Quarta-feira, 29 de Maio de 2013.
Querido confessionário:
No domingo, quando liguei para minha mãe de novo, a calma e a
delicadeza que usou na voz para me consolar diante dos meus problemas serviu
para levantar todos os ânimos.
Ultimamente eu tenho exposto para minha mãe como as coisas realmente
são em Timon, pois ela nunca fez ideia dos problemas que existem por trás, e tão
pouco o fato de que a família do Henrique nunca fora boa para mim.
Naturalmente ela me passou uma série de conselhos, nada que
eu já não esteja fazendo, mas o que realmente me satisfez foi ela e Henrique terem
finalmente conversado.
Eles já haviam feito isso algumas vezes no passado, quando
eu ainda estava em Minas. Mas por nunca ter aparecido lá em casa toda vez que
prometia ir e marcava uma data, Henrique ficou com vergonha de encarar minha
mãe e nunca mais quis trocar uma palavra com ela. Mas nesse domingo, quando viu
que ela perguntava por ele mais uma vez pra mim ao telefone, achou que já era
hora de parar de evitá-la.
Sinceramente eu mal pude esconder a surpresa e o
prazer que senti em ver os dois se tratarem tão bem. E com razão. Após as tentativas frustradas de criar um ambiente família
com a minha sogra e a minha cunhada, já que eu sempre fiz questão de ter esse
tipo de apoio por perto, o mínimo que achei que eu deveria fazer era desistir
desse vínculo com elas e apresentar ao Henrique o outro lado onde certamente
seríamos bem acolhidos. E minha família, é claro, não me decepcionou.
Além dos meus irmãos e da minha avó que sempre teve pelo
Henrique uma simpatia sincera (ao ponto de chamá-lo de neto), agora que também minha
mãe tratou de dizer no final da conversa que gostou muito do Henrique, já não
tenho dúvidas de que todos em Minas o receberão muito melhor e da maneira que
eu mesma nunca tive o prazer de ser recebida pela família dele. Meu plano gostoso
de transformar em realidade a Operação Família Completa, está dando certo. Já até
sinto o gostinho de ter a família reunida novamente!
Eu não escondo de ninguém o meu desejo de ter uma família, um bem
emocional ao qual me agarrar com todas as suas alegrias, broncas, reuniões de
família, almoços em dia de domingo, piqueniques no parque, natais em volta da
árvore. Tudo! E fiquei bastante chateada quando todos os meus esforços para
construir a mesma estrutura por aqui foram em vão. Mas agora, já não mais lamento
aquilo que não deu certo. Pelo contrário: persevero na ideia de juntar Henrique
na acolhedora família Daronch!
E depois de ajeitarmos nosso lar em Poços e acontecer as
apresentações pessoais, meu próximo passo será apresentar ao Henrique o meu
pai.

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