Sexta-feira, 26 de Julho de 2013. * terceira postagem.
Querido confessionário:
Essa semana também foi marcada por um passo importante que dei para uma libertação pessoal, ao excluir o perfil de uma pessoa do meu Facebook, uma garota, por quem eu alimentei por anos uma estranha obsessão.
Se eu contasse isso para as pessoas, algumas achariam graça, outras nem tanto. A maioria talvez pensasse que é no mínimo estranho. E justo por não entenderem metade das minhas razões e sentimentos a respeito do caso, por isso mesmo nunca compartilhei isso com ninguém, a não ser Henrique, que tomou conhecimento de tudo recentemente.
Ania era o apelido que ela usava na internet. Era da cidade de Imperatriz no Maranhão e tinha apenas quinze anos quando a conheci no Orkut em 2007, quando a rede social era febre. Comecei uma amizade normal com a Ania assim como foi com todo mundo na época. Mas Ania tinha algo de diferente. Ela era engraçada, divertida, séria e muito inteligente. Não tinha nada de fofa nem meiga. Pelo contrário, era até grossa e todos a amavam mesmo assim. Tinha gostos e um jeito muito requintado, a escrita do português, impecável. Com isso ela se expressava bem, atraía as pessoas e era muito educada. Ania tinha personalidade. E eu nessa época, ainda sem a minha própria e cheia de crises pessoais, a invejava muito por isso.
Ania se tornou para mim um problema quando quis se tornar amiga do meu pequeno circulo de amigos virtuais, inclusive do Henrique. Era sobre ela que eu me referia nas postagens “A noite da decepção” e “ A gota”, todas escritas ainda em 2009. Escrevi o quanto eu estava revoltada com ela por sempre aparecer quando era para ela não o fazer, além de também expressar o quanto fiquei chateada por descobrir que Henrique colocou comentários carinhosos nas fotos de Ania. Por causa disso a inveja que eu sentia dela virou ciúme, e esse ciúme se transformou em raiva que engajou uma disputa entre nós duas por popularidade entre os amigos virtuais que eu julgava serem somente meus. Ania sempre ganhava.
Essa coisa que eu tinha com ela, sem eu perceber, se transformou numa obsessão. Eu sentia a estranha necessidade de estar vigiando e absorvendo a vida da Ania. Eu ficava atrás de fotos dela, das músicas e de tudo o que gostava, nas coisas que ela escrevia. E pior: tudo eu colecionava e guardava secretamente esse material no meu computador. A loteria foi o dia que descobri que Ania tinha um diário virtual como o meu, o que virou um prato cheio para alimentar a minha mania de perseguição que eu tinha com ela.
Eu mantive esse segredo do que passava por causa de Ania, por anos, até dividir ele com Henrique recentemente. Ele acha que minha obsessão era somente porque eu a odiava e a enxergava como uma ameaça por eu julgá-la melhor que eu; quase como o que minha cunhada fez comigo quando se sentiu ameaçada pela minha personalidade diferente da dela.
Mas quando eu atingi uma certa idade e finalmente descobri quem sou eu e passei a assumir minha própria personalidade, meu grau de obsessão por Ania praticamente se extinguiu, pois passei a me ver muito mais interessante do que ela, eu passei a me amar e respeitar meus gostos.
Hoje, sete anos depois, finalmente e, bem nessa semana, dei o passo que faltava para libertar-me de vez ao excluí-la do meu perfil do Facebook. Ania e eu já não conversamos mais faz três anos, desde a nossa briga, mas mesmo assim eu precisava ficar olhando o que expunha em seu perfil.
Quando eu saí de Minas e vim morar com Henrique, no Maranhão, Ania disse que viria para Timon nos visitar e juntar a turma, já que sua cidade ficava tão próxima daqui. (fato este que muito me irritou durante o tempo em que eu ainda estava em Minas: saber que ela estava tão mais perto do Henrique, que eu). Mas para cortá-la de vez, precisei agir com ela da pior forma que uma amiga (se é que um dia eu fui isso para ela) pode agir com a outra e fui sincera ao dizer que eu não queria que ela viesse em Timon, porque eu me sentia pequena perto dela e pouco gostava de sua amizade com Henrique. Para a minha bela surpresa, ela disse que sempre soube e sentia tudo o que confessei para ela. Falou que alguma parte dela tentou convencê-la de que era apenas uma impressão equivocada sobre mim. Porém, após ouvir da minha boca o que temia preferiu não insistir. Ania realmente se chateou e se afastou.
Essa semana também foi marcada por um passo importante que dei para uma libertação pessoal, ao excluir o perfil de uma pessoa do meu Facebook, uma garota, por quem eu alimentei por anos uma estranha obsessão.
Se eu contasse isso para as pessoas, algumas achariam graça, outras nem tanto. A maioria talvez pensasse que é no mínimo estranho. E justo por não entenderem metade das minhas razões e sentimentos a respeito do caso, por isso mesmo nunca compartilhei isso com ninguém, a não ser Henrique, que tomou conhecimento de tudo recentemente.
Ania era o apelido que ela usava na internet. Era da cidade de Imperatriz no Maranhão e tinha apenas quinze anos quando a conheci no Orkut em 2007, quando a rede social era febre. Comecei uma amizade normal com a Ania assim como foi com todo mundo na época. Mas Ania tinha algo de diferente. Ela era engraçada, divertida, séria e muito inteligente. Não tinha nada de fofa nem meiga. Pelo contrário, era até grossa e todos a amavam mesmo assim. Tinha gostos e um jeito muito requintado, a escrita do português, impecável. Com isso ela se expressava bem, atraía as pessoas e era muito educada. Ania tinha personalidade. E eu nessa época, ainda sem a minha própria e cheia de crises pessoais, a invejava muito por isso.
Ania se tornou para mim um problema quando quis se tornar amiga do meu pequeno circulo de amigos virtuais, inclusive do Henrique. Era sobre ela que eu me referia nas postagens “A noite da decepção” e “ A gota”, todas escritas ainda em 2009. Escrevi o quanto eu estava revoltada com ela por sempre aparecer quando era para ela não o fazer, além de também expressar o quanto fiquei chateada por descobrir que Henrique colocou comentários carinhosos nas fotos de Ania. Por causa disso a inveja que eu sentia dela virou ciúme, e esse ciúme se transformou em raiva que engajou uma disputa entre nós duas por popularidade entre os amigos virtuais que eu julgava serem somente meus. Ania sempre ganhava.
Essa coisa que eu tinha com ela, sem eu perceber, se transformou numa obsessão. Eu sentia a estranha necessidade de estar vigiando e absorvendo a vida da Ania. Eu ficava atrás de fotos dela, das músicas e de tudo o que gostava, nas coisas que ela escrevia. E pior: tudo eu colecionava e guardava secretamente esse material no meu computador. A loteria foi o dia que descobri que Ania tinha um diário virtual como o meu, o que virou um prato cheio para alimentar a minha mania de perseguição que eu tinha com ela.
Eu mantive esse segredo do que passava por causa de Ania, por anos, até dividir ele com Henrique recentemente. Ele acha que minha obsessão era somente porque eu a odiava e a enxergava como uma ameaça por eu julgá-la melhor que eu; quase como o que minha cunhada fez comigo quando se sentiu ameaçada pela minha personalidade diferente da dela.
Mas quando eu atingi uma certa idade e finalmente descobri quem sou eu e passei a assumir minha própria personalidade, meu grau de obsessão por Ania praticamente se extinguiu, pois passei a me ver muito mais interessante do que ela, eu passei a me amar e respeitar meus gostos.
Hoje, sete anos depois, finalmente e, bem nessa semana, dei o passo que faltava para libertar-me de vez ao excluí-la do meu perfil do Facebook. Ania e eu já não conversamos mais faz três anos, desde a nossa briga, mas mesmo assim eu precisava ficar olhando o que expunha em seu perfil.
Quando eu saí de Minas e vim morar com Henrique, no Maranhão, Ania disse que viria para Timon nos visitar e juntar a turma, já que sua cidade ficava tão próxima daqui. (fato este que muito me irritou durante o tempo em que eu ainda estava em Minas: saber que ela estava tão mais perto do Henrique, que eu). Mas para cortá-la de vez, precisei agir com ela da pior forma que uma amiga (se é que um dia eu fui isso para ela) pode agir com a outra e fui sincera ao dizer que eu não queria que ela viesse em Timon, porque eu me sentia pequena perto dela e pouco gostava de sua amizade com Henrique. Para a minha bela surpresa, ela disse que sempre soube e sentia tudo o que confessei para ela. Falou que alguma parte dela tentou convencê-la de que era apenas uma impressão equivocada sobre mim. Porém, após ouvir da minha boca o que temia preferiu não insistir. Ania realmente se chateou e se afastou.
Desde que moro em Timon, ela nunca mais falou comigo, com Henrique,
com Mauro ou qualquer dos rapazes do grupo de amigos do Orkut que ela chamava
de “Os meninos de Timon”, por serem todos daqui. E eu sinceramente não me sinto
nenhum pouco mal por isso.
Falar o que eu sentia para ela me libertou principalmente da obsessão que eu tinha. Tirou de mim aquela inveja desnecessária e o complexo de inferioridade por me sentir humilhada por alguém tão mais popular. Hoje eu vejo que alcancei uma essência satisfatória depois que o seu afastamento aflorou a minha própria personalidade. A "Senhorita X", como eu gostava de chamá-la em meu antigo diário virtual no ano de 2009, é agora apenas uma ex-amiga que nasceu no virtual e morreu no virtual. E se algum dia alguém me perguntar se em meio a tanta esquisitice que marcou nós duas houve amizade sincera, aí já não poderei responder, ou deverei assumir… que não.
Falar o que eu sentia para ela me libertou principalmente da obsessão que eu tinha. Tirou de mim aquela inveja desnecessária e o complexo de inferioridade por me sentir humilhada por alguém tão mais popular. Hoje eu vejo que alcancei uma essência satisfatória depois que o seu afastamento aflorou a minha própria personalidade. A "Senhorita X", como eu gostava de chamá-la em meu antigo diário virtual no ano de 2009, é agora apenas uma ex-amiga que nasceu no virtual e morreu no virtual. E se algum dia alguém me perguntar se em meio a tanta esquisitice que marcou nós duas houve amizade sincera, aí já não poderei responder, ou deverei assumir… que não.

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