Meus estudos sobre venenos está sendo um sucesso. O único ponto ruim é a carência de informações. Porque na internet, mesmo sendo a internet, nosso grande celeiro onde se encontra de tudo, não possui nem 10% do que compõe o assunto e preciso saber. No mínimo é tática de prevenção, para evitar que uns e outros por aí saem usando do conhecimento para fins maldosos. Li comentários de gente que queria pequenas receitas para matar o próprio pai. Já outros queriam para matar a sogra, os cunhados, o cachorro do visinho, um rival de trabalho…
Ou se auto-destruir…
Gente doida e que não é o meu caso, hehe.
Então, se eu quizer mesmo me aprofundar, tenho que recorrer à formas primitivas e ilegais para minhas pesquisas, através de livros no mercado negro.
O gosto é um tanto diferente, adimito. Talvez estimulado pelos grandes livros de aventura que gosto, em que suas principais heroínas são atraídas e fascinadas pela mesma arte. Mas nem consigo me lembrar quando foi que começou minha atenção pelo assunto.
A única coisa que sei é que não é o meu interesse principal, nem o que mais gosto. É apenas um paralelo, movido pelo fascínio em querer aprender tudo sobre a arte dos venenos.
Há um estranho prazer ao se envolver com a coisa, estudar, pesquisar, conhecer, saber preparar soros, antídotos e até o próprio veneno. É uma sedução quase apaixonante.
Descobri um que simula ataque cardíaco. Achei doido. E ao mesmo tempo sinistro. É um tipo de veneno interessante, e nada difícil de preparar. Basta ter em mãos inofensivos ingredientes, que por sinal encontramos na cozinha.
Existe os mais variados, dos mais numerosos efeitos. Vão desde levinhos até os poderosos letais.
Só está difícil encontrar um que atenda algumas pequenas exigências: que não tenha cor, gosto ou cheiro. E de preferência que não apareça em exames de necrópsia. Parece um tanto extraordinário, mas é possível. E fazer com que sua forma de ataque seja pelo ar é um desafio. Tudo indica que o sucesso de sua fabricação e efeitos dependam apenas de boa preparação, criatividade em fazer as misturas e conhecimento em botãnica pesada.
Coisa que, com certeza, uma grande mestra em venenos sabe fazer. E com um pouco mais de estudos, eu ainda chego lá.

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