segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Um desabafo infantil.

Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013.
- 00:05. Madrugada. 

Querido diário:
Preciso confessar um coisa,
que no momento, no meu coração, estou sentindo:
Às vezes acho,
que,
apesar dos novos rumos que minha vida agora está tomando,
apesar das promessas de um futuro lindo a se desdobrar,
apesar de que eu sei que vou, sim, me dar muito bem nessa vida,
ainda assim, um fato ainda me faz sentir vontade de chorar infantilmente.
É triste, eu ainda não deixo de pensar:
que posso até ter a minha casa,
me casar e ter filhos, ser rica ou famosa,
posso até viajar o mundo ou atingir um sucesso profissional monstruoso.
Ainda assim,
eu nunca irei superar o fato
de ter sido expulsa de casa. De ter saído de lá contra a minha livre vontade.

Não. Não aconteceu nada no dia de hoje que tenha me deixado assim.
E tão pouco estou enfiada em melancolia.
É só apenas – saudade,
e um pouco de medo também.
Medo constante de enfrentar o mundo enquanto ainda me sinto despreparada, desamparada e sozinha. 
Medo e insegurança, além do sentimento horrível de abandono ao perceber de olhos abertos que realmente estou desprotegida neste mundo tão grande, peregrinando sem rumo por qualquer lugar, deixando os ventos me levarem.
É como se eu estivesse trilhando caminhos que não são os meus,
a mercê de toda coisa boa ou ruim que aparecer.

Eu sei que tem gente que me diz e acredita que um dia eu vou melhorar, vou esquecer e superar o que passou. Mas a verdade é que não sinto isso.
Eu sinto
que mesmo que eu seja muito feliz e realize todos os meus desejos mais íntimos durante a vida,
eu nunca estarei de todo superada do trauma de ter perdido o meu lar. 






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