- 16:00 da tarde.
Segundo desabafo do dia.
Querido
diário:
Hoje é aniversário da minha irmã Dianne, e por causa disso
também acabei falando com a minha mãe. E sabe qual é a coisa mais engraçada que
noto toda vez que telefono para qualquer um da minha família? É a paz
inexplicável e confortadora que me toma durante e logo depois, que desligo o
telefone. É como se de repente eu fosse acalorada pelo abraço mais quente e
gostoso do mundo, uma sensação familiar e boa da qual tenho saudades e que já
não sinto desde que vim morar em Timon. Aqui as pessoas são muito coléricas,
aparentemente estão sempre de mau humor e aborrecidas com a vida. Infelizmente
devido aos anos de convivência aqui, isso me contaminou, e me transformei numa
pessoa tão irritadiça e insatisfeita quanto os daqui.
Sem falar que por causa das muitas maldades que tive que
enfrentar ao ter a sogra e outras pessoas no meu pé tentando destruir minha
vida, e, por das coisas que dificilmente dão certo pra mim aqui, eu acabei me
tornando uma pessoa muito destrutiva. Acabei má por influência.
Sabe diário, dificilmente eu fico feliz por alguém daqui. Por saber como são
ruins a maioria das pessoas com quem convivo, e por achar que ninguém aqui merece ser feliz por isso, quando
pinta uma oportunidade eu não deixo de inventar uma maldade que vá bagunçar com a vida de quem quer que seja. E quando, aí sim, sou verdadeiramente
injustiçada e me sinto no direito de fazer algo, eu confesso: não perco uma só
chance de me vingar pagando o mal com o mal. Eu sei que não deveria agir assim,
mas é desse modo que me sinto melhor, às vezes.
Mas quando sou influenciada por aquela paz protetora que eu
só encontrava no lar que tinha com minha família, imediatamente me sinto outra,
me sinto aquela Mariana antiga que de tão mansa mais parecia um cordeirinho e
não sabia o que era a maldade: nem a que me foi retribuída pelo mundo e nem tão
pouco a que aprendi a fazer para as pessoas.

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