quarta-feira, 13 de junho de 2012

A história de uma pestinha em minha vida.

Quarta-feira, 13 de Junho de 2012.


Hoje, sem um motivo aparente, decidi falar sobre uma pestinha que passou pela minha vida. Pensando bem, até tenho um motivo. Porque segunda feira, quando fui pintar os cabelos de minha sogra e conversávamos, perguntou pela milhonésima vez o que foi feito da gata que ela me dera.
E mais uma vez, me sentido encabulada com sua preocupação, resolvi escrever para desabafar a turbulenta história que tive com a peste daquela gata, rsrs.

A vida toda criei cachorros. Eu gosto de animais. Mas nos dias de hoje, por falta de espaço, eu crio gatos. Desde Janeiro eu estava com 4 filhotinhos em casa. Seriam 5, se uma das feminhas não tivesse morrido ao nascer. Então ficaram os machos Pudim (o nome de meu doce favorito), Robbie (nome de um coelho fantasma de Silent Hill), Peppe (uma homenagem ao Peppe Le piu, dos Loney Tunes), e Nariko(homenagem a uma guerreira do game Heavenly Sword), como única menininha.
Como não os deixei serem criados pela mãe, tratei eu mesma de cuidar os mantendo quentinhos e sempre alimentados pela seringuinha. Ninguém imagina a quantidade de leite e o tamanho da responsabilidade ao assumir uma ideia dessas. Mas foi uma experiencia deliciosa para mim, e Henrique. Praticamente fomos pais. :)

Eles cresceram, desenvolveram, mas de Maio pra cá nem todos estão mais comigo. Hoje só estou com 2: Peppe, o pretão meu xodó e Nariko, a gata branquinha que é a cópia física de sua avó, Ninha. Os outros dois foram um caso de desgaste.
O Pudim foi adotando um comportamento que excedia os limites de tolerancia. Sua tara por comida o obrigava a atacar tudo dentro de casa, embusca do que queria. Na noite em que derramou nossa última jarra de óleo para frituras, foi a gota. Na mesma hora tive que dar uma volta pelo bairro e abandoná-lo em um terreno, após decidir com Henrique que um gato dando esse trabalho não poderia ficar em casa.
Depois foi a vez de Robbie, que apresentou um problema mais sério. Sem nenhuma explicação começou a sofrer de nocrofagia. Para quem não sabe, nocrofagia é quando o animal começa a ingerir o próprio cocô. Isso é até comum no cachorros, mas no gato é raro. E se está fazendo é porque está com problemas psicológicos.
Somando isso aos demais problemas comportamentais que vinha apresentando, como a recusa em usar a caixa de areia, bater nos irmãos e agressividade, Robbie teve o mesmo fim que o Pudim, há poucas semanas atrás.

Mas nenhum outro gato que tive me deu mais trabalho, testou mais a paciencia e me fez mais raiva que a mãe desses gatinhos: a pestinha Yvi.
 - Yvi caiu por acaso de paraquedas em minha vida.Certa manhã o Henrique apareceu com ela, uma gatinha preta malhada, vinda da casa de minha sogra. Mesmo com todos os preconceitos de que gatos são ariscos e traiçoerios decidi criá-la. Yvi logo se sentiu em casa, e eu logo me apeguei a ela.
Durante os primeiros meses foi uma convivência fantástica. Obedecia, usava sua caixinha, comia a ração…Mas a medida que foi crescendo começou a mudar.
Logo saiu pra rua e atraiu outros gatos para dentro de casa. Vendo os gatos vadiarem, consequentemente deixou de ser obediente. Começou a passar muito tempo fora de casa. As vezes só voltava para comer.Descobri que fuçava o lixo na rua e trazia parte dele para comer dentro de casa. E logo a relação com Yvi se tornou difícil.
A gata não mais obedecia em nada. E quando apanhava, ficava pior. Saia correndo feito louca pra rua. E passava horas desaparecida.
Outro dia apareceu com o pé quebrado, pendurado só na pele, e ela, toda suja de esgoto. Eu nunca soube o que aconteceu com aquela louca, se havia sido alguém que a machucara de propósito. Mas de algo tinha certeza: Se Yvi continuasse assim não daria mais para ficar com ela.
Quando finalmente sarou, continuou as travessuras, dessa vez entrando nas casas dos visinhos para roubar comida. E toda vez que alguém a chingava por lá, era eu quem me sentia mal. Todo mundo sabia que a gata preta do pé torto e coleira cor-de-rosa, era minha.
Certa vez ela aprontou uma que resultou na sua primeira expulsão de casa. A Yvi era muito temperamental. Emburrava e fugia como uma criança má educada. Num dia em que acabou a ração e não se contentou em ganhar menos, fugiu e desceu o muro para o quintal de minha sogra. Aproveitei sua ausencia e pulei para lá atrás daquela doida. E na mesma hora descidi dar um basta, e andei 5 quarteirões para dar um fim na gata.
Mas depois de 4 dias ela voltou, e acabou ficando por 3 meses, até que finalmente pariu os 4 gatinhos que tenho hoje.

Mas durante esse período, Yvi piorara e muito de comportamento, principalmente quando eu lhe batia para educar. Começou a ficar com medo, arisca, rebelde, agressiva e nossa relação foi de vez pro inferno.
Toda vez que apanhava em casa, ela corria para a da minha sogra, que foi onde nascera, e ficava horas infurnada no cantinho do telhado do banheiro dela.
E depois que descobri que ela entrava lá e minha cunhada aproveitava para brincar com a gata, não aguentei. Peguei um ódio cego e decidi da um fim definitivo.
Dias depois de sumida, aparecendo somente nos teclados, sem entrar em casa, Yvi voltou e dera a luz aos gatinhos. Como decidi mandá-la embora, evitei o maximo possível que se apegasse com seus filhinhos. Isso a deixou com mais raiva, ao ponto de ficar no telhado rosmando, depois que eu a mandava para fora.
Pela segunda vez a larguei em um terreno baldio, mais longe, e de novo ela voltou. Mas na terceira não houve um volta. Fui até Teresina atravessando a ponte e a larguei por lá.
Nunca mais eu soube da gata, mas acredito que não esteja mais viva. Apesar que tinha forças para brigar comigo, depois que dera a luz e passara dias sem comida ficara muito debilitada.
Desde então, minha sogra, desde a volta do nossa convivencia tem perguntado pela gata. Na primeira vez insinuou que a filha era quem sentia falta das visitas dela. E eu logo retruquei que a gata era minha, a outra não tinha nada que dar falta, mas as perguntas não pararam, sempre tentando descobrir para quem a demos.
Honestamente, Henrique e eu achamos que ela desconfia que a abandonamos, ou que simplesmente queria a gata de volta. Mas a uma conclusão eu cheguei: a minha sogra não gosta de gatos. Sempre usou Henrique e eu como cúmplices para dar fim em todos os da filha. Me sentia criminosa ao ajudá-la enxer os sacos com gatinhos para jogar no rio. E sei que ela mandou matar a Ninha, avó de meus gatinhos porque Henrique reclamava dela fazendo cocô na nossa casa. Acho que ela queria a Yvi de volta para a Vitória…
Minha sogra nos contou que ela reclamara de volta, há um longo tempo atrás, a única gatinha preta que tinha na cria da Ninha. E parece que ela gostava de gatos pretos.


Pensamentos a parte, depois de tudo isso eu percebi que cometi inúmeros erros. Foi pesquisando e lendo muito sobre gatos que constatei que, quase todas as pessoas que não se dão bem com o felino é porque quer criá-lo como se fosse um cachorro. São animais completamente diferentes, com hábitos, manias e formas de tratamentos também distintos. Os cachorros são animais mais obedientes, fácil habituáveis e companheiros. Se adáptam ao dono. Já os gatos não. São terrívelmente sensíveis, temperamentais, independentes e seletivos. Qualquer coisa que os desagradem já é motivos para rebeldia. Sem falar que odeiam apanhar e quando bravos, adoram se vingar na casa e nas coisas do dono. Deixá-lo sem comida então é pedir para declararem guerra!

Então, fica a dica pra quem quer arriscar a criar esses terríveis bichinhos, rsrs. Não que sejam a melhor companhia, mas gatos tem lá os seus encantos. Quando tratados muito bem, podem se  transformar nas criaturinhas mais afetuosas possíveis!
É o que fiz com os filhotinhos. Ensinei o amor pra eles, e os acostumei a gostar de carinho. Eles chegam ao ponto de pedirem, como os cachorros fazem!

O próximo passo será ensiná-los a dar a patinha, rsrs.

Pudim e Robbie: dois casos de desgaste. Infelizmente, teve que terminar assim.  =/












* Peppe, o xodó pretão e Nariko, única menininha, e muito parecida com sua avó.















*
E abaixo, a pestinha Yvi, a mamaãe dos gatinhos. Tão travessa, tão temperamental... 
Me causou muitos problemas.



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