quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Como tudo começou - Parte 3: Desejo de vingança.

Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012.

* Continuando a postagem anterior...



- Uma das coisas que eu mais detestava em tudo o que estava passando, era o Henrique não me defender do que aquelas duas faziam comigo. Sua falta de atitude me dava ódio e por momentos pensei que nunca iria ter como fazer ele mudar. Não tinha lágrima minha, não tinha reclamação ou ameaça que o fizesse se mexer. Era como se não quizesse magoar as duas. Ele preferia me ver chorar ao reclamar com elas o que estava acontecendo.
E pior ainda era ver que ele tinha amizade e tratava numa boa a irmã, mesmo sabendo que não nos davamos bem e ela me odiava. Mesmo vendo que ela fingia que eu nunca estava na casa, ao nos interromper sem dó para roubar a atenção dele.

 Eu confesso que me afastei dela, não só por causa da briga pela caixa de bom-bons e por outras mais que criou. Mas pela traição que sofri por ela. Por coisas que descobri sobre o que na verdade pensava de mim.

Certa tarde, eu desci para usar o computador que minha cunhada havia deixado ligado na sala. Ao me sentar na cadeira olhei para o monitor onde algo me chamava atenção. Havia uma janela do MSN minimizada piscando. Ela o esquecera aberto e a pessoa com quem conversava na internet ainda a chamava. Quando a abri para fechar, o susto: ela havia passado a tarde conversando com meu irmão de Minas Gerais.
Na minha casa eu vivia com quatro pessoas de minha família adotiva. Era minha mãe e minha avó e mais um casal de irmãos, filhos legítimos dela. Logo quando peguei amizade com minha cunhada na internet, ela também fizera amizade com esse meu irmão.
Conversavam muito, até onde eu via. Ela chegava até a se atirar em cima dele, mas ele nunca teve interesse nela. Para evitá-la, inúmeras vezes a bloqueava no MSN, por isso foi uma surpresa ver que conversavam naquela tarde. E muito.
Minha curiosidade me fez rolar para o topo da conversa, e de repente uma sensação de desgosto saía do meu estômago. Meu irmão e ela conversavam sobre mim. Conversavam falando mal, onde ela lhe
contava que tomei seu lugar na casa e do quanto estava com raiva por eu morar lá, que não gostava do meu jeito, que eu chorava e não desgrudava do seu irmão. Falou que eu comia muito e só ficava engordando, e dizia também que me achava uma metida, cheia das coisas caras que não emprestava para ela.

Fiquei horrorizada com o que li, atónita, sem palavras. Como ela podia falar assim de mim?
Mas aproveitando a faca e o queijo na mão, fui mais fundo nas pesquisas em meio as conversas dela que ficavam salvas no computador, com amigos que eu nem conhecia. E achei a verdade.
Estava tudo lá, tudo o que ela realmente pensava, dizia e imaginava sobre mim. Todo o ódio que na verdade existia no coração. Não havia nenhum sentimento de amizade. Nunca ouve.
Foi ali que descobri que minha cunhada nunca nem aceitou a ideia da minha mudança para sua casa. A mãe e o irmão decidiram que eu viria e pronto. Ela não pode manifestar. Decidiu ser falsa comigo e tirar proveito o quanto pudesse. Mas a verdade é que não aguentou por muito tempo o próprio teatro e a mentira sobre gostar de mim.
Estava tudo registrado. Com hora, data, ano. Aquela foi a maior decepção de minha vida.
Por quê? Por que mentiu para mim?

Havia fingido ser amiga o tempo todo. E isso me doía. Eu havia sido verdadeira com ela. O que eu dizia sobre considerá-la irmã não era em vão. Eu gostava dela de verdade, principalmente porque havíamos nos identificado. Tínhamos as mesmas experiências, traumas de infância, queixas familiares...
Até na aparência física havia características onde uma lembrava a outra…
A sensação que eu tinha, era de ter sido traída também por uma irmã. Irmã de coração.  

Foi aí que decidi me afastar, e nem ela e nem minha sogra entenderam. Para ambas, eu estava sendo má, antipática, ranzinza. Mas a verdade, é que eu estava magoada e só tentada proteger o restinho do orgulho que me restava.
Foi depois de saber disso que passei a me incomodar ainda mais em ver a menina junto com Henrique. Sem perceber, eu já havia sentindo um certo ciúme e raiva por ver que ele ainda a dava atenção. Secretamente também queria que ele parace de falar com ela. Mas sabia que nunca aconteceria.
Minha cunhada e Henrique eram muito unidos. Ele cuidava e dizia que morria por ela. Ele nunca havia dito que faria o mesmo por mim, e começei a ficar chateada, por ver que ele não me defendia contra elas e nem deixava a irmã de lado.

Eu cheguei a proibí-lo de falar com ela. Mas sempre o pegava sofrendo deslizes . Então, movida por tamanha raiva e um ciúme incontrolável, decidi ser má e que jogaria sujo. Eu acabaria com aquela convivência e arquitetei um plano para separá-los definitivamente. Ele nunca disse que morria por mim ou que me defendesse de qualquer coisa. E já que não demonstrava nenhuma solidariedade com o que a irmã fazia comigo, então, eu me vingaria. Dele e, principalmente, dela.

Henrique pensava ter em casa uma frágil irmã mais nova, a eterna menininha com quem dividiu a infância e brincava, necessitada de seus cuidados e constante proteção de irmão mais velho. Uma menina pura e inocente, que apesar do génio difícil e explosivo, era sua irmã, que viu crescer e a amava.
Mas eu sabia que ela não era isso tudo. Nunca foi.
Foi vasculhando os arquivos da menina no computador, tentando encontrar suas conversas com meu irmão, que descobri muita verdade sobre ela. Coisas horríveis que escondia para não perder o amor da família e principalmente do irmão, a pessoa mais importante para ela, depois do pai que falesceu.
Me perguntei o que ele pensaria se soubesse, que a irmã desde os treze anos não era mais virgem e saia com homens casados acima de trinta.
Comecei eu mesma contar as histórias para ele, tudo que sabia e já tinha lido em suas conversas. Mas minha manobra não adiantou de nada. Ele não acreditava. Acho que a amava demais ou a enxergava pura demais para imaginá-la fazendo esse tipo de coisa.
Ou pensava que por eu não me dar bem com ela, inventava um meio de fazê-lo odiá-la, decidindo então não me dar crédito.

Mas então, num dia, a sorte decidiu sorrir para o meu lado. Ao fazer uma limpeza de rotina em seus arquivos para criar uma cópia de segurança, Henrique fizera uma coisa da qual não era de seu hábito: deu uma olhada na pasta de arquivos da irmã, com o fim de copiá-la.
E foi aí que ele descobriu algo que nem eu sabia que existia.
Havia um vídeo salvo dela, em plena intimidade com um ex namorado que conhecíamos, e frequentou a casa na época que cheguei de Minas Gerais. Um tal de Leo…
 Henrique, de cara, não havia percebido que a garota no vídeo transando era sua própria irmã. Só se deu conta quando reconheceu o lugar onde fora filmado: o quarto e também a cama de sua mãe, além de reconhecer o meu brinco de penas que minha cunhada nunca devolvia, e estava usando no vídeo. E ao checar o código do arquivo reparou que este havia sido filmado com seu próprio aparelho de celular, outra coisa que a irmã também nunca devolvia.
Com raio de triunfo e aparente satisfação, contemplei Henrique completamente chocado e decepcionado com a irmã. Reparei que sua expressão de ódio e surpresa era tão intensa que senti que as coisas naquela casa mudariam. 

A menina, por descuido, acabou por se destruir sozinha. E eu, só ia me aproveitar de seus erros e botar mais lenha na fogueira contando tudo o que sabia das coisas que fazia sem a família se quer imaginar.
Por conta desses erros, Henrique finalmente parou de falar com a irmã e passou a odiá-la definitivamente.
E uma pequena parcela da minha vingança estava concluída.
Continua....


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