- 15:27. Tarde.
Querido diário:
É bom me sentir feliz outra vez, leve, livre de medos e da tristeza exagerada. Sabe, eu tenho me sentido assim desde que pude viajar pra Poços e pude resolver todos os monstros que me atormentavam e que estavam na minha cabeça.
Depois do que aconteceu entre minha família e eu, todo mundo ficou – inclusive eu mesma – numa expectativa muito grande de como seria o reencontro entre eles e eu quando eu finalmente voltasse um dia pra Poços. Todo mundo ficou a espera do que aconteceria. Pois bem, eu posso dizer que tudo correu melhor que eu esperava! =]
Logo quando cheguei à cidade, a segunda pessoa que decidi visitar foi a minha mãe, (pois a primeira foi a minha amiga Kary =] ). Na sexta feira de manhã, eu e Henrique caminhamos a Joao Pinheiro para ir à seu trabalho.
Durante o trajeto todo eu fui confiante. Fui acreditando que seria um reencontro positivo. Mas não nego que por trás fiquei nervosa. Tudo o que eu queria saber era como ela me receberia depois de tudo.
Há 4 anos, minha mãe e eu fomos definitivamente separadas por nossas diferenças. Depois da horrível briga onde aconteceu a coisa da qual menos me orgulho na vida, fui embora pra Timon, a cidade do meu namorado virtual, e assim nunca mais vi minha mãe.
Para alguém que na época me renegou como filha, minha mãe Suzana me recebeu de braços abertos. Ela se emocionou em me ver, me abraçou, sorriu! E assim passamos 1 hora em sua sala particular no colégio onde é secretária. Ao final de uma agradável e calorosa conversa entre ela, eu e Henrique, ao desejo dela marcamos uma pizza para a noite do dia seguinte. Nós então jantamos juntos. Minha irmã Dianne também esteve presente. Ela e eu também trocamos nossas palavras mas confesso que logo no início não pude deixar reparar o quão ficara calada enquanto parecia evitar me olhar. Cheguei até pensar que não se dirigiria a mim até o final do jantar, mas aí, conforme assuntos foram surgindo na mesa, a boa e velha Dianne que sempre adorei foi se apresentando gradativamente para o alívio do meu coração.
No final, diário, foi uma noite mais que agradável a que nós quatro passamos juntos, e logo na manhã seguinte, me entreguei a outra carga de emoções pois resolvi levar o Henrique para conhecer a minha antiga casa, o apartamento da minha mãe no Santa Ângela, e confesso que foi um dos momentos mais difíceis pra mim. Foi no caminho, onde gradativamente fui reconhecendo cada rua, cada detalhe que eu lembrava, que me bateu uma saudade antiga e há muito reprimida de tudo aquilo que eu conhecia; invadiu-me de repente uma vontade furiosa de querer voltar pra casa e pra aquele lugar onde sempre foi o meu lar. Mas eu sabia que naquela altura dos acontecimentos não era mais possível eu voltar para a minha condição antiga, vivendo com minha mãe, e por isso, tive apenas que me contentar em estar de passagem - de passagem no meu próprio lar.
Em “casa” eu fui muito bem recebida. Matei saudades de tudo o que já foi meu e matei saudades também da minha avó, a pessoa de quem mais sinto falta atualmente principalmente quando preciso de alguém pra conversar e me dar conselhos.
Meu irmão Peterson eu vi só depois, no emprego dele. Ele montou uma Lan House com o amigo Ian, lá no bairro do serrote (o barra pesada, que todos dizem ser a favela de Poços de Caldas), e por isso ele anda meio sem tempo. Ele também me recebeu muito caloroso e sorridente. Estava também muito orgulhoso de mostrar o próprio negócio que agora comandava. Ele está muito diferente, eu pensei o tempo todo comigo, bem diferente daquele preguiçoso sem expectativa de futuro que só assistia séries em casa enquanto o resto da família trabalhava; muito diferente daquele bruto e animal que me espancou na noite da minha briga com minha mãe.
Sendo sincera, me senti muito orgulhosa do irmão que eu tinha.
Mas, por causa do curto tempo que eu tinha de estada em Poços de Caldas, foram poucas as vezes que eu vi minha família, apenas três dias. Mas estes foram o suficiente para eu entender muita coisa e tirar as impressões erradas.
Descobri que depois de tudo minha família seguiu sim, em frente, mas porque foi preciso, a vida exigiu. E ao contrário do que eu ficava imaginando e o tempo todo me torturando devido a difícil comunicação entre a gente, eles também não me abandonaram. É claro que a convivência ainda não é exatamente a mesma coisa, mas, a forma como fui recebida e tratada – com alegrias e boas impressões que minha mãe tirou de mim -, provou que minha mãe até já esperava pelo dia em que fosse me encontrar.
Foi muito gratificante para eu perceber que ela notou que eu mudei, que amadureci. Já é o primeiro passo para que tudo fique bem entre nós, de uma vez por todas.
E agora, estando muito mais tranquila com as coisas que agora sei e vi estou bem mais animada para me mudar pra Poços, porque agora sei que terei a minha família completa e por perto, me ajudando e me protegendo.
É bom me sentir feliz outra vez, leve, livre de medos e da tristeza exagerada. Sabe, eu tenho me sentido assim desde que pude viajar pra Poços e pude resolver todos os monstros que me atormentavam e que estavam na minha cabeça.
Depois do que aconteceu entre minha família e eu, todo mundo ficou – inclusive eu mesma – numa expectativa muito grande de como seria o reencontro entre eles e eu quando eu finalmente voltasse um dia pra Poços. Todo mundo ficou a espera do que aconteceria. Pois bem, eu posso dizer que tudo correu melhor que eu esperava! =]
Logo quando cheguei à cidade, a segunda pessoa que decidi visitar foi a minha mãe, (pois a primeira foi a minha amiga Kary =] ). Na sexta feira de manhã, eu e Henrique caminhamos a Joao Pinheiro para ir à seu trabalho.
Durante o trajeto todo eu fui confiante. Fui acreditando que seria um reencontro positivo. Mas não nego que por trás fiquei nervosa. Tudo o que eu queria saber era como ela me receberia depois de tudo.
Há 4 anos, minha mãe e eu fomos definitivamente separadas por nossas diferenças. Depois da horrível briga onde aconteceu a coisa da qual menos me orgulho na vida, fui embora pra Timon, a cidade do meu namorado virtual, e assim nunca mais vi minha mãe.
Para alguém que na época me renegou como filha, minha mãe Suzana me recebeu de braços abertos. Ela se emocionou em me ver, me abraçou, sorriu! E assim passamos 1 hora em sua sala particular no colégio onde é secretária. Ao final de uma agradável e calorosa conversa entre ela, eu e Henrique, ao desejo dela marcamos uma pizza para a noite do dia seguinte. Nós então jantamos juntos. Minha irmã Dianne também esteve presente. Ela e eu também trocamos nossas palavras mas confesso que logo no início não pude deixar reparar o quão ficara calada enquanto parecia evitar me olhar. Cheguei até pensar que não se dirigiria a mim até o final do jantar, mas aí, conforme assuntos foram surgindo na mesa, a boa e velha Dianne que sempre adorei foi se apresentando gradativamente para o alívio do meu coração.
No final, diário, foi uma noite mais que agradável a que nós quatro passamos juntos, e logo na manhã seguinte, me entreguei a outra carga de emoções pois resolvi levar o Henrique para conhecer a minha antiga casa, o apartamento da minha mãe no Santa Ângela, e confesso que foi um dos momentos mais difíceis pra mim. Foi no caminho, onde gradativamente fui reconhecendo cada rua, cada detalhe que eu lembrava, que me bateu uma saudade antiga e há muito reprimida de tudo aquilo que eu conhecia; invadiu-me de repente uma vontade furiosa de querer voltar pra casa e pra aquele lugar onde sempre foi o meu lar. Mas eu sabia que naquela altura dos acontecimentos não era mais possível eu voltar para a minha condição antiga, vivendo com minha mãe, e por isso, tive apenas que me contentar em estar de passagem - de passagem no meu próprio lar.
Em “casa” eu fui muito bem recebida. Matei saudades de tudo o que já foi meu e matei saudades também da minha avó, a pessoa de quem mais sinto falta atualmente principalmente quando preciso de alguém pra conversar e me dar conselhos.
Meu irmão Peterson eu vi só depois, no emprego dele. Ele montou uma Lan House com o amigo Ian, lá no bairro do serrote (o barra pesada, que todos dizem ser a favela de Poços de Caldas), e por isso ele anda meio sem tempo. Ele também me recebeu muito caloroso e sorridente. Estava também muito orgulhoso de mostrar o próprio negócio que agora comandava. Ele está muito diferente, eu pensei o tempo todo comigo, bem diferente daquele preguiçoso sem expectativa de futuro que só assistia séries em casa enquanto o resto da família trabalhava; muito diferente daquele bruto e animal que me espancou na noite da minha briga com minha mãe.
Sendo sincera, me senti muito orgulhosa do irmão que eu tinha.
Mas, por causa do curto tempo que eu tinha de estada em Poços de Caldas, foram poucas as vezes que eu vi minha família, apenas três dias. Mas estes foram o suficiente para eu entender muita coisa e tirar as impressões erradas.
Descobri que depois de tudo minha família seguiu sim, em frente, mas porque foi preciso, a vida exigiu. E ao contrário do que eu ficava imaginando e o tempo todo me torturando devido a difícil comunicação entre a gente, eles também não me abandonaram. É claro que a convivência ainda não é exatamente a mesma coisa, mas, a forma como fui recebida e tratada – com alegrias e boas impressões que minha mãe tirou de mim -, provou que minha mãe até já esperava pelo dia em que fosse me encontrar.
Foi muito gratificante para eu perceber que ela notou que eu mudei, que amadureci. Já é o primeiro passo para que tudo fique bem entre nós, de uma vez por todas.
E agora, estando muito mais tranquila com as coisas que agora sei e vi estou bem mais animada para me mudar pra Poços, porque agora sei que terei a minha família completa e por perto, me ajudando e me protegendo.

2 comentários:
Oi florzinha,
Sabe que eu fico aqui imaginando o tamanho do peso que saiu das suas costas...vc ter tirado da frente essa dúvida tão cruel que te assombrava sobre como estavam as coisas na sua cidade natal, sobre como estavam as pessoas em relação a vc e tudo mais, tirar esse peso todo do coração deve estar fazendo vc flutuar...
Claro que a situação ainda não é ideal visto que vc ainda não saiu dessa cidade horrorosa, mas já melhorou muito, pois agora seus caminhos estão abertos e promissores!!!
As mágoas que vc deixou em poços de caldas quando partiu naquela vez, na minha opinião contribuíram muito para as coisas ruins que aconteceram com vc em timon, pois creio que a energia de tristeza que vc sentia facilitava a intromissão de energias ruins como a da sua sogra na sua vida!
Que gracinha vc ter matado as saudades da sua mãe, da sua vó, de todo mundo que ficou lá...deve ter sido uma emoção sem tamanho!
Fico na torcida para que voltem logo e de uma vez por todas para esse lugar tão especial que um dia foi e um dia novamente será o seu lar!
bjinhos amiga, bom feriado
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