- Fim de tarde.
Querido diárinho:
Apesar de eu ainda estar me sentindo a ‘esquecida’ do
momento, por um lado, eu não fico muito a me hostilizar com isso não. Eu sei
que muitas das coisas que eu apenas especulo serão explicadas assim que eu
puder voltar para a minha cidade Poços de Caldas. Coisas que pra mim não estão
muito bem explicadas, coisas estas que eu não entendo, como por exemplo: por
que a minha mãe reatou amizade com parentes nossos com os quais ela se recusava
falar fazia anos? Ou então, por que ela dera aos meus irmãos um notebook, guitarra,
bicicleta, câmera digital e comprara um sofá novo pra casa sendo que sempre
alegou não poder comprar tais coisas na época em que eu ainda morava com ela?
O mais curioso é que todos esses móveis e presentes apareceram
por lá na semana seguinte que saí de casa. Nunca entendi por que. E por todos estes
anos enquanto estou fora tudo isso se encontra entalado na minha garganta, me fazendo sofrer
e pensar o pior.
Quando eu chegar lá vou querer a verdade. Assim muitos dos
monstros da especulação, dúvidas e por ques não respondidos deixarão de
assombrar minha pobre cabecinha.
Sabe, eu tento me convencer: as coisas nem sempre são tão ruins
quanto parece . Às vezes elas têm uma boa explicação. Eu torço para ter as minhas,
o mais rápido possível, pois assim voltarei a ter paz e a confiar de novo em
minha família.

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