sábado, 10 de novembro de 2012

Revolta e desabafo.

Sábado, 10 de Novembro de 2012.



Hoje vim expressar em palavras a minha visível revolta. É que na última segunda-feira, dia 5, pela milhonésima vez que posso contar, tivemos a energia cortada.
Já expliquei em outra oportunidade como é a condição onde vivo. Eu moro numa das metades da grande casa antiga que minha sogra dividiu ao meio para que Henrique, mesmo na vida dele, continuasse perto dela.
Só que a energia dessa casa continuou uma só para todo mundo. Se cortam a dela por falta de pagamento, é obvio que a minha também se vai. E é isso que não aguento mais. Porque desde que moro com a família dele, passo por isso quase sempre. E nem preciso dizer o quanto a situação é desagradável e demais humilhante.

É humilhante não só pelo fato dos visinhos verem o que acontece quase todo mês, mas também por eu não me conformar e não entender como e por que uma pessoa como eu, que nasci onde nasci e fui criada com tanto conforto, tem agora que passar pelo o que eu passo.
Estou muito cansada dessas limitações todas, da falta das coisas nesse lugar. Aqui geralmente falta o básico para um ser humano viver bem, falta comida, a energia vira e mexe é cortada, se não é ela, é a internet ou a aguá… Eu não aguento mais!!

Olha, eu vou aproveitar o momento para desabafar uma coisa muito séria. Algo que nunca peguei para falar mesmo, mas o tenho sempre em consciencia.

Quando começei a namorar Henrique, ao saber de onde ele era e ao cogitar a ideia de, em algum dia, ir parar no lugar, eu lutei e lutei muito até conseguir controlar o lado muito forte e esnobe que eu tenho. Tudo porque nasci em boa família e sempre tive alto padrão de vida e bens materiais.
Saber que estaria indo para um lugar onde me daria com pessoas com condição financeira e status social diferentes do meu, era um prato cheio para os meus preconceitos.
Acontece que tentei ao máximo me fazer humilde, andar vestida simples como todo mundo na rua, me fingir de alguém tão sem coisas quanto todos, tudo para não comprar a raiva das pessoas com quem iria conviver.
E consegui. Me mostrei humilde por dentro e por fora, respeitei e tratei todo mundo igual, sendo que na minha vida em Minas, sempre manti a nojenta mania da clássica menina bem de vida e esnobe acostumada a apontar os menos favorecidos.  Eu convenci as pessoas de que eu não era nada, porque se eu fosse manter a postura que realmente tenho ou vestisse aqui as roupinhas que vestia antes…

Eu sempre me controlei e ocultei meu pedestal. Mas nesses dias eu não me aguentei. Numa incontrolável explosão de fúria, eu disse um monte de coisas horríveis, horríveis que não deixam de ser a verdade, meu lado esnobe dispertando com tudo, enquanto vazava minha raiva em ver a energia mais uma vez sendo cortada. Não por minha culpa, mas pela irresponsabilidade de quem quer nos manter seus dependentes mas não tem um pingo de compromisso com a vida. Inasceitável e mais uma vez revoltante.

O que me consola é que essa realidade de vida do cão vai mudar. Falo da decisão que Henrique e que tomamos de sair de uma vez dessa vida de misérias aqui de Timon, assim como a Ana Vitória, minha cunhada, também irá fazer. Mas sobre isso e em como estão indo as coisas, conto numa outra oportunidade. Hoje não estou afim. Só quero tentar relaxar depois e tantos dias de estresse.


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