segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Uma ferida do passado.

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013. 

A boa e aberta relação que tenho com Henrique me permite ter com ele, quando quero, conversas sinceras sobre qualquer coisa. E as vezes nessas épocas fazemos até confissões um ao outro. Podem ser elas segredos do passado, um deslize cometido, um sentimento mal resolvido, uma satisfação necessária.

Eu gosto muito da sinceridade que temos, o que vem nos permitindo a durar tanto tempo juntos com tanto respeito.

Com base nisso, certa noite confessei para ele o motivo real pelo qual aceitei a ser sua namorada pela internet, o que o chocou bastante, porque até então ele acreditava naquilo que sempre enxergou e achou que havia acontecido: que me apaixonei perdidamente e a primeira vista, assim como ele por mim. E enlaçados por esse sentimento forte nos mantivemos juntos até nos encontrar.
Na verdade em parte até foi assim, mas antes que eu realmente me apaixonasse, minha intenção de namoro com ele era apenas uma brincadeira que acabou se tornando séria. E de novo, igual na confissão de ontem, Henrique só teve a infeliz sorte de entrar na minha vida por mais uma carência e tolice minha feita no meu passado. Na verdade, tentei usá-lo para esquecer alguém.

- Tudo começou no ano de 2001, quando eu tinha 14 anos. Conheci na escola aquele que mais tarde seria o meu melhor amigo e o rapaz com quem eu mais iria me importar para o resto da vida, chamado Rafael. Esse Rafael e eu temos a mais especial e bonita história de amizade da qual falarei em alguma oportunidade, não hoje, e que nos uni numa espécie de laço de juramento eterno.
Acontece que em 2004, quando eu já estava com 17 anos e ele 15, ele aprontou uma que abalou muito essa nossa convivência, algo do qual também falarei numa outra ocasião, e que me fez entrar em colapso, pois não aguentei me ver separada dele. E depois que me senti traída por sua punhalada em minhas costas, junto com outros motivos entrei numa depressão total e nesse período ficamos separados por três longos anos.
Quando eu fiz 20 anos em 2007, já curada dessa depressão, ferida e ainda com bastante raiva pela dor que me causava sua ausência interminável em minha vida, decidi que precisava urgente de um novo melhor amigo, alguém que pudesse preencher os vazios e lacunas de igual modo. Alguém que pudesse de vez substitui-lo.
Assim eu decidi e assim eu fiz. Bati meu pé no chão, enxuguei as últimas lágrimas, rasguei as cartas dele e firmei comigo mesma o compromisso de arrumar um novo melhor amigo para substituir o Rafael. 

E é aí que o Henrique entra na história. Eu o encontrei na internet meses mais tarde, no fim de 2007. Contei para ele todo o meu drama com o meu melhor amigo ausente. Cheguei a comentar que o colocaria no lugar de Rafael, em meu coração, mas não contei para ele que no começo só aceitei namorá-lo para esquecer o outro. E como Henrique residia a três estados de distância de mim, não achei que um dia apareceria na minha porta cobrando um sentimento verdadeiro.
Só que o tempo passou e a brincadeira foi se tornando séria. Até chegamos a terminar uma vez. Mas quando ele começou a pedir para voltarmos, acabei apaixonada de verdade por Henrique e fizemos planos de ficarmos juntos para sempre. 

Hoje estamos firmes e fortes, apesar dos lamentáveis capítulos em que sua mãe e a irmã quiseram nos separar. Estamos nos enchendo de planos de casarmos diante de um padre e construir uma família juntos, em Poços de Caldas. Mas vou confessar que, em momentos isolados em que as coisas correm estranhas, me pergunto se realmente o sentimento que tenho pelo Henrique é sincero, se não é apenas uma extensão equivocada daquela carência que me motivou a aceitar seu pedido de namoro apenas para esquecer “o outro”. 

É claro que não seria justo para ele depois de tudo o que passamos e, depois de certas “coisas” já não serem mais as mesmas em parte por minha culpa, se eu descobrisse que na verdade não o amo, que apenas sinto respeito e carinho por nossa amizade e que talvez fosse a hora de assumir que por uma ideia idiota de fazer raiva para o Rafael, acabei por usar tão seriamente os sentimentos do Henrique por todo esse tempo. 

Mas eu sei que no fundo não é bem isso. Porque assim como sei que Henrique sempre foi e é completamente apaixonado por mim, também sou por ele. Admito que no início eu o tenha usado. Mas hoje tenho reais sentimentos por ele e sei que eu ficaria louca se me visse longe dele por um pouco mais que o necessário.
Só não entendo uma coisa: mesmo com a certeza do que sinto, ainda assim me paira essa dúvida, se é amor ou se sinto apenas respeito.

Por que?






Um comentário:

Clara disse...

Nossa, Mari, que coisa essa sua história!
Olha, eu não sei te dizer se vc sente amor ou apenas respeito pelo henrique, isso só vc mesma pode responder, mas posso te dizer que eu comecei a namorar o meu namorado quando estava me curando de uma grande ferida. No começo eu não o amava, apenas gostava da companhia dele, mas aos poucos foi me conquistando e hoje sei que o amo com todas as minhas forças, pois não tenho a menor vontade de saber do outro que me magoou, não me importo mesmo se ele está vivo ou morto.
Então, talvez para vc responder essa questão, vc devesse refletir se quando vc pensa sobre esse tal rafael, qual o sentimento que lhe vem a mente, se é simplesmente ódio, se é vontade de voltar a ser "amiga" dele, ou o que quer que seja. Eu acredito que vc ama sim o seu namorado e não apenas o respeita, no entanto, há vários tipos de amor, e seria interessante que vc definisse isso para si mesma para que vcs não tenham eventuais problemas no futuro.
Bom, apenas um conselho de amiga-virtual..hehehe!
bjinhos

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