- 17:21. Fim de tarde.
Querido diário:
Não preciso dizer que ando sumida demais, né? Eu sei que o
diário anda muito desatualizado, apresentando sinais evidentes de abandono, mas
é porque tem horas que eu realmente preciso de um tempo a sós comigo mesmo, sem
refletir e escrever nada, de resguardo, pra pensar e botar as ideias de novo no
lugar, pra mais uma vez ressurgir com força e renovada.
Mas enfim, eu tenho uma reflexão para hoje, e apesar de eu
estar aquela bagunça emocional de sempre – sentindo tudo ao mesmo tempo – eu penso
que consigo ser clara e direta com as palavras. Vamos lá?
Para início de conversa e para ser sincera, eu não sei
exatamente o que estou sentindo. Há uma mistura de sentimentos dentro de mim
neste momento, - indecifráveis, dolorosos, amáveis, vergonhosos, raivosos, céticos - mas apesar disso
tenho deixado se sobressair apenas os sentimentos bons, apenas os que me trazem
a felicidade à mim e aos outros.
Aliás, já entendi que a auto piedade e remoer o passado
realmente não levam a nada. Para meus erros que ainda me ferem, reservo reflexão
e mudança. Nada de tapar o sol com a peneira, nem usar paliativos. Quando o
leite derrama, não me resta outra alternativa a não ser secar a burrice.
Aprendi que reclamar – apesar de
promover certo alívio – também não adianta. Sofrer, menos. O que resolve
é a força de vontade para fazer tudo diferente e melhor.
Com essa filosofia e convicção benéfica que tem me mantido
com os pés no chão e focada em mudanças, eu inicio o meu dezembro confiante, saltitante
e com calma, que é para eu não me perder pelo caminho outra vez.

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