quarta-feira, 27 de março de 2013

Saudades de um "certo" melhor amigo.

Quarta-feira, 20 de Março de 2013. 

"Aproveitando esse meu mar de recordações, queria confessar que há alguém de quem eu sinto a falta" . 

Rafael é o protagonista da mais forte história de amizade que já tive até hoje. É alguém a quem já conheço há doze anos, e o único que foi capaz de compreender meus sentimentos e a me fazer vivenciar uma amizade tão mágica.
No momento em que entrou na minha vida e deu a amostra de como seria especial pra mim, os outros, que só estavam comigo por estar, deixaram imediatamente de existir pra mim. Eu tinha quatorze anos e estava na oitava série quando um outro amigo meu, JJ, me apresentou o Rafael. Eles eram da mesma idade e classe, assim como também possuíam o mesmo físico de gordinho, com a única diferença que Rafael era louro e tinha os olhos verdes.

Só sei que, ao contrário do que eu esperava, Rafael se tornou mais meu amigo e muito mais companheiro e confidente, que JJ. Eu pensava que ele seria só mais um conhecido distante, alguém novo para apenas jogar bola, mas logo se desabrochou o amigo mais incrível que uma garota podia ter, e tivemos uma ligação como nunca com ninguém.
É difícil explicar como era o apego que eu tinha com Rafael e o quanto ele era especial para mim. O modo como posso expressar a totalidade de tudo o que éramos e tudo o que eu sentia, é apenas em dizer que, com ele, eu vivia uma cumplicidade que nunca havia conseguido ter com nenhum outro amigo, sentia o que poucos me fizeram sentir e recebia dele o que os outros não foram capazes de dar. Rafael acabou se tornando aqueles sonhos reais que eu só via em filmes de casais amigos, como naquele, do filme De repente 30. Rafael era o meu melhor amigo.

Juntos construímos a coisa mais pura, sincera e verdadeira que eu experimentava, tínhamos um carinho sem medida e expressado sem medo por ele existir. E o mais legal é que tínhamos tudo isso sem envolver amor. Ao contrário ao pensamento das pessoas, Rafael e eu nunca nos apaixonamos um pelo outro, apenas admitíamos o ciúme quando o outro arrumava uma paquera, mas nunca de verdade tivemos a intenção de namorar. Eu achava que amor era uma coisa complicada e complexa que naquele momento da vida não eu precisava entender, e nem tão cedo queria vivenciar. Já sabia de antemão que se eu misturasse os sentimentos e confundisse meu apresso por ele com amor, iria acontecer algo que faria nossa amizade especial deixar de funcionar, igual acontece quando se joga uma chave de fenda nas engrenagens do mais perfeito mecanismo. Não queria que nada estragasse aquilo. Nada. Nem ninguém.

Depois que nos apegamos muito um ao outro, Rafael se fazia presente em quase todo momento da minha vida. Foi até um pouco difícil no início porque, devido a educação que meus irmãos e eu tivemos, não era sempre que eu tinha a permissão para estar fora de casa, por acharem perigoso. Aliás, eu nem tinha liberdade para fazer o que eu quisesse na rua, como meus amigos. Se eu conseguia sair era mais por desobediência e mentiras, que por permissão.


Rafael e eu passamos muito tempo juntos, muito mesmo. Passamos por muitas aventuras e confidenciamos muita coisa um ao outro. E se tem uma coisa em que posso ser sincera em dizer a respeito do que eu sinto, é saudade.
Sinto uma falta tremenda dele. Das nossas conversas, dos nossos passeios, das nossas encrencas, da nossa vida. Sinto falta de poder deitar minha cabeça no ombro dele, de deixa-lo deitar a dele no meu colo, sinto falta do seu jeito, da sua voz, do seu companheirismo e do seu estilo largado. Sinto falta do seu violão, da sua paixão pela música. Sinto falta até das broncas que me dava pelas vezes em que fui tão pateta. Perdê-lo em 2005 foi aparentemente um baque muito forte para mim, e senti algo que nunca pude contar para ninguém. E mesmo quando ele reapareceu em 2009, cheio de problemas e crises pessoais, não senti que Rafael era mais o mesmo. 

Mas nós voltamos a andar juntos em 2009, voltamos a ser amigos e um prometeu ajudar o outro. Só que eu notei que havia duas pequenas coisas que o incomodavam muito nos últimos dias em que nos vimos, em Poços de Caldas: a descoberta da existência de um namorado meu de internet, e fato de que no final daquele ano mesmo eu ia para o Maranhão me encontrar com ele.



Memórias.

Terça-feira, 19 de Março de 2013.





Memórias: - pensamentos habitados por recordações passadas.
E estes me fazem viajar pelas correntes mais densas e fortes de embriagante nostalgia.
É no ápice de tais sentimentos que me ponho a rabiscar textos, e com palavras perdidas e carregadas de saudade resolvi tentar recordar um pouco do meu passado, só pra variar, pois sempre há alguma coisa ou aquela abençoada música na playlist que trás de volta as sensações ou um certo nome de um certo alguém que há muito não se pensava.

Nesta ocasião, meus fones de ouvido e meus gatos sempre são meus melhores amigos, aconchegando-me em minha cama com meus cadernos, sem sorrisos, todos perdidos, iguais meu coração, sacudido com tantas lembranças, evocadas pelas minhas canções.

Fiquei a pensar em tanta coisa…
A cada lágrima de saudade, uma nova linha era escrita. A cada nome resgatado da memória, uma história era desenterrada, formando assim, as mais belas poesias das mais belas recordações vívidas de uma parte da minha vida que já fora perfeita.

Transformei a saudade que sinto de pessoas e coisas importantes para mim em palavras, e senti-me realizada. Fui expressando-me através de escritos e não havia sensação melhor. Mais uma música de minha playlist começa e todas as lembranças veem como um turbilhão a me castigar, queimando-me, ao mesmo tempo em que liberta todos os sentimentos mais ternos que tenho guardado de tanta coisa da minha vida!
Eu amo escrever, sobre tudo. Sobre qualquer coisa. Sentimentos, amores, alegrias ou momentos.
Sim, eu amo escrever, mas falar de minhas adoráveis lembranças é um ato quase ímprobo. E abstruso.
Lá vem outro turbilhão de memórias.  
Lá vou eu escrever novamente.
 

sábado, 16 de março de 2013

Paradise.

Sábado, dia 16 de Março de 2013.


        Calmo, tranquilo, aconchegante, familiar.
             Não muito longe, à minha espera  =)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Caixinha de recordações.

Sexta-feira, 15 de Março de 2013.


Em fim estou desocupando esse lugar, em Timon, no qual me acomodei há tanto tempo, só porque era mais fácil e conveniente estar. Estou a renovar o guarda-roupa, a vida, a rotina. Jogando todas as coisas velhas fora, as não importantes, as que passaram, e guardando somente as que interessam em uma caixinha:  
- um sorriso, um amigo, aquele abraço que não me esqueço, um nome, um dia mágico, um papel de um bom-bom dado por alguém especial, uma foto... 
Para que em meu mundo novo, eu possa sempre dar uma fugidinha para lembrar-me de quem foi, e sentir orgulho do que é agora. Ou simplesmente pra matar saudade mesmo.

As mudanças são necessárias, mudar-me de Timon e da vida que nunca foi minha é necessário, e é o que tenho buscado ultimamente: isso que de certa forma me levará a trilhar de volta os caminhos conhecidos de antes, na minha cidade, que me farão ver claramente para onde estou indo. 
Muitas dessas mudanças serão dolorosas inicialmente, mas em um futuro próximo verei que foi realmente preciso ter mudado, tomado uma atitude, diante de um lugar apresenta tudo de forma obscura.

Estou renovando agora, minha alma e minha louca vida. E levo comigo uma caixinha não muito grande de recordações com as lições daqui, para que nos dias difíceis eu me recorde de que foi necessário eu ter seguido em frente, principalmente para alcançar objetivos e uma vida nova, mas também, porque ficar parada nesse lugar era  incomodo demais, onde a cada passo que não dei pra frente, eu regredi três.



quinta-feira, 14 de março de 2013

Arrumando a bagunça.

Quinta-feira, 14 de Março de 2013. 

Cansei. Chega de fazer drama. Já escrevi demais falando que estou confusa, que cometi erros no decorrer dos anos e que estes já decidiram parte do meu destino, que as coisas ainda não estão em seu lugar e aos poucos estou lutando por isso e blá blá blá...

É hora de mudar, aceitar, descomplicar. É hora de mim.

Não posso negar que a vida me atropelou. Chegou com pressa e jogou no meu colo toda sorte de dilemas e suas complicações, todo o tipo de sentimentos, segredos e emoções. E eu? Eu não estava pronta pra isso, aliás, eu nunca estive pronta pra nada e nem tanta confusão. O que eu fiz? Aceitei a bagunça geral, fui seguindo o caminho como pude e bagunçando tudo ainda mais. Acho que até aumentei essa bagunça ouvindo músicas tristes e imaginando coisas com minha mente perigosamente fértil.

Então, resolvi acertar as contas. Não posso mais ficar assim, não dá pra sair atrás da minha felicidade enquanto tantas coisas me prendem aqui. Preciso melhorar. Preciso organizar tudo. 

Ok. Já descobri o que deu errado. Tal revelação me chegou há três noites enquanto acertava com Henrique detalhes do que vamos fazer com nosso futuro. Durante a conversa com ele, levei um choque instantâneo no qual me trouxe lembranças que me fizeram perceber que minha vida até agora foi um erro total. Paralisei, foi como um tapa do senhor óbvio bem certeiro na minha cara. ¬¬

É hora de repensar a vida. Mas, por onde começar?

Quando me fiz essa pergunta rapidamente já me veio a resposta na minha cabecinha: Vou tentar retomar o ponto da minha vida onde perdi o fio da meada.  De preferência, antes daquela noite onde coloquei tudo a perder.
Mas, infelizmente, acabei por igualmente perceber que recomeçar do ponto perdido também não é possível, porque as pessoas e as situações daqueles dias já não são mais as mesmas, e não iriam colaborar com muita coisa para o prosseguir da minha história.
Agora eu me deparo com o maior desafio da minha vida até agora: tentar refazer uma história, passar uma borracha no passado, esquecer algumas lembranças, deixar de lado algumas mágoas para prosseguir. Paralisei novamente. Não tinha como fazer isso, nada é tão simples quanto parece. Muitas coisas na minha vida são como tatuagens na pele, por mais que eu tente tirar, sempre vai ficar uma marquinha.

Passei horas e horas tentando repensar a vida junto com Henrique, e até cheguei a algum lugar. Achei que devia esquecer as lembranças, mas foi ai que elas me perseguiram cada vez mais. Achei que devia apagar meus erros, mas desisti, pois sem eles eu sempre teria acertado e consequentemente não teria dado valor a nada. Isso é um fato. 

Então, o que me resta é começar a escrever uma nova história, quando eu chegar em Poços de Caldas com Henrique, porque quando me deparei com as páginas da minha vida e vi apenas 26 folhas escritas e mais uma imensidão a ser preenchida, me dei conta que uma coisa que Henrique falou sempre fez sentido: Nada e nem ninguém escreve por mim. Se hoje eu me encontro aqui é porque a história tem que continuar e só cabe a mim tentar mudar isso, e eu vou fazer isso, até a caneta com que escrevo minha vida falhar, ou até mesmo a tinta acabar.
Por tanto, como diziam minha mãe e minha avó quando entravam no quarto e se assustavam com o que viam, no tempo em que eu era uma garotinha desordeira: Hora de arrumar essa bagunça!   

Repensar a vida pode tomar algumas horas, mas sempre nos mostra o caminho da vitória.


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