Henrique está super inseguro. Está morrendo
de medo de quando eu o levar para Poços de Caldas, o tratar da mesma forma que
ele me tratou aqui. Ou do meu pessoal, como amigos e familiares, aprontarem com
ele como também os dele aprontaram comigo.
Juro que nem pensei nesta possibilidade,
mas, confesso que, se for pensar bem, em nome de tudo o que vivi e o quanto
sofri, fazê-lo passar pelo mesmo que eu, daria uma ótima vingança.
Durante um momento crítico da minha vida,
quando eu mais precisava e viajei dois estados para sua casa atrás de apoio,
Henrique nem se preocupou em saber como eu me sentia, ou em cuidar de mim. Não
se preocupou em me levar para destrair e me apresentar sua cidade. Tão pouco me
protegeu quando sua mãe e a irmã decidiram se unir para me oprimirem durante
minha estada em sua casa. Ele não me ajudou, não me amparou. Me largou jogada. Só
queria saber de ficar jogando seus jogos naquela porcaria de computador,
enquanto eu estava sozinha, enquanto eu chorava e precisava dele, murmurando
pelos cantos e me perguntando se ele não havia gostado de mim.
Isso me fez construir uma enorme mágoa por
ele, pelas incontáveis vezes que cobrei uma atitude enquanto não fazia nada
para me ajudar. E eu jurava que um dia ele ainda me pagaria pela indiferença,
principalmente pelo o que a família dele
havia feito comigo.
Eu me lembro do quanto cansei de convidá-lo
a ir para minha casa me conhecer e se apresentar para minha família. Mas sua
mãe sempre interveio, alegando que não o deixaria ir porque tinha medo, medo de
que minha família o maltratasse e fizesse coisas ruins com ele, assim como ela
própria fez comigo em acordo com minha cunhada.
E justo por essas razões e por nunca ter
feito nada com relação a elas, Henrique confessou agora se sentir terrivelmente
inseguro e com medo com o fato de se mudar para Minas Gerais onde ficará
completamente sozinho, assim como eu aqui.
Eu confesso que me deliciei com o medo dele,
em pensar em abandoná-lo em Poços de Caldas e deixar que todos o ridicularizem,
sem reagir. Seria a vingança perfeita, e por mais que eu o ame, não posso
deixar de pensar no quanto sofri por sua falta de consideração e na maravilhosa
oportunidade que se planta em minha frente para fazê-lo entender como me sinto
aqui, todos os dias, como numa troca de papéis.
Quando ele me perguntou se eu teria mesmo a
coragem de fazê-lo passar por isso só por orgulho, eu me dei ao direito de permanecer calada.

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