- 16:13. Tarde.
Segundo desabafo do dia.
Querido diário:
Sabe que, por um lado, talvez por causa desse monte de coisa
que tem acontecido entre eu e esse monte de… pessoas, eu acho que estou
aprendendo a (re)amar a minha solidão, sabia?
Quem pouco me conhece e não
sabe desse detalhe, não a credita que já fui tão sozinha ao ponto de não ter
com quem interagir por meses.
Houve realmente um tempo na minha vida em que eu era
completamente sozinha. Sem amigos, família, ninguém. Passei uns 3 anos nessa
condição, os justos 3 anos que eu tive depressão. E foi nesse tempo que eu
aprendi a ser a mais egoísta das criaturas.
Sabe, diário, eu gostava dessa época. Gostava muito mais de
ser aquela Mariana sozinha que não precisava se preocupar com nada e nada me
deixava nem triste ou chateada. Eu gostava de não ter um namorado pra me
preocupar com o que ele estava fazendo e pensando, ou se estava ou não olhando
pra outras mulheres. Eu gostava de não ter muitos amigos para depois não me
sentir nem trocada ou traída, traída por aqueles pra quem abri meu coração,
provou de tudo de mim e depois sumiu.
É, bons tempos aqueles…
Como eu apreciava aquela paz, da qual saí nem sei pra quê.
Sabe, eu passei tempo suficiente trancada no meu quarto para
saber que eu nunca deveria ter saído dele. Algumas
pessoas até me chamaram de louca por eu ficado em casa em dias de sol e
desperdiçando o melhor do meu tempo jovem pagando de anti-social e bichinho do
mato. Insistiram e tentaram me convencer de que eu
precisava fazer as coisas que todos os outros faziam, ou de que talvez eu
precisasse ter pessoas para aprender a amar e deixar de ser egoísta.
Mas a verdade é que, após fazer
exatamente o que queriam, após sair da minha caverna e ir provar cada uma
dessas coisas do mundo que me apresentaram, eu não ganhei nada. Só saí ferida,
machucada, esculachada. E por quem? Bem por aqueles que passaram todo o tempo
tentando me convencer a sair.
E agora, convenhamos, não é a toa que estou revoltada,
triste, assustada, me sentindo traída e com vontade de voltar ao meu antigo
conceito original de solidão, querendo reassumir aquela velha Mariana sozinha
que ainda não havia sido machucada por ninguém e era feliz sem saber.
Sabe, não me entenda errado, diário, sei que desse estar
pensando que entrei de novo em mais uma daquelas marés de tristeza contínua e
pessimismo. Não, não. Muito pelo contraio, estou até muito feliz e satisfeita
nos últimos dias. É Só que eu precisava falar algo sobre o que estou sentindo
depois de descobrir e entender essa da minha cunhada que só falava comigo
quando precisava de algo. Só achei engraçado.
Mais uma vez ficou provado que aquela criatura é falsa,
nunca mudou e não merece um terço da preocupação de ninguém. E mais uma vez
ficou provado também que fui uma tola em acreditar que ela havia mudado e
merecido um recomeço. E ficou provado também que não se deve acreditar 100% em
pessoas com histórico ruim. Quem nasce de caráter ruim morre com ele ainda mais
pobre. Não dizem que de árvores ruins é impossível sair frutos bons?
Até existe um dito popular que se aplica perfeitamente a
esse caso: As pessoas não mudam. Elas apenas nunca foram o que pensamos que
eram.

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