segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Minha outra família.

Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013.
- 15:01. Tarde. 

Querido diário:
Embora eu esteja bem melhor com a minha mãe e o restante da família agora, e esteja fraquejando e querendo voltar pra casa, e, embora eu ainda ache que eles podiam me dar um pouco mais de atenção, do outro lado eu tenho a minha outra família, a biológica, a que tem se feito cada vez mais presente na minha vida e com a qual ainda está um pouco difícil de acostumar. 
Eu já escrevi sobre eles algumas vezes. Aparentemente não são pessoas ruins. São apenas bem diferentes de mim, mais simples e com costumes que eu normalmente não teria. Claro que essa diferença deve-se ao fato óbvio de eu ter sido criada por outra família, mas de qualquer forma, eles também formam uma família como qualquer outra, mas uma outra que agora também é a minha e que deseja que eu reconheça isso e faça parte dela.
Eu revi a minha mãe Cássia e conheci o restante da família quando fiz a viagem de uma semana para Minas Gerais, em Outubro. Eu gostei de verdade de conhecer todos, de saber quem são e como são os meus parentes de sangue. Os tratei com muita cordialidade e fui muito receptiva. Mas por um lado, acho que ficou muito em evidencia que eram eles que estavam mais felizes por me conhecerem, que eu a eles. 
Eu não fiz de propósito. Pra falar a verdade, eles nunca foram uma coisa que eu esperava acontecer na minha vida. Ao contrario deles, eu não os estava procurando. Por isso ficou difícil demonstrar a mesma reação e sentimentos que eles, que eles por mim. E por isso foi difícil responder a pergunta da minha irmã Jeny se eles são exatamente o que EU esperava. 
Mas tenho que confessar que conviver com eles me causa sentimentos estranhos. Torno a repetir que eles não são pessoas ruins, a primeira vista, mas estar com eles é desconfortável porque eu não tenho ainda as coisas resolvidas com a minha família de criação. E a sensação assustadora que me dá, mesmo que não tenha nada a ver, é que estou sendo, desse modo repentino, transferida de uma família pra outra, e me dói, porque pra mim a que sempre será a minha família de verdade é a que me criou. Então…
Mas eu sei que esses são sentimentos que irão se resolver e encontrar os seus devidos lugares assim que eu puder voltar pra Poços e resolver tudo com tudo e todos. Mas por enquanto não há nada para se fazer, só sentir.
 

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