Por motivos pouco importantes, Nathannya veio aqui em casa hoje de manhã. Algo que nunca acontece. Ela é uma espécie de prima de segundo grau do Henrique, porque é filha de um primo dele, e esse primo é filho de uma das tias, irmã da minha sogra.
A conheço pouco para falar algo a seu respeito. Nathannya tem por volta dos vinte e poucos anos de idade, reservada, tímida e é muito família e comportada, por se tratar de uma frequentante fervorosa da sua igreja, não como as vagabundinhas dadas que vemos por aí.
Quando conheci a Nathannya, por termos a idade relativamente igual, nos identificamos e começamos uma amizade. Ou melhor, tentamos. Trocamos ideias, segredos, gostos e descobri logo que ela não tem nada haver comigo, assim como acho que percebeu o mesmo.
Ainda assim não deixamos de tentar nos entender e chegou o dia em que, por mútua vontade, passamos a nos denomimar primas.
Quando ela disse que partilharíamos tal nível de carinho e cumplicidade, eu logo imaginei que sairíamos juntas, que nos trancaríamos num quarto como adolescentes a jogar conversas fora. Ou que faríamos uma dúzia de coisas como irmãs, e que minha companhia seria por ela tão requisitada quanto é de seus colegas.
E isso tudo dentro de um agradável clima de descontração.
Essa havia sido a coisa que mais tinha me deixado feliz desde que cheguei em Timon.
Mas não é bem assim que saiu as coisas.
Nathannya e eu conversamos, nos tratamos bem e somos amigas. Mas não chega a tal intimidade que imaginava.
Vai ver ela tenha algumas ideias erradas de mim. Ou seja culpa do fato de não passarmos tempo suficiente para construir afinidades. Ou talvez seja relativamente difícil adotar do nada uma nova prima, uma pessoa que nunca foi de sua família, e partilhar com ela uma descontração que só surge entre os seus, entre pessoas que confiamos e convivemos há anos, seja algo impossível!
Eu já devia imaginar…
Sabe a lição importante que tiro disso tudo?
Ia ser legal se acontecesse, mas a família dos outros não é nossa família.
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