Sexta-feira, 21 de Junho de 2013.
Querido confessionário:
Com base no inimaginável episódio que aconteceu ontem, agora
que eu fico a pensar numa coisa:
Eu com raiva sou um desastre. Eu com raiva sou mais que
perigosa. Eu com raiva sou inconsequente, e, pior, eu gosto dessa
inconsequência.
Eu com raiva me arrisco. Eu com raiva assumo a forma de algo
catastrófico que não sou. Eu com raiva machuco as pessoas, destruo coisas, falo
o que eu, no meu pouco juízo perfeito, não falaria, e, por isso, as vezes me prefiro
sozinha, pra ninguém me tentar e eu não virar um furacão e entregar o meu
pescoço.
Mas aí eu olho pra trás e percebo que eu na verdade nunca
fui assim. Esse meu temperamento explosivo é circunstancial e novidade em Timon.
Em Poços de Caldas, enquanto vivia com pessoas serenas eu não sabia brigar.
Tanto é que até meu irmão me achava uma frangote covardona e me deu uma
verdadeira aula de luta e outros meios de defesa com suas brilhantes apostilas
do Pai-Mei, um metre nas artes marciais, tudo para eu aprender a me defender e
deixar de ser capacho das meninas da escola e daquelas patricinhas que tinha no meu prédio.
Acontece que suas lições eu aprendi até bem demais e aprimorei
em Timon, onde o campo repleto de criaturas irritantes favoreceu para eu me
desabrochar uma brigona, agressiva e violenta que não mede as palavras e nem
nada do que faz.
Preciso prestar atenção na forma como ajo enquanto ainda
estiver por aqui. Posso estar 100% na razão na hora de conflitar com alguém,
mas, por mais que eu esteja cansada dos abusos que sofro dos aproveitadores, posso acabar me encrencando de verdade se
algum dia, quando perder a cabeça, eu extrapolar igual aconteceu na briga e
discussão que tive com o rapaz do monitor.
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