segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E em fim, acabou.

Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012.



Eu acredito no destino. Acredito no pré-destinado e no conjunto de circunstancias que, independente de quais sejam, sempre nos levam a bater de frente com o que está marcado para acontecer. E acredito que tudo o que tem acontecido nesses dias seja mais um caso.

Todos os meus leitores perceberam por minhas postagens, que meus insistentes sentimentos de revolta me obrigaram a passar dias seguindo ordens terapêuticas, desabafando horrores sobre minha cunhada. Alguns marinheiros perdidos cuja a história nunca lhes foi do conhecimento, pediram em recados para que eu escrevesse exclarecendo o que aconteceu.
Então nesses últimos dias me dediquei a fazer tal gentileza, ao mesmo tempo que me fazia bem botar para fora tanta mágoa entalada. Só que isso só gerou uma baita confusão.
Acontece que minha cunhada descobriu o que eu fazia. Não por ela mesma, e decidiu me levar na justiça por conta das ofenças.
É muita hipocrisia da minha parte dizer que não sabia que ao escrever ofendendo-a daquela maneira me traria encrencas. Eu sempre tenho plena conciência de tudo o que faço nesse mundo. Eu gosto de ser inconsequente, não uma mentirosa.

Eu sabia o tempo todo que ela lia meu blog. Sem perceber, ela me deixou saber disso no dia em que discutimos na porta de sua casa. Escrever sobre ela era um trabalho terapêutico, mas foi a única forma que encontrei de lhe expor verdades que precisava saber, além de atraí-la a resolver o nosso problema.
Cedo ou tarde, ela viria atrás de mim.
Assim previ, assim aconteceu, com um toque de tensão e suspense que eu não gostei. E assim como no último capítulo da novela Avenida Brasil, que trouxe o fim da persistente vingança de Nina contra Carminha, o capítulo com minha história com minha cunhada, acabou.

Foram três longos dias de tensão. Quase cinco horas de conversa.
Cara a cara. Olho no olho. Assim me vi nessa última sexta-feira, dia dezenove, no momento que mais esperei nesses últimos três anos. Fiquei frente a frente com a Vitória.

Me vi como num sonho lúcido, fora de meu corpo. Mas ao mesmo tempo, sentia a solidez daquela realidade. Aquela era uma consequencia da qual corri atrás. E vê-la em minha cozinha depois de anos de brigas, sem uma palavra, siguinificava que era o fim.
Nós duas e nossas diferenças não resolvidas em tempo afetou e mobilizou metade das pessoas do nosso convívio. E depois que as vacas foram pro brejo mesmo, colocamos as cartas na mesa.
Eu não estava nada bem. E em momentos cheguei a pensar que ela também não estava. Podia jurar que ouvia seu coração bater de medo e nervoso. Mas eu estava pensando em mim, na minha raiva, em meios de segurar o choro, no desgaste que tudo isso me levou. Eu tinha muita coisa para falar. E não queria desmoronar antes.

Tudo o que tínhamos que resolver era consequencia de imaturidade e falta de sinceridade com os sentimentos. Desinterramos fatos e histórias de um cemitério escuro por onde tanto tempo só pairou o grito inaudível da justiça.
Descamamos nossos corações até a mais fina camada transparente. E entre todas as suposições que fiz e depoimentos que colecionei tentando entender por que Vitória me odiava, senti, pela primeira vez, que alcançava a verdadeira resposta que procurava.
Como prêmio por me dar o copo d’água no meio daquele deserto todo, fui honesta em exclarecer cada um de meus sentimentos e atos. Abri um baú a muito esquecido que contia o maior dos meus segredos escondidos que não contei à ninguém em Timon, só para minha família, para complementar o pacote que me levou a alimentar tanta raiva por ela.

Não foi apenas porque expalhou histórias maldosas de mim para as pessoas criarem uma imagem errõnea. Não foi apenas porque descobri que contava minhas intimidades com o irmão dela para os amigos da internet. Não foi só porque quis fazer com que a mãe me mandasse embora ou porque sentiu ciúme e tentou se parecer comigo.
Foi porque até hoje fiquei com a ideia que perdi meu primeiro filho com Henrique por causa dela.

Eu nunca contei essa história para as pessoas de Timon porque tive medo. Porque ainda choro muito.
Henrique na sua época de cabeça de tolo, me disse que se eu engravidasse dele, criaria sozinha a criança. Suas palavras machucaram meu coração e não pude contar para ele que, no dia 17 de Dezembro de 2009, na nossa primeira vez, engravidei.
Eu vivia sentindo mal estar e enjoos por causa do calor. Mas sabia que seios incrivelmente inchados e ausencia de menstruação já não eram fatores decorrentes. Aconteceu que eu sofri muito a passei meus dias vivendo com o pior medo que já tive na vida.
Já via minha sogra me mandando embora após Henrique regeitar a responsabilidade com o nenézinho.
Então escondi a gravidez até Fevereiro de 2010.

Só que nesse decorrer eu já passava problemas com minha cunhada, e sofria demais com a fria rejeição. Eu andava nervosa, aflita, chorando pelos cantos. E quando chegou Fevereiro, não aguentei.
Por motivos pouco importantes agora, ela criou uma discussão muito séria comigo, onde ameaçava me agredir. O nervoso que passei foi tão fora do normal, que horas depois de ter me livrado dela, começei a passar mal escondida dentro do banheiro.
Foi de madrugada quando pensava que iria vomitar e me descobri sangrando e com dores na barriga além do que podia suportar. Pensava que era então a menstruação já atrasada dois meses. Mas a estranhesa daquele sangue muito escuro e empelotado me fez perceber na hora que não era menstruação. Eu estava sofrendo um aborto.

Depois disso nunca mais fiquei normal. Eu contei para o Henrique a verdade. Ainda o tive que aguentá-lo nervoso e chateado comigo. Usei absorvente por oito dias na tentativa de segurar um sangue que não parava. Perdi peso e fiquei com medo de morrer. Fiquei com medo de tudo.

Até hoje quando pensava nisso, culpava a Vitória. Se não tivesse criado aquela briga comigo, teria um filho ou filha de dois anos. Pior que hoje não posso fazer mais nada além de tentar perdoá-la e esquecer essa história.

Mas em fim, acabou. Pensei que nunca falaria isso um dia, mas acabou. Acabou que minha cunhada Ana Vitória e eu resolvemos nossas diferenças. Colocamos em cada lugar cada um de seus porquês.
Nós firmamos um acordo. Não o de sermos para sempre amiguinhas que passam tempo juntas numa convivência magicamente perfeita. Mas sim o de jogar fora tudo o que passou e dever respeito. O respeito que desde o início uma devia ao papel da outra.

É dificil depois de tudo e, mesmo com a mudança dela, haver uma aproximação saudável. Acho melhor não acostumar muito com isso. Mesmo porque também decidimos que nós três seguiremos caminhos diferentes.
Ela já tem preparado tudo para logo ir morar com uma amiga, uma companhia que me pareceu representar-lhe algo que a mãe nunca lhe foi: uma protetora.
Já Henrique e eu decidimos seguir o curso original de nossos planos, o que todas as conspirações impediram de acontecer desde o começo. Nós vamos embora para Poços de Caldas. E talvez lá tantar começar de novo a nossa história que quase morreu em Timon.

Em tudo isso penso que saí e só agora me sinto a pessoa mais satisfeita. Porque pude perdoá-la, pude esquecer. Pude finalmente virar está página com esse capítulo para escrever um novo cheio de luz, para começar de novo.

Acredito que apartir disso serei junto com Henrique finalmente feliz. E torço para o mesmo acontecer com minha cunhada. Desejo de coração que ela alcance a felicidade da forma que achar melhor, mas que, antes dela, que receba muita coragem e ousadia para sair e seguir em frente sem olhar para trás.
Porque no momento que ela for seguir o certo e tudo estiver pronto para ela, as conspirações para que não alcance uma vida de liberdade serão muitas. E acredito que começará por sua mãe.
E de agora em diante, se eu precisar mencioná-la em algo, não será com palavras de maldade.

Tenham uma boa tarde.  

" Agora não importa a razão por qual me odiou todo esse tempo, por mais tola que seja e nós duas sabemos. O que importa é que eu te perdoei" .

Mariana Borelli




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