* Continuando a postagem anterior...
- Uma das coisas que eu mais detestava em
tudo o que estava passando, era o Henrique não me defender do que aquelas duas
faziam comigo. Sua falta de atitude me dava ódio e por momentos pensei que
nunca iria ter como fazer ele mudar. Não tinha lágrima minha, não tinha
reclamação ou ameaça que o fizesse se mexer. Era como se não quizesse magoar as
duas. Ele preferia me ver chorar ao reclamar com elas o que estava acontecendo.
E pior ainda era ver que ele tinha amizade
e tratava numa boa a irmã, mesmo sabendo que não nos davamos bem e
ela me odiava. Mesmo vendo que ela fingia que eu nunca estava na casa, ao nos
interromper sem dó para roubar a atenção dele.
Eu
confesso que me afastei dela, não só por causa da briga pela caixa de bom-bons
e por outras mais que criou. Mas pela traição que sofri por ela. Por coisas que
descobri sobre o que na verdade pensava de mim.
Certa tarde, eu
desci para usar o computador que minha cunhada havia deixado ligado na sala. Ao me sentar
na cadeira olhei para o monitor onde algo me chamava atenção. Havia uma janela
do MSN minimizada piscando. Ela o esquecera aberto e a pessoa com quem conversava
na internet ainda a chamava. Quando a abri para fechar, o susto: ela havia
passado a tarde conversando com meu irmão de Minas Gerais.
Na minha casa eu
vivia com quatro pessoas de minha família adotiva. Era minha mãe e minha avó e
mais um casal de irmãos, filhos legítimos dela. Logo quando peguei amizade com minha cunhada na internet, ela também fizera amizade com esse meu irmão.
Conversavam
muito, até onde eu via. Ela chegava até a se atirar em cima dele, mas ele nunca
teve interesse nela. Para evitá-la, inúmeras vezes a bloqueava no MSN, por isso
foi uma surpresa ver que conversavam naquela tarde. E muito.
Minha curiosidade
me fez rolar para o topo da conversa, e de repente uma sensação de desgosto
saía do meu estômago. Meu irmão e ela conversavam sobre mim. Conversavam
falando mal, onde ela lhe
contava que tomei
seu lugar na casa e do quanto estava com raiva por eu morar lá, que não gostava
do meu jeito, que eu chorava e não desgrudava do seu irmão. Falou que eu comia
muito e só ficava engordando, e dizia também que me achava uma metida, cheia
das coisas caras que não emprestava para ela.
Fiquei
horrorizada com o que li, atónita, sem palavras. Como ela podia falar assim de
mim?
Mas aproveitando
a faca e o queijo na mão, fui mais fundo nas pesquisas em meio as conversas
dela que ficavam salvas no computador, com amigos que eu nem conhecia. E achei
a verdade.
Estava tudo lá,
tudo o que ela realmente pensava, dizia e imaginava sobre mim. Todo o ódio que
na verdade existia no coração. Não havia nenhum sentimento de amizade. Nunca
ouve.
Foi ali que
descobri que minha cunhada nunca nem aceitou a ideia da minha mudança para sua casa.
A mãe e o irmão decidiram que eu viria e pronto. Ela não pode manifestar. Decidiu
ser falsa comigo e tirar proveito o quanto pudesse. Mas a verdade é que não
aguentou por muito tempo o próprio teatro e a mentira sobre gostar de mim.
Estava tudo
registrado. Com hora, data, ano. Aquela foi a maior decepção de minha vida.
Por quê?
Por que mentiu para mim?
Havia fingido ser
amiga o tempo todo. E isso me doía. Eu havia sido verdadeira com ela. O que eu
dizia sobre considerá-la irmã não era em vão. Eu gostava dela de verdade, principalmente
porque havíamos nos identificado. Tínhamos as mesmas experiências, traumas de infância,
queixas familiares...
Até na aparência
física havia características onde uma lembrava a outra…
A sensação que eu
tinha, era de ter sido traída também por uma irmã. Irmã de coração.
Foi aí que decidi me afastar, e nem ela e
nem minha sogra entenderam. Para ambas, eu estava sendo má, antipática,
ranzinza. Mas a verdade, é que eu estava magoada e só tentada proteger o
restinho do orgulho que me restava.
Foi depois de saber disso que passei a me
incomodar ainda mais em ver a menina junto com Henrique. Sem perceber, eu já
havia sentindo um certo ciúme e raiva por ver que ele ainda a dava atenção.
Secretamente também queria que ele parace de falar com ela. Mas sabia que nunca
aconteceria.
Minha cunhada e Henrique eram muito unidos. Ele
cuidava e dizia que morria por ela. Ele nunca havia dito que faria o mesmo por
mim, e começei a ficar chateada, por ver que ele não me defendia contra elas e
nem deixava a irmã de lado.
Eu cheguei a proibí-lo de falar com ela.
Mas sempre o pegava sofrendo deslizes . Então, movida por tamanha raiva e um ciúme incontrolável, decidi
ser má e que jogaria sujo. Eu acabaria com aquela convivência e arquitetei um
plano para separá-los definitivamente. Ele nunca disse que morria por mim ou
que me defendesse de qualquer coisa. E já que não demonstrava nenhuma solidariedade
com o que a irmã fazia comigo, então, eu me vingaria. Dele e, principalmente,
dela.
Henrique pensava ter
em casa uma frágil irmã mais nova, a eterna menininha com quem dividiu a
infância e brincava, necessitada de seus cuidados e constante proteção de irmão
mais velho. Uma menina pura e inocente, que apesar do génio difícil e explosivo,
era sua irmã, que viu crescer e a amava.
Mas eu sabia que ela
não era isso tudo. Nunca foi.
Foi vasculhando
os arquivos da menina no computador, tentando encontrar suas conversas com meu
irmão, que descobri muita verdade sobre ela. Coisas horríveis que escondia para
não perder o amor da família e principalmente do irmão, a pessoa mais
importante para ela, depois do pai que falesceu.
Me perguntei o
que ele pensaria se soubesse, que a irmã desde os treze anos não era mais
virgem e saia com homens casados acima de trinta.
Comecei eu mesma
contar as histórias para ele, tudo que sabia e já tinha lido em suas conversas.
Mas minha manobra não adiantou de nada. Ele não acreditava. Acho que a amava
demais ou a enxergava pura demais para imaginá-la fazendo esse tipo de coisa.
Ou pensava que
por eu não me dar bem com ela, inventava um meio de fazê-lo odiá-la, decidindo então
não me dar crédito.
Mas então, num
dia, a sorte decidiu sorrir para o meu lado. Ao fazer uma limpeza de rotina em
seus arquivos para criar uma cópia de segurança, Henrique fizera uma coisa da
qual não era de seu hábito: deu uma olhada na pasta de arquivos da irmã, com o
fim de copiá-la.
E foi aí que ele
descobriu algo que nem eu sabia que existia.
Havia um vídeo
salvo dela, em plena intimidade com um ex namorado que conhecíamos, e
frequentou a casa na época que cheguei de Minas Gerais. Um tal de Leo…
Henrique, de cara, não havia percebido que a
garota no vídeo transando era sua própria irmã. Só se deu conta quando
reconheceu o lugar onde fora filmado: o quarto e também a cama de sua mãe, além
de reconhecer o meu brinco de penas que minha cunhada nunca devolvia, e estava usando
no vídeo. E ao checar o código do arquivo reparou que este havia sido filmado
com seu próprio aparelho de celular, outra coisa que a irmã também nunca
devolvia.
Com raio de triunfo
e aparente satisfação, contemplei Henrique completamente chocado e decepcionado
com a irmã. Reparei que sua expressão de ódio e surpresa era tão intensa que
senti que as coisas naquela casa mudariam.
A menina, por descuido, acabou por se destruir sozinha. E eu, só ia me aproveitar de seus erros e botar mais lenha na fogueira contando tudo o que sabia das coisas que fazia sem a família se quer imaginar.
Por conta desses erros, Henrique
finalmente parou de falar com a irmã e passou a odiá-la definitivamente.
E uma pequena parcela da minha vingança estava concluída.
Continua....
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