Desde que decidi voltar para Poços de
Caldas, não tenho pensado em outra coisa.
Na verdade, penso nisso até com certa
preocupação, porque não é uma coisa fácil de se fazer. Há muitos detalhes a se
acertar. Coisas que vão desde arrumar garantia de emprego e moradia, até se
realmente estou tomando a decisão certa.
Essa minha decisão se baseou na forma como
correram as coisas, devido aos problemas que eu estava passando com minha
cunhada nas últimas semanas. Eu me acertei com ela. Mas antes desse tratado de
paz, suas tentativas idiotas de me destruir alavancaram outros problemas com
pessoas que não precisam estar na história.
Pessoas que, independente do que aconteceu,
agiram comigo da pior forma possível. Não quizeram me escutar, tão pouco saber
como eu me sentia.
Na verdade, sem perceber, o que minha
cunhada inventou para estragar tudo só serviu para eu enxergar algo que já
vinha desconfiando, além de ver e provar até que ponto chegam as atitudes de um
ser humano e o que pensam de você por trás.
Quem eu antes achava que só queria meu bem
e me fazia acreditar que eu fazia parte de algo, expoz da forma mais cruel o
que verdadeiramente pensava de mim, atribuindo-me a culpa ao me apontar como responsável
pelas mudanças e os caminhos ruins que minha sogra, Henrique e Vitória tomaram
como família, alegando que eu o separei.
Isso não é verdade. Eu sei e muita gente também
sabe que entre eles haviam muitos problemas que cedo ou tarde estourariam. Mas
ser apontada com a culpada por eles não serem mais família me chocou muito.
E agora, como não quero mais aproximação com
essas pessoas e julgo que nem eles querem, penso que quanto a isso não há nada
mais que se possa fazer.
Só sei dizer que agora não me sinto muito
confortável. E além do interesse em buscar uma vida melhor num lugar melhor, me
abstender de pessoas e criaturas que só me provocam o mal, é o mínimo tardio
que posso fazer por mim mesma, depois do tanto que sofri.
Finalmente
o motivo que tanto busquei para deixar essa Timon insuportável e voltar para
minha Poços de Caldas, apareceu.
Quem conhece minha história em profundo,
sabe que não passei coisas boas em Poços também. Que vivi experiências que me
fizeram ir parar na casa do Henrique e passar por tudo o que passei.
Mas três anos se passaram desde minha
partida. A poeira já baixou, as feridas se fecharam. As mágoas não existem
mais. O tempo restaurou tudo, e o que é meu me espera por lá.
Por isso nem ligo e nem choro pelo o que
perdi e não conquistei em Timon, por coisas que não deram certo. Porque minha
vida mesmo, o que é importante para mim, meus amigos, família, coisas que
gosto, tudo está lá, intacto, imaculado, prontinho à minha espera. Nada do que
passei aqui, fiz, ou me fizeram afetou o que está em Poços de Caldas. E o só
saber disso me faz chorar de felicidade. É saber que nada de Timon estará lá.
As coisas piorando aqui ao mesmo tempo que
em minha terra natal melhoraram, não é apenas uma circunstãncia que chamam de
coencidência. É o sinal de que já fique tempo suficiente nesta cidade que não é
para ser minha. E sinto que permanecendo mais, coisas continuarão a acontecer.
Timon foi uma experiência desastrosa. Pisei
nela em busca de algo sincero, acolhedor, bom para meu ego com relação ao que
passava na época. Mas me deparei com situações de perdas, festivais de
decepções, mentiras, brigas, loucuras.
Aprendi coisas em Timon que nunca teria aprendido
se ainda estivesse em minha casa quietinha e segura do mundo mal, num lar
perfeito onde minha família amorosa estava constantemente me protejendo e me
privando de sofrer.
Aqui descobri que pessoas mentem, enganam,
se destroem, sentem inveja. Descobri que existe gente que irá achar sua vida
mais interessante que as novelas da tv e ainda vai querer falar dela pra todo
mundo.
Aprendi que a felicidade e as conquistas
que temos encomodam quem não consegue o mesmo, e que, se você é melhor que
alguém em qualquer sentido, vão te odiar por isso.
Realmente aprendi muito aqui, e daqui
sairei vacinada.
E penso que nessa história toda onde fui
constantemente magoada, julgada e mal interpretada, tendo que a toda hora mostrar
minha reputação limpa, não vou sair de todo perdendo só porque decidi ir embora,
não. Voltando para Poços de Caldas levarei o Henrique comigo.
E quem vai perder ou se sentir afetadas serão
pessoas (e não são poucas), que terão que lhe dar com as consequências que a
saída dele provocará aqui.
E acham que estou preocupada com isso?
Preciso responder?
Tenham uma boa tarde.

Um comentário:
Oi Mari. Andei umas semanas sumida do mundo dos blogs, mas hoje vim me atualizar por aqui.
Achei muito boa essa reviravolta que aconteceu aí na sua vida. Será ótimo vc e seu namorado irem embora deixando para trás esse sofrimento e recomeçando. Ainda mais ao lado de pessoas que amam vc, que é a sua família de verdade. Foi bom também vc ter se acertado com a sua cunhada, deixar tudo limpo para começar de novo.
Desejo muita sorte para vcs nessa nova etapa.
Beijos e continue nos contando o desenrolar das coisas :)
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