Num compromisso significativo de ficar bem,
e declaro satisfeita que estou conseguindo, tenho dedicado meus dias, agora
mais tranquilos e menos tensos, à projetos que tornarão reais as mudanças que
minha vida precisa.
Bom, para uns, ao me verem assim, pode até parecer
fácil pensar e agir desse modo e depois perguntarem por que não o fiz antes, ao invés de passar tanto
tempo sofrendo e tanto me importando com coisas tão fáceis de iguinorar.
Minha resposta é simples:
Não é fácil, acreditem.
Porque meu problema não é o que está
acontecendo em si: o controle da sogra, a cunhada difícil, a vida pobre e limitada
de Timon, a solidão, e outras mais. Mas sim, o que estou sentindo por tudo, o
tempo que fiquei exposta a tais loucuras e as marcas que tudo isso deixou em
mim.
As pessoas interpretaram errado minha
maneira de lhe dar com a situação e taxaram-me como fraca, imatura e incapaz de
enfrentar uma adversidade sem desesperar, ao acusarem –me de sofrer atoa ao me importar
demais com questões frívolas e pessoas sem importancia.
Não é verdade. Hoje estou disposta a
explicar e espero que assim fique claro, de uma vez para todos, a razão pela
qual estive tão fraca e me senti incapaz de resolver os problemas que passava.
- O que me aconteceu foi que passei muito
tempo da minha vida, antes de pisar em Timon, sofrendo e sendo terrívelmente consumida
por outros males que enfrentava. Na verdade eu já vim para Timon trazendo na
bagagem todo o stresse e a depressão que passei em Poços de Caldas, enfrentando
brigas, o desprezo, outras humilhações … E isso enquanto enfrentava o luto por
duas mortes na minha família: a de um tio muito querido e importante para nós e
a daquele que foi meu companheiro por doze anos, meu cachorrinho Sniffer.
Fui para Timon destroçada, acabada e moída,
e ainda por cima contra a vontade de minha mãe. Tentei fingir que lá nada tinha
acontecido ou me afetava, quando na verdade muito tinha afetado.
Tive minha vida lá totalmente mudada e
completamente destruída. E vim para Timon buscar o consolo de um amigo. No
caso, o Henrique.
Mas fui iguinorada por ele também e
enfrentei pessoas piores com situações mais insuportáveis ainda que aquelas que
já tinha deixado para trás. E nisso só se somou todo.
Eu cheguei com minhas estruturas já
muito abaladas de Poços de Caldas, já sem força emocional para pensar e me
defender das coisas absurdas que aqui me esperavam. Minha forma de defesa foi
me portar mesquinha e como uma louca destrindo as pessoas. Diante da falta de
compreenção e colaboração com meus sentimentos já machucados, pois todo mundo
sabia o que passei em minha cidade, eu virei um monstro insensível e destruí a
vida de quem esteve ao meu alcance.
Eu normalmente sou muito sensata, cabeça,
justa e bastante crítica. Sempre resolvi minhas questões envolvendo os demais
cuidando para que todas as partes saíssem ganhando e se vissem satisfeitas. Comigo,
nunca ninguém perdeu. Mas em Timon foi impossível tratar as coisas assim devido
a minha sensibilidade e as pessoas em questão que eram difíceis de lhe dar. Eu tenho
a plena consciencia de que sempre existiu e ainda existe uma forma de resolver
os problemas, principalmente o da minha cunhada e o que a aflige hoje, sem ninguém
perder com isso. Se eu quizesse, colocaria em prática. Mas a questão é que não
quero, porque no caso dela, houve uma maldade intencional por trás de todas as
ações feitas e recentemente por ela confessadas, para mim. E por isso, mesmo
que diga que mudou e que está cheia de boas intenções, mesmo com o acordo do
respeito mútuo, não penso em beneficiar mais ninguém desse meio.
Com tudo, apesar de ter vindo para Timon na
pior hora possível, no pior estado emocional, para enfrentar questões tão
comuns da pior forma, eu estou finalmente ficando melhor. Estou conseguindo
força e recuperando a sanidade que me faltaram antes do mal estourar.
Essa energia boa e escassa está sendo
aplicada no meu futuro e em tudo o que gosto de fazer para distrair a cabeça e
não pensar nas coisas daqui, até chegar o dia deu poder ir embora.
Também está sendo aplicada em sonhos que
agora alimento de reencontrar minha família, de poder conviver com eles mais
uma vez e integrar o Henrique como parte dela.
Chegando lá terei muitas questões a
acertar. Mas para isso ainda tem seu tempo. Primeiro, preciso encerrar o
maldito capítulo Timon da minha vida, para depois começar os melhores que estão
por vir.
Um comentário:
Mari...quantos problemas vc já deve ter enfrentado na vida! Não há nada pior do que mortes na família, esses são realmente os verdadeiros problemas, o resto a gente sempre acaba resolvendo por mais difícil que pareça ser. Te entendo perfeitamente pois perder minha avó e meu avô foi como perder meu chão!
Fico contente que vc esteja readquirindo suas forças e colocando seus planos em ação!
Espero que tudo fique bem logo!
beijos :)
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