Sábado, 06 de Abril de 2013.
Querido confessionário:
Meu dia de hoje, que catástrofe...
Hoje aconteceu um episódio que me deixou péssima o dia
inteiro, com raiva e com vergonha de mim mesma. E que além do mais trouxe a
tona os horríveis sentimentos sobre um antigo e infeliz problema que
normalmente não exponho para as pessoas.
Eram 10h30min da manhã quando o celular tocou e o afobado Mauro,
amigo do Henrique, nos convidou a ir com ele e Elson comer pizza nesta noite.
Elson arrumou uma namorada e queria nos apresentar a ela, pois ele a conheceu na internet, igualzinho aconteceu comigo e Henrique, e por ter contado à moça sobre nós, a mesma queria nos conhecer e trocar algumas ideias. Quando
Henrique disse que não tínhamos dinheiro, Mauro disse que o convite era por
conta dele.
Legal! Pizza no sábado à noite com os amigos e ainda de graça! Quer não quer, não é? :D
Uma pessoa normal teria aceitado o programa sem pensar duas vezes.
Legal! Pizza no sábado à noite com os amigos e ainda de graça! Quer não quer, não é? :D
Uma pessoa normal teria aceitado o programa sem pensar duas vezes.
Só que eu não sou uma pessoa normal. ¬¬
Acontece que antes mesmo da situação ser considerada, rapidamente recusei e dei um daqueles “pitís” medonhos e horrorosos.
Acontece que antes mesmo da situação ser considerada, rapidamente recusei e dei um daqueles “pitís” medonhos e horrorosos.
Comecei a suar pelas mãos e meu coração acelerou no mesmo instante. O medo
misturado com a irritação surgiu ao mesmo tempo, e rapidamente me dei conta de que me
comportava igualzinho e sentia o mesmo pânico diante da ideia de sair de casa, que nem acontecia quando minha mãe tentava me fazer sair e eu pirava.
Na infância isso começou a acontecer do nada, principalmente quando eu era exposta a situações em que me veria no meio de pessoas estranhas. E na adolescência as crises pioraram ainda mais depois que terminei a escola, e a inocente ideia de sair de casa por qualquer razão já era motivo para me trancar no quarto e chorar presa lá feito uma louca.
Na infância isso começou a acontecer do nada, principalmente quando eu era exposta a situações em que me veria no meio de pessoas estranhas. E na adolescência as crises pioraram ainda mais depois que terminei a escola, e a inocente ideia de sair de casa por qualquer razão já era motivo para me trancar no quarto e chorar presa lá feito uma louca.
Ninguém entendia o que se passava comigo, nem mesma eu, e o
que todos apontavam como frescura rebelde, a psicóloga Vânia, que visitei depois
que saí de casa chamou de sociofobia.
Acabou que após as esgotadas tentativas frustrantes, Henrique desistiu da ideia de me convencer a sair. Eu vi que ficou bastante chateado com minha reação, ao mesmo tempo em que pareceu compreender, finalmente, o que acontecia entre eu e minha família toda vez que minha mãe tentava me tirar de casa. Eu sempre contava para ele dos meus surtos por ter medo de sair, mas acho que nunca conseguiu imaginá-los. A cara engraçada que ele fazia enquanto me olhava denotava a expressão “ah, agora tudo faz sentido”, rsrs.
Acabou que após as esgotadas tentativas frustrantes, Henrique desistiu da ideia de me convencer a sair. Eu vi que ficou bastante chateado com minha reação, ao mesmo tempo em que pareceu compreender, finalmente, o que acontecia entre eu e minha família toda vez que minha mãe tentava me tirar de casa. Eu sempre contava para ele dos meus surtos por ter medo de sair, mas acho que nunca conseguiu imaginá-los. A cara engraçada que ele fazia enquanto me olhava denotava a expressão “ah, agora tudo faz sentido”, rsrs.
Normalmente convites do tipo não nos são feitos com frequência. Pra falar a verdade, em quatro anos morando em Timon, nunca Henrique e eu saímos para algum lugar com seus amigos, e exatamente por isso, algumas horas depois, Henrique me fez prometer que sairemos, se surgir outro convite de Mauro.
Mas eu não
me sinto a vontade com a situação. Eu gosto de ter amigos, de ter pessoas a
minha volta se preocupando comigo. Gosto de receber bilhetes e ligações, mas convivência diária com qualquer criatura humana e ainda no meio social já é
uma questão complicada. Mais que um teste: um desafio em constância a minha resistência e nervos, rsrs.

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