Quarta-feira, 17 de Abril de 2013.
Querido confessionário:
Eu sempre fico sabendo por pessoas daqui da rua – gente que
se lambuza numa fofoca e adora ver o circo pegar fogo -, que minha sogra
continua inventando maldades a meu respeito para horrorizar os vizinhos, e
estes por sua vez me verem com maus olhos. Tudo por ciúme e raiva não superados
por estar dividindo as preferências do filho comigo.
Pra falar a verdade, eu sempre tive a consciência de que ela
nunca parou com suas maldades pra mim, e nem vai. Ela vai morrer me odiando e amaldiçoando
o dia em que não apoiou o Henrique para ficar com a colega de trabalho dele que o
amava, uma mulher de trinta e sete anos e que tinha duas filhas.
Uma história
absurda!
Isso aconteceu em 2008, quando ele ainda era um bebe de
dezenove anos e namorava comigo pela internet. Ele nunca sentiu nada pela tal velha,
mas sua mãe, doida varrida da cabeça e atrapalhada das ideias, levou a sério o
boato de que a zeladora da faculdade onde Henrique trabalhava estaria
apaixonada por ele, e de vez em quando volta no assunto nos dias de hoje só pra
me magoar. E diz que devia ter apoiado ela a seduzir o filho, ao invés de ter
ajudado me trazer pra Timon.
Eu antes me incomodava muito com isso, sabe, me importava,
chorava e entrava em desespero por saber que ela nunca vai me aceitar. Mas
agora não, nem ligo e nem me importo, não dou ouvidos e nem revido. Só ando na
minha, quieta, calma, indiferente, preservada. Só esperando pelo grande dia da
partida para Minas Gerais e deixando-a se divertir e acreditar que irá me
provocar o resto da vida.
No dia que eu sair daqui com o Henrique, e ela se der conta
de que enquanto quieta, era essa a surpresa que eu reservava para ela, irá se
arrepender até o último dia que tiver na terra por tudo isso que está fazendo comigo.

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