- 16:22 Tarde.
Terceiro desabafo do dia.
Querido diário:
Hoje é dia de Natal. Mas ao contrário do que sempre faço
quando é época comemorativa e especial, dessa vez eu não estou a fim de
escrever nenhuma baboseira melosa e clichê sobre isso. u.u
Calma, eu não virei nenhuma terrorista anti-natal
ou coisa assim. É que só não estou com vontade de escrever nada sobre isso
mesmo.
Mas mesmo assim diário, eu ainda preciso te contar uma coisa
que aconteceu na noite de ontem. Aliás, preciso contar do início uma loucura
que acabei fazendo, e aposto que até você não vai acreditar, rs.
Aconteceu que a minha cunhada, independente de ser a certa
ou não nas histórias, nunca deixa de inventar uma das suas que sempre prejudica
os outros. E dessa vez não foi diferente. Diz a minha sogra que a Vitoria inventou
de pegar lingerie pra vender. Só que ao invés de guardar o dinheiro pra prestar
contas, ela o gastou. E agora pra irresponsável não ser presa, minha sogra
deixou de fazer suas compras de natal pra pagar a pessoa que minha cunhada
lesou. Ela contou isso pro Henrique na segunda-feira, e ele veio choramingar e
amaldiçoar a irmã, pra mim.
Eu juro, diário, que a ideia não partiu do Henrique. E juro
também que não sei o que deu em mim pra ter pensado em tal coisa. Só sei que me
vi pedindo pra ele convidar a sua mãe pra passar o natal com a gente, já que
ela, graças a filha, não iria ter nada de especial pra colocar na mesa.
Henrique até chorou, me abraçou e disse que meu coração não tinha tamanho. Ele
sabia muito bem que por razões bem fortes sua mãe e eu estávamos há 8 meses sem
nos falarmos. Seria um sacrifício para eu sacrificar o meu natal em paz só com
ele para incluir também a sua mãe. Mas no fim, assim foi. Quando deram sete
horas no relógio, levamos tudo o que preparei de gostoso na cozinha para a casa
da minha sogra, e lá, nós três – ela, Henrique e eu, comemos o banquete em paz.
E no final, diário, ela até me agradeceu.
Sabe, depois que eu fiz a loucura impulsiva de propor que
minha sogra fosse convidada pra nossa pequena ceia de natal, eu confesso que
passei as horas todas que antecederam o evento de coração apertado e
arrependida, por ter sido rápida demais. Mas no fundo, eu me senti fazendo a
coisa certa a fazer. Porque afinal, por mais que ela tenha me feito maldades e,
por mais que eu a deteste e a prefira longe admito que muita coisa que tenho em
casa é ela quem dá. E também, é natal, e alguma coisa falou em mim que eu era
bem mais que qualquer coisa que tivesse acontecido comigo.
E quer saber, foi legal assim =)
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