Essa noite eu tive um sonho pra lá de doido, desses que me fazem levantar com a pulga atrás da orelha.
- Eu estava na casa da minha amiga Bruna Mara, que no sonho era do outro lado da rua, de onde podia ver minha casa.
Eu esperava lá o Henrique chegar não sei de onde, pois tinha saído sem mim num sábado de tarde.
( Hum, só em sonho mesmo para isso acontecer).
Pois bem, eu o aguardava distraída e não vi quando um portão que na verdade não temos se fechou. Era ele quem voltava. Só que trazia consigo uns amigos, pessoas que nunca vi na vida. Eu me aproximei. Eram nove rapazes e uma moça, linda, loura. E eu, com raiva por descobrir que arranjara uma amiga, esperei que Henrique se distanciasse para cortar o pescoço dela, bem no momento em que o sonho acabou.
Eu nunca avancei dessa maneira em qualquer menina que tenha se aproximado do Henrique, enquanto eu estava perto. Mas garanto que esse será o provável fim de toda e qualquer uma que queira e teime arriscar ultrapassar a linha de perigo. Mesmo que seja da família.
Uma confissão: eu não gosto e nem deixo o Henrique ter amizades famininas. O meu ciúme não é bem um medo de traição. Porque além deu muito confiar nele, que só tem olhos pra mim, ele não é assim um padrão muito cobiçado pelas mulheres. Por isso, nunca tive problemas.
A questão é sua gentileza.
O que Henrique é para mim é algo único, indescritível, e sagrado. O nível da nossa amizade, do carinho, da cumplicidade que temos e dos sentimentos que ele tem por mim, além da preocupação e da importancia que me dá, são tudo. É especial. É algo que vivo e não há palavras que descrevam a sensação de ter alguém tão legal com você.
E é justamente porque é assim que não gosto e nem adimito que ele seja do mesmo jeito pra mais ninguém. Menos ainda se for outra menina, alguma amigazinha tosquinha, aproveitando algo que pode gostar, acostumar ou até se apaixonar, e que me pertence.
Para evitar essas fuinhas, não dou mole mesmo, não permitindo que mulher nenhuma entre na vida dele. E pra família não tem exceção.
Certa vez tive que confessar: se a irmã não tivesse criado primeiro as brigas por conta de ciúme, com certeza eu iria ter problemas até hoje para dividí-lo com ela. No começo nem tanto, mas depois que passei a não aguentar mais sua cara, para mim havia se tornado difícil e terrívelmente penoso aceitar que ele fosse gentil com ela, e que assim seria para o resto da vida que estivesse com ele. Afinal, eram irmãos. Mesmo em casas separadas, um sempre viria atrás do outro. E o chato era que, realmente, ele era muito legal com ela.
Nesse sentido Vitória não é mais problema. Mas existem as primas, as filhas das tias que, agora, com a reaproximação do Henrique na família, teimam e ficam nessa de querer conversar com ele, comprimentar e abraçar, só porque acham que podem, por conhecê-lo antes de mim.
Dá pra ver o assanho com que se aproximam. E o traste parece que gosta.
Pode até ser que o tenham conhecido antes, mas nos dias de hoje, ele é MEU.
Por isso baixei a lei: amizade com outra mulher além deu, NEVER!
Eu tenho ciúme sim e cuido do que é meu.
E pelo menos esse tesouro que descobri eu não divido com ninguém.

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