minha até gosta de tê-la por perto, mesmo ela tirando a minha paciência com as histórias absurdas de que não tem coragem de viver a própria vida sozinha. Ok. É assim que eu me esforço a tentar gostar dela, em ser sua amiga.
Mas aí, quando eu percebo que há algo suspeito em seus atos e descubro que sua amistosidade era, na verdade, uma ponte pra ela chegar em algo que eu podia oferecer, eu rapidamente me decepciono e azedo com ela, fico com raiva ao me lembrar de que a minha cunhada nunca foi nada além de uma dissimulada interesseira que só conversa comigo com dois intuitos: obter favores ou me derrubar.

No passado eu já tive uma forte antipatia natural por minha cunhada porque a via tentando ser igual a mim. Depois foi o ciúme e as disputas pela atenção do Henrique que nos separou e me impediu de gostar dela, e agora é o seu jeito natural e imprevisível que me impede de confiar no seu sorriso, e pra ser sincera e pra não me machucar, na maioria das vezes eu não confio e não sei como lhe dar com isso, se não for me afastando dela. Sei lá, parece que eu não tenho outra alternativa se não for fugir... , mas, pense comigo: que outra forma há pra lhe dar com uma pessoa que você não sabe o que está pensando, além de ser alguém que não costuma ser sincera, hã? Eu queria chegar e perguntar pra Vitoria com toda a franqueza se a amizade que temos hoje é verdadeira, mas não sei como fazer isso sem ela interpretar como um início de briga (já que tudo ela leva por esse lado).

Dramas a parte, agora vamos levar pelo lado realista da história: se for olhar bem, e direito, tanto eu quanto a minha cunhada já fomos más uma pra outra. E se for pegar isso lá do comecinho, a minha cunhada nunca me apresentou uma amizade sincera desde o tempo quando conversava comigo pela internet, enquanto eu estava lá em Minas Gerais, na casa da minha família. 
Enquanto me falava que não via a hora de eu vir visita-los aqui em Timon, por trás, minha cunhada fazia o pacto consigo mesma de que não me deixaria ficar junto de seu irmão. E isso foi a nossa vizinha Bruna e a prima dela, Leticia, que me contaram. E mesmo agora depois que passamos por tanta coisa juntas - onde até fizemos as pazes - não sinto que a minha cunhada esteja sendo diferente. Não sinto que ela realmente aceita que eu esteja com o Henrique.
Assim como já percebi antes, de uns tempos pra cá, ela só vinha me procurar pra conversar quando queria minha pranchinha emprestada, ou quando queria que eu a acompanhasse quando não havia nenhum dos seus costumeiros amigos por perto. Um bom exemplo disso foi àquela tarde em que ela me chamou pra acompanhá-la em Teresina (parece que iria devolver uma fantasia que alugara) e no caminho, encontrou o seu amigo Elton. Nós três até fomos pra Teresina resolver o que estava nos planos de nós duas. Mas aí, na primeira oportunidade que pintou, adivinha qual dos dois ela dispensou?...
Vitoria age assim não sei por qual razão. Não sei se ela é quem não sabe dar valor nas pessoas. Na verdade eu duvido que ela trate mal ou com indiferença algum de seus amigos. Então não restam dúvidas de que é só comigo que não existe amizade.
Talvez seja por isso que ela nunca demonstra se importar em como estou ou como me sinto. Talvez seja por isso que me trata com tanta superficialidade e nem se importa se isso me machuca, porque ela sabe que sempre serei aquele tipo de tola que acredita na primeira boa intenção que as pessoas apresentam.

Mas enfim, não vou exprimir lamúrias por causa disso. Primeiro, porque não se sofre por uma amizade, que tenho QUASE a certeza, que nunca foi uma amizade de verdade, uma coisa que nunca existiu. E segundo, porque se levar em consideração as coisas que já senti contra ela, eu diria que estaríamos quites.
De tanto me tratar na superficialidade, digamos que aprendi a tratar a minha cunhada igual. Eu não faço mais má vista dela, mas confesso que, assim como ela é, eu também mantenho escondido os meus interesses na escuridão.
Quais interesses?
Bem, digamos que eu ainda a quero bem longe do Henrique, que, mesmo ele não admitindo por inteiro, eu sei que ainda pensa um pouquinho na irmã. E digamos que eu me sinto mais cômoda sabendo que ele tem todos os seus cuidados e caprichos guardados somente para mim, e que eu não quero que surja nem a fumaça da hipótese do Henrique inventar de cuidar da irmã quando a mãe dele morrer, seja como for. Afinal, mesmo sabendo disfarçar muito bem, eu ainda tenho muito daquele mesmo ciúme que minha sogra tinha do Henrique por ele gostar da Vitoria, aquele ciúme estranho que ela me confessou e que a fez me pedir para separar os dois irmãos, porque não suportava a ideia de ver Henrique tão cuidadoso com a irmã e não com ela, que era a mãe que dava tudo pra ele. 
E agora digamos também que a partir no momento que minha sogra começou a enfezar a minha cabeça com o ciúme que sentia da Vitoria, eu me vi infectada por esse sentimento furtivo e venenoso instigado por minha sogra, que gradativamente não parou de me falar pelos cantos que, se eu não cortasse o mal pela raiz, Henrique não me prestaria tanta atenção se Vitoria continuasse por perto. E então, desde esse dia não consigo aceitar a ideia de ver os dois juntos novamente, de dividir com ela o carinho dele.
Muita gente acharia que isso é estranho e doentio, mas não me importo com o que pensariam desde que ninguém saiba. O que eu mais quero é que as coisas entre eles realmente se encerrem; que Henrique e eu fiquemos em Minas pra sempre, e minha cunhada, aqui, no lado errado da historia onde nada dá certo, morando na casa da própria tia que nunca será sua de verdade, e casada com o seu namorado independente de ser ele bom ou não pra ela.

Apesar que parece irônico ou até mesmo falso, não menti pra minha cunhada quando eu disse que queria que ela fosse feliz. Quero muito que ela viva a vida dela. Mas é aquela coisa: cada uma tem de ser feliz no seu mundo, no seu canto, com suas coisas. Quero que essa relação que não deu certo fique no passado e que tudo o que passamos em Timon vire apenas lembranças dignas de serem apagadas, e que eu possa finalmente voltar pro meu lugar onde nada e nenhuma dessas pessoas que aqui conheci, existe. Não é que eu seja maldosa, é apenas um mecanismo de defesa contra tudo e todos que tanto me derrubaram aqui. 
Então é isso. Eu não tenho maiores razões para estar escrevendo sobre isso, diário. Só queria desabafar o assunto.

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